NADA DE NOVO SOB O SOL
Antonio Sebastião de Lima
No século XXI há crenças, costumes, instituições que, mutatis mutandis, existiam há 6 mil anos atrás, no Egito. O Vale do Nilo foi o nascedouro de cada instituição e de cada crença que vieram a ocupar posição de fundamental importância nas culturas de outros povos. Os egípcios criaram técnicas de engenharia e arquitetura, de irrigação, de recuperação de terras pantanosas, de fabrico de cerâmica, vidro e papel, de tecelagem de linho para roupas e criaram arte sem finalidade utilitária, ou seja, arte com o propósito exclusivamente estético. Foram os primeiros a estabelecer religião nacional fundada na imortalidade da alma. Inventaram o calendário solar (ano de 12 meses e mês de 30 dias). Na civilização egípcia se encontram as doutrinas básicas das grandes religiões do mundo. Os princípios morais e jurídicos ganharam força da tradição e eram acatados inclusive pelo faraó. Os fundamentos do progresso econômico, artístico e científico do futuro ali estavam cravados.
Os antigos egípcios elaboraram teoria política e jurídica; não faziam distinção entre crimes políticos e crimes comuns. No antigo Egito, em diferentes épocas, houve tipos distintos de organização política, inclusive o feudalismo. Apesar de o Egito ser uma teocracia a maior parte do tempo, o governo da XII dinastia foi considerado o primeiro governo democrático da história, por admitir a participação do povo nos assuntos do Estado e promover justiça social. O texto Diálogo do Misantropo Com Sua Alma (+ ou – 2100 a.C.) é uma das mais primitivas reivindicações de justiça social. O misantropo vê a sociedade da sua época mergulhada num pântano de depravação, corrupção, desonestidade e cobiça; pessoas sem pudor; qualquer um toma os bens dos vizinhos; a terra tornou-se presa dos ladrões, velhacos e opressores; quanto aos homens bons, em toda parte são olhados com desprezo. O misantropo parece que habitava o Brasil hodierno. A partir da XVIII dinastia (1580 a.C.) o governo egípcio, apoiado em forte estrutura militar, torna-se agressivo e imperialista. Nada diferente da idade contemporânea em países como a URSS do século XX e os EUA do século XXI.
Na filosofia, há correntes atuais que derivam da egípcia. Veja-se a Sabedoria de Amenmope: consciência firme em Deus como arquiteto do destino humano (quiçá, a origem da designação maçônica: Deus, o Grande Arquiteto do Universo). Esse filósofo defendia os seguintes preceitos: ganhar o pão pelo próprio esforço, contentar-se com pouco, confiar em Deus para ter paz de espírito. O idealismo moral exposto pelo filósofo egípcio Ptahhotep (2500 a.C.) incluía delicadeza, tolerância, bondade, jovialidade, retidão, justiça, moderação, continência, repúdio à cobiça, à sensualidade e ao orgulho. O filósofo Khekheperre-soneb lançava um libelo contra a classe alta pela injustiça com os pobres; denunciava a miséria que reina por toda a terra; qualificava de degenerados e covardes aqueles que nasceram para dirigir. Na sua análise, a própria sociedade era corrupta e complacente. Dois filósofos aristocratas, Ipuwe e Nefer-Rohu, lamentavam a subversão da antiga ordem (que os beneficiava); deploram a anarquia e a opressão do seu tempo; censuram aqueles que cedem à tentação de roubar o fraco; exprobam o rei por ser injusto e parcialmente responsável pelo estado de coisas e por estabelecer a discórdia na terra. Segundo esses dois filósofos, virá um tempo em que o direito readquirirá sua função e a iniqüidade será repudiada. Os males sociais se resolveriam desde que os governantes fossem honestos (até hoje a humanidade clama por esses governantes). A nova era será precedida por um douto e humano faraó que livrará o povo da opressão e restaurará na terra a paz e a prosperidade. 1.500 anos depois, os hebreus copiaram esse messianismo e colocaram o renovo na dinastia de Davi. Jesus não foi reconhecido como tal pelos judeus, acertadamente, pois o profeta não descendia de Davi, nem era hebreu.
