domingo, 9 de novembro de 2025

PALRICE

Certo dia, minha avó materna, dona de casa desde que casou até o fim da sua vida, estava na cozinha preparando o diário e parco jantar. O marido, a filha e o genro palreavam na pequena sala. Quando o assunto enveredou para a beleza feminina que atrai os homens, a minha avó, em tom zangado, a todos lembrando  a superior utilidade da dona de casa, arrematou: 
- Beleza não se põe na mesa.
Meu avô materno, sempre tranquilo, na sua cadeira de embalo, fumando o seu cigarro de palha (fumo picado enrolado na folha de palha), aposentado da Rede Ferroviária Paraná-Santa Catarina, onde era chefe de trem, contesta: 
- É, mas se põe na cama.
Minha avó replicou:
- Velho sem vergonha!
Meu avô ria sacudindo a pança, gordo e bem alimentado pela minha avó que passava a maior parte do dia na cozinha. O almoço e o café da tarde eram os momentos mais importantes do dia. À noite, ouvir rádio. Depois, dormir. Para eles, ser gordo era sinal da boa saúde do homem forte. Minha avó não era gorda e nem magra. Teve 5 filhos: 2 meninos e 3 meninas. Meu avô teve 6 filhos: os 5 do casamento e 1 menino fora do casamento. Lar modesto. Família unida. Divisão do trabalho doméstico entre minha avó e minhas tias enquanto solteiras.

Recorte da lenda. A formiga e o elefante trilhando sentidos opostos no mesmo caminho se encontram frente a frente. A formiga diz para o elefante:
- As coisas não são bem assim!
O elefante estufa o peito e responde:
- As coisas são bem assim, sim.
Enquanto falava, ele pousava a sua pata dianteira sobre as costas da formiga. 
Assim, também, tem sido no reino dos animais racionais. O argumento do mais fraco não prevalece contra o mais forte. 
No reino das trevas, a luz não penetra. Bom senso e fanatismo são inconciliáveis. Razão e paixão se repelem.

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