quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

BARBÁRIE & CIVILIZAÇÃO

A violência, a crueldade, a selvageria, a desumanidade que hoje testemunhamos em extensão planetária, refletem a dimensão diabólica da natureza humana. O recente sequestro do presidente da Venezuela e da sua esposa pelo governo dos Estados Unidos encaixa-se nessa barbaridade. A China e a Rússia não prestaram socorro ao seu aliado da América do Sul. Houve solidariedade verbal, inclusive de outros países e da Organização das Nações Unidas. O episódio serviu de alerta aos países, desenvolvidos ou não, todos sujeitos ao expansionismo estadunidense. Todos estão com as suas soberanias e as suas riquezas ameaçadas pela ambição, antijuridicidade e imperial conduta do rufião americano. 
No Oriente Médio, o governo dos Estados Unidos atua em parceria com o governo de Israel para sufocar os países que não rezam por seu catecismo. A liderança política israelense vem sendo exercida há quase duas décadas por Benjamin Netanyahu, judeu sionista condenado (i) pela justiça israelense por fraude e corrupção e (ii) pela justiça internacional por crime de guerra. Comparado com esse judeu autoritário, nazista, criminoso e corrupto, o líder supremo do Irã, Ali Khamenei é um santo. Este muçulmano xiita governa o Irã há três décadas.
O governo teocrático do Irã, exercido de forma autoritária pelo líder supremo [tal como o governo teocrático da igreja católica chefiado de forma autoritária pelo Papa] tem sido alvo de hostilidades promovidas pelos governos dos Estados Unidos e de Israel. O judeu sionista Netanyahu é protegido por Donald Trump, político autoritário, nazista, criminoso e corrupto, atual presidente dos Estados Unidos. Esses dois criminosos, o judeu israelense e o judeu americano que se diz cristão protestante, não têm autoridade moral para criticar lideranças e pretender substituir regimes políticos e modelos econômicos de outras nações. Esses dois bandidos internacionais confiam na força militar de que dispõem. Todavia, a médio prazo, eles poderão sucumbir ante a resistência e a força moral e religiosa dos persas auxiliados por nações amigas. 
Javé, deus dos judeus e Alá, deus dos muçulmanos, posicionam-se frente a frente, argumentam e exibem suas musculaturas. Pai Celestial, deus dos cristãos, intervém como conciliador. Deuses das demais nações reúnem-se em assembleia geral. Clima tenso, quente e seco.
Na política nacional e internacional, a civilização ocidental continua atrelada à barbárie. O desapreço pela vida natural, a tortura, o assassinato, o genocídio; a indigência moral, o desrespeito aos bens alheios; o ódio, a insolência contra os valores estimados por um povo; a pretensão de superioridade de uma religião sobre as outras religiões, de uma nação sobre as outras nações, de uma raça sobre as outras raças; a prevalência do emocional sobre o racional; configuram o paradoxo: barbárie da civilização, sobrevivência da cultura primitiva no mundo moderno. Os habitantes da Europa e da América são bárbaros civilizados e civilizados bárbaros. Barbaridade comum a todos os povos. 
O avanço civilizatório aconteceu na arte, na técnica e na ciência. No entanto, inteligência, virtuosidade e moralidade são autônomas, embora ocasionalmente entrelacem as mãos. Apesar de inteligente no seu existir e de virtuosa no seu mister (piano, pintura, manufatura, esporte) a pessoa pode ter mau caráter. O político, o juiz, o cientista, o artista, o atleta, podem ser geniais e cultos. No entanto e ao mesmo tempo, a conduta social deles pode revelar mau caráter (egocêntricos, desonestos, mentirosos, hipócritas, uso do conhecimento científico e tecnológico para obter vantagem indevida, ofender, dominar, destruir, roubar, ferir, torturar, matar). 
Desde a queda do Império Romano, houve mudanças nos costumes do mundo ocidental, porém, as práticas derivadas da dimensão demoníaca da natureza humana mantiveram-se. A clássica filosofia grega somou-se às teorias e doutrinas de filósofos e cientistas políticos modernos que defendiam, cada qual ao seu modo, o liberalismo, o socialismo, o fascismo, o nazismo, a autocracia, a democracia liberal, a democracia social, a anarquia. Quase todos eles sublinhavam a importância da paz, da liberdade, da igualdade, da fraternidade e da justiça. 
No processo civilizatório não faltaram mestres, intelectuais, cientistas e filósofos com: (i) seus anátemas sobre o mundo em que viviam (ii) seus protestos contra a dissolução dos costumes, a imoralidade dominante e a perda dos valores sociais (iii) suas advertências sobre esses males para as futuras gerações. O futuro veio e passou. O eterno presente ficou. 

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