A arte de governar a cidade chama-se Política, termo aplicável também ao governo de um ente coletivo como a família, a empresa, o sindicato, a igreja, o estado.
Política doméstica. Afeta a vida dos pais, filhos, agregados e serviçais. Dita normas reguladoras da conduta civil e religiosa de pais e filhos entre si e em relação a terceiros. Traça planos de modo autoritário ou consensual (pátrio poder) para execução imediata ou futura.
Política empresarial. Afeta a vida do dono ou sócio da empresa, dos gerentes, empregados, fornecedores e consumidores. Propõe objetivos e os meios e as regras para realiza-los. Cuida do patrimônio, dos investimentos, da seleção de pessoal, do relacionamento com a sociedade e o estado. Atribui ao dono ou a um conselho de sócios, o poder de decisão final.
Política sindical. Afeta a vida dos empregadores e empregados, dos membros de uma categoria econômica e de uma categoria profissional. Cuida dos interesses gerais dessas categorias. Inclui decisões colegiadas sobre: (i) convenções coletivas de trabalho (ii) colaboração com os órgãos do estado no exame e na solução de problemas relacionados às categorias.
Política eclesiástica. Afeta a vida dos cardeais, bispos, pastores, missionários e crentes. Regula os serviços religiosos. Cuida do patrimônio da igreja, da sua expansão e das relações com os fiéis, a sociedade e o estado. Atribui as decisões finais à autoridade religiosa suprema.
Política estatal. Afeta a vida da população em geral e, em especial, a vida dos agentes políticos, dos funcionários administrativos e dos empregados contratados sem vínculo funcional. Estabelece regras e estratégias para consecução dos objetivos nacionais. Indica os meios para realiza-los e para assegurar a eficácia dos direitos e deveres. Trata da segurança nacional e das forças armadas. Traça as diretrizes e bases do desenvolvimento econômico e social e das relações internacionais.
A vida política reflete a dualidade da natureza humana: angelical e demoníaca. Por isto mesmo, inclui honestidade e pilantragem; verdade e falsidade; crença e ceticismo; igualdade e discriminação; ajuda e abandono; justiça e parcialidade. Na trajetória do desenvolvimento social e econômico de países periféricos, a vida política apresenta base comum: (i) dependência de decisões dos centros estrangeiros (ii) setor produtivo dependente do crédito oficial (iii) riqueza pessoal de poucos, grande número de remediados, pobreza da maioria da população (iv) precários serviços públicos de saúde, educação, moradia, transporte e assistência social (v) cultura, ciência, tecnologia e meio ambiente relegados ao segundo plano.
Na América Latina, moralidade e racionalidade pesam pouco nas eleições para cargos públicos nos países onde vigora o regime democrático. Reinam a apatia no que tange à ética, os sentimentos egoísticos e os interesses privados. Nos eleitores pobres, prevalecem os sentimentos de abandono e de impotência provocados: (i) pela falta de dinheiro, de recursos materiais e de amparo social (ii) pela solidariedade fictícia ou inútil (iii) pelo aguilhão da ignorância, da desigualdade e do sofrimento crônico. Remediados e ricos votam pensando em vantagens e privilégios.
As eleições funcionam como radiografia da moralidade do eleitorado. Considerando que o eleitorado constitui o círculo político ativo da nação democrática, as eleições radiografam a estrutura moral da própria sociedade. Os eleitores votam nos candidatos que lhes parecem mais afinados com os seus interesses, com as suas necessidades e crenças civis e religiosas. Eleitores honestos e trabalhadores tendem a votar em candidatos honestos e trabalhadores. Eleitores desonestos e vagabundos tendem a votar em candidatos desonestos e vagabundos. “Política é assim mesmo”, contemporizam alguns. Entretanto, como arte e como ciência, política não é “assim mesmo”. Políticos de ambos os sexos é que são “assim mesmo”, safados e inescrupulosos.
No Brasil, disputaram a presidência da república no segundo turno das eleições de 2026, um candidato democrata e um candidato autocrata. O democrata trabalhador, moralmente idôneo, sensível ao bem comum, capaz de bem administrar o estado. O autocrata viveu sempre: (i) às custas do tesouro municipal, estadual e federal, sem trabalhar efetivamente (ii) de outros rendimentos oriundos de fontes ilícitas. Derrotado no pleito, o autocrata fugiu para os Estados Unidos a fim de escapar da justiça brasileira. O ramo neopentecostal do protestantismo a que pertence o autocrata, cujos adeptos se intitulam “evangélicos”, alojou-se em partido político da extrema direita e conquistou cadeiras na Câmara dos Deputados e no Senado Federal. Bispos e pastores dessa facção, sedentos de bens materiais, estelionatários da fé, mostram-se farsantes também no que concerne aos ensinamentos de Jesus. Os “evangélicos” e os judeus são devotos de Javé (Jeová), deus satânico criado por Moisés e posto no Antigo Testamento (parte hebraica da Bíblia). Eles, de maneira sub-reptícia, e os judeus, de maneira franca, renegam o Pai Celestial, deus angelical criado por Jesus e posto no Novo Testamento (parte cristã da Bíblia).