sábado, 11 de março de 2017

CONVITE AOS NAVEGANTES.

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quarta-feira, 8 de março de 2017

MAL-ENTENDIDO

Após cansativa jornada de trabalho e tomar uma cachacinha, o companheiro chega em casa e ouve a mulher dizer:
- Eu vi a coisa preta hoje aqui.
- Quem é o negão?
- Que negão?
- Esse que veio aqui exibir a coisa preta e te comeu. Bem que tu gostou, vadia.
- Tá doido, homem. Tu tomou umas e outras e agora vem com esse palavrório sem sentido. 
- Vou te cobrir de porrada e acabar com a raça do negão. Ele vai mostrar a coisa dele na porta de São Pedro.
- Pode parar! Sai fora! Lá na birosca não te contaram?
- Eu não parei na birosca, mulher. Tomei uns aperitivos lá na Tijuca, depois de largar a oficina. Levei um tombo antes de subir no trem. Machuquei o rosto e a mão direita. Então, o que é que não me contaram?
- Maior tiroteio aqui na comunidade. Correria. Gente gritando e se escondendo no primeiro barraco que encontrava. As lojinhas fecharam as portas. Tiros para todos os lados. Foi o diabo! Dois feridos: um traficante e um garoto. Vinte policiais mortos.
- Garoto ou pivete de 16 anos?
- Pivete encardido. Sei lá a idade! Maior covardia. O marmanjo e o pivete, armados até os dentes, bem treinados, acabaram com os vinte policiais. Ainda por cima, tiraram dos cadáveres os coturnos, uns poucos trocados que traziam nas fardas e as armas. Os dois fugiram depois da matança. Agora estão numa boa enquanto os coitados dos policiais, pobres mas honestos, perderam a vida.
- Isto não se faz! Esses dois covardes devem ser expulsos da comunidade.
- Estou contigo. Amanhã mesmo devemos convocar a assembleia dos moradores para decidir o assunto com a máxima urgência. 
- Tu tá falando bonito, mulher. Tá estudando ou vendo a TV educativa?
- As duas coisas. Não adianta me olhar desse jeito, porque hoje a porteira tá fechada. Agora vá se lavar enquanto eu preparo o teu prato. 

domingo, 5 de março de 2017

DROGAS



Apesar de proibidas a produção e circulação das drogas ilícitas, o fato é que elas são vendidas e consumidas em todos os continentes. A proibição estimula a transgressão e desafia a rebeldia dos jovens. O fruto proibido é provocador. Eva que o diga. Sem a busca clandestina das drogas reduzir-se-iam os conflitos no interior das famílias dos consumidores.

Bilhões de dólares circulam nesse mercado ilegal de milhões de consumidores. Verba imensa é gasta pelo Estado no combate às drogas ilícitas. Esse dinheiro seria melhor aplicado nos campos da saúde, da educação, da cultura, principalmente nos países em desenvolvimento ou em período de crise econômica e social.

A solução prática e inteligente para esse problema é liberar a produção e o comercio de todas as drogas, indistintamente (remédios, maconha, cocaína, heroína). O Congresso Nacional elaboraria lei: [1] obrigando produtores e comerciantes: (i) a se registrarem nos órgãos estatais competentes; (ii) a manterem contabilidade regular; (iii) a pagarem tributo; [2] estabelecendo tributação em percentual igual ao das bebidas alcoólicas e dos cigarros; [3] instituindo órgão de fiscalização da qualidade das drogas ou aproveitando para esse fim órgãos estatais já existentes.

Com a legalização do narcotráfico, reduzir-se-ia a criminalidade conexa: [1] assassinatos, lesões, roubos, furtos, contrabando; [2] corrupção: (i) de menores na circulação interna como olheiros, mulas ou aviões; (ii) de policiais, vereadores, deputados, senadores, governadores e outras autoridades.

Sobre essa matéria, o governo brasileiro: [1] retirar-se-ia dos tratados internacionais; [2] revogaria as leis civis e penais; [3] arquivaria todos os inquéritos policiais e extinguiria todas as ações penais; [4] libertaria todas as pessoas que estivessem presas preventivamente ou já cumprindo pena. Após a legalização, tais pessoas poderiam trabalhar com carteira assinada num mercado de drogas lícito.  

A receita tributária oriunda das drogas, provavelmente na casa dos milhões de dólares, seria arrecadada pela União Federal, distribuída aos Estados e Municípios e destinada exclusivamente: [1] às instituições oficiais de apoio médico e psicológico aos consumidores; [2] à educação e cultura; [3] à segurança pública.

Trata-se de um projeto ousado que desafia a inteligência, a coragem, a sensatez e o espírito público dos legisladores, além de reforçar e autenticar a soberania nacional em face da eventual resistência de algum outro país.

A pacificação social se faz pela compreensão, tolerância, solidariedade, compaixão e amor fraterno, atenuando a tradicional mentalidade punitiva. As relações entre o povo e as autoridades públicas devem se estabelecer num clima de sinceridade, honestidade, transparência, boa vontade, generosidade e justiça.   

quarta-feira, 1 de março de 2017

SONS



Ouço a minha voz /
Voz da minha memória /
Voz da minha consciência /
Vozes ao meu redor /

Ondas sonoras nos ouvidos meus /
Vozes da rua, da praça, do tribunal /
Do mercado, da feira, do ambulante /
Chilrear dos pássaros, ladrar dos cães /

Ressoar dos vales, da mata, da floresta /
Sonoridade de palavras na mente /
Harmônica regência metafísica /
Murmúrio no êxtase amoroso.

domingo, 26 de fevereiro de 2017

POESIA



Se amas, pobre criança / ah! Se tu amas? / Não tenhas medo / não é inefável desastre / Há um misterioso sistema / e leis e influências / na gravitação das almas / e na gravitação dos astros / Estás, assim, tranquilamente / sem pensar no que evitas / e de repente / já não aguenta mais / é como se a cada instante / descesses bem depressa / de elevador / e é o amor / Nem livros mais, nem paisagens / nem desejos de céus da Ásia / Sobra apenas um rosto – aquele / ao qual se anestesia o coração / E nada em torno.
(“Se Amas, Pobre Criança”. Jean COCTEAU. Traduzido por Sérgio Milliet).

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

RIMAS



Juntar os pedaços
Reunir os trapos
Apertar os laços
Afastar os sapos

Ir aos poucos
Chegar sem pressa
Ouvir os loucos
Cumprir promessa

Da batalha vital esmorecendo
De ansiedade o peito ardendo
Das dores resistir não podendo
As portas a transpor correndo
No ar a dança dos gases cedendo
Deixam os corredores fedendo

domingo, 19 de fevereiro de 2017

CARNAVAL



Veio o verão chegou o carnaval
Blocos alegres e animados
Batucada de festa multirracial
A contagiar os desconsolados

Ao som da bateria a pista percorrendo
Coro de altas vozes o enredo a cantar
Turistas de emoção quase morrendo
No coração sentindo o forte palpitar

Finas cinturas nos corpos gostosos
Tapa sexo e seios apetitosos
A negritude autentica o samba
No compasso de quem é bamba

Desfilando em terreno plano
Vamos nós e o Império Serrano
Sem morar no morro e na favela
Vamos nós evoluir na passarela

Somos gente do asfalto das cidades
Dos frios burgos cimentados
Somos foliões robotizados 
A desfilar com as celebridades