sábado, 28 de fevereiro de 2009
domingo, 22 de fevereiro de 2009
FALSIFICAÇÃO DA HISTÓRIA
Antonio Sebastião de Lima
A História só se repete como farsa? Há épocas em que a elite de cada povo busca imitar o passado. Amoldam pensamentos e práticas ao seu tempo e ao seu interesse. Assim aconteceu com as crenças e doutrinas religiosas. A civilização egípcia, considerada a mais antiga do mundo (sem contar as lendárias Atlântida e Lemúria), passou para a Mesopotâmia, Palestina, Grécia e Roma, ainda que modificada e adaptada. Entre os elementos dessa civilização incluem-se a imortalidade da alma, o politeísmo, o monoteísmo, o messianismo, a regência do universo por uma inteligência, o movimento cíclico dos fenômenos naturais e sociais, a lei de causa e efeito, o governo de base divina (teocracia) e o governo de base popular (democracia). Desconhecido faraó da XI Dinastia (2100 a.C.) citava os deveres dos governantes: agir como pai dos órfãos, marido das viúvas e irmão dos abandonados; prevenir o roubo e proteger o miserável; punir os que merecem; julgar imparcialmente e não afirmar falsidades; promover um estado de harmonia e prosperidade tal que ninguém possa sofrer sede, fome ou frio.
A semelhança atual com fatos antigos, brotada do comportamento regular dos povos segundo as vicissitudes de cada época, não pode ser vista como farsa, necessariamente. A produção intelectual e material pode ser abundante e rápida, como aconteceu no século XX, nas artes, nas ciências e na técnica, implicando mudanças nas convenções sociais, nos modismos e nos costumes. Há cientistas que apresentam trabalhos falsos; profetas e sacerdotes enganadores; historiadores capciosos na apresentação e interpretação dos fatos.
O bispo católico Richard Williamson, excomungado porque negara a extensão do holocausto, foi reabilitado pelo Papa, recentemente. Além de negar o número de judeus mortos apontado por alguns historiadores, o bispo inclui pessoas de outras religiões, negros e brancos, no morticínio promovido pelos nazistas. O bispo disse que aguarda evidências que contrariem as provas sobre as quais assentou o seu julgamento. Só, então, pedirá desculpas, se for o caso. Outros pesquisadores também denunciaram o exagero que gera lucro aos judeus, como o professor Norman G. Finkelstein no livro “A Indústria do Holocausto” (Rio/São Paulo, Editora Record, 2001). Na internet há textos sobre tal assunto.
Tão logo a verdade vem à tona, os sionistas tratam de desacreditá-la mediante filmes, noticiários e programas de televisão, entrevistas e artigos em jornais e revistas, tudo em defesa da versão que lhes interessa. Pleiteiam censura nos meios de comunicação a todo material que divulgue: (i) a exata dimensão do holocausto (ii) os lances históricos que colocam à mostra a crueldade desse povo e do seu deus (iii) as deficiências morais dos seus líderes. O poder econômico do grupo sionista coloca-se por inteiro nessa reação. Divulgam amplamente todo material contrário aos palestinos, ainda que mentiroso. Manipulam a linguagem empregada nas emissoras de rádio e televisão, nos jornais e revistas, de modo que o vocábulo terrorista seja sempre aplicado aos árabes em geral e aos palestinos em particular. No número de vítimas englobam palestinos e judeus, a fim de ocultar a enorme diferença e o massacre que isto significa (1.212 mortos = 1.200 palestinos + 12 judeus).
O fim do mandato de Bush arrefeceu a fúria israelita. Os palestinos não são anjos, mas nem por isso merecem o genocídio. Esse episódio no Oriente Médio mostra uma vez mais que nessas lutas ninguém é santo ou inocente. No curso da História os seres humanos têm exibido a sua face angelical nas artes, ciências, filosofia, transmissão do conhecimento, e a sua face demoníaca nas disputas pelos bens terrenos, pelo domínio político e pela hegemonia religiosa.
domingo, 15 de fevereiro de 2009
ATRIBUTOS DIVINOS
Antonio Sebastião de Lima
Há um determinismo, a partir de Deus, no mundo material. Leis naturais e inflexíveis respondem pela estabilidade do universo. Essas leis são neutras aos valores humanos. Terremoto, maremoto, tsunami e todos os fenômenos naturais acontecem por que tem que acontecer, sem culpa de ninguém e sem propósito de divindade alguma. Cabe aos homens estuda-los e se precaverem. Do determinismo divino não decorre qualquer maldade. Bondade e maldade derivam da bipolaridade da natureza humana: corpo e alma; demônio e anjo. O ser humano responde por seus pensamentos e ações mediante a atuação da lei da compensação. Se tais pensamentos e ações estiverem em sintonia com as leis divinas, a conseqüência será boa para o ser humano; se não estiverem, a conseqüência será ruim; em qualquer desses casos, não haverá interferência direta de Deus, mas simples incidência da lei de atração e repulsão.
O destino humano não está traçado nas estrelas e sim na História. Expressões tais como “assim como julgardes sereis julgados”, “não desejes ao próximo o que não queres para ti mesmo”, “dize-me com quem andas e dir-te-ei quem és” indicam que o ser humano é o artífice do seu próprio destino. Conforme a sua conduta, o ser humano atrai para si mesmo e para o seu ambiente, tanto o que é bom como o que é ruim. Há predisposição genética e ambiental que se não confunde com predestinação. A doutrina da predestinação, embora pregada por teólogos e reformadores, não se compadece com a relativa liberdade de ação e pensamento desfrutada pelo ser humano, nem é compatível com a doutrina da bondade e sabedoria de Deus defendida por esses mesmos teólogos e reformadores. Santo Agostinho era adepto dessa doutrina. Acreditava que os predestinados formavam a Cidade de Deus e os demais a Cidade Terrestre. Aqueles seriam imortais; estes queimariam no inferno, embora todos os homens sejam depravados por natureza (certamente, Santo Agostinho generalizava a sua própria devassidão ao tempo de solteiro e nos primeiros anos de casado).
A presunção humana conduz à idéia de que Deus se importa com o destino individual ou coletivo da humanidade. Ledo engano. O corpo sem alma vira pó ou cinzas. Mantê-lo saudável enquanto vivo é problema de cada um. Laços de solidariedade podem ajudar aos menos aptos e aos que nasceram com deficiências físicas e mentais. A personalidade com seus prêmios e castigos compensados fica ligada à alma universal assim que se desliga do corpo. Algumas seitas acreditam na reencarnação dessa personalidade; outras não.
A fé tem sofrido duros golpes desferidos pela razão. Os religiosos acreditavam que a Terra era plana e centro do universo; que o Sol girava em torno da Terra; que o ser humano era exclusiva criação divina e o centro das atenções de Deus. Nada disso foi confirmado pelo trabalho dos cientistas. A ciência parece estar convencida da existência de vida semelhante à humana em mais de 20 mil planetas fora do sistema solar. Os humanos são seres vivos minúsculos, entre tantos outros maiores ou menores, cujo ambiente é um pequenino grão de areia na imensidão de uma galáxia, ao lado de milhões de outras galáxias do mesmo universo.
Em relação aos seres menores, o ser humano se conforma em ser gigante na escala micro-cósmica pelo tamanho do seu corpo e da sua inteligência. Sente-se bem por ser o único nessa escala com o dom de sorrir. O ricto das hienas não se confunde com o sorriso humano. Na escala macro-cósmica a alma não tem dimensão. Através dela o ser humano entra em sintonia não só com as galáxias como também com a fonte da vida, do amor e da luz espiritual.
Para os gregos, o símbolo da razão (sabedoria) era a coruja. Como a fé cega equivale a trevas (ignorância) o avestruz poderia ser o símbolo da fé religiosa dogmática.
segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009
LIBERDADE PARA OS CONDENADOS
Antonio Sebastião de Lima
O Supremo Tribunal Federal (STF), por maioria dos seus membros, decidiu (quinta-feira, 05/02/09) que condenado algum deverá ser preso antes de a sentença judicial transitar em julgado. Mediante tal decisão, o Brasil confirma a sua fama internacional de paraíso dos criminosos. A nova orientação apoiou-se no enunciado constitucional que presume a inocência do réu: “ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória” (CF 5º, LVII). Diante disso, juízes e tribunais não mais poderão expedir ordem de prisão contra os condenados até que a sentença transite em julgado, o que pode demorar muitos anos e propiciar a prescrição da pena aplicada. Impunidade garantida.
Antes dessa infeliz e nociva decisão, a sentença penal recorrível produzia dois efeitos principais: a imediata prisão do réu e o lançamento do seu nome no rol dos culpados, consoante os incisos I e II, do artigo 393, do Código de Processo Penal (CPP). Admita-se, para conceder menor elasticidade à polêmica, que o preceito constitucional pudesse impedir o lançamento do nome do condenado no rol dos culpados antes do trânsito em julgado da sentença penal condenatória. Circunscreva-se a polêmica à ordem de prisão. O entendimento de que o mencionado preceito constitucional impede a prisão do condenado afigura-se exagero prejudicial à segurança da sociedade e ao poder jurisdicional dos juízes e tribunais.
O processo criminal tem por finalidade apurar a responsabilidade dos réus. A sentença os absolverá ou os condenará. Em termos lógicos, a presunção de inocência se esgota com a sentença absolutória ou condenatória. Presunção significa opinião incerta, conjectura sobre a verdade de algo até prova em contrário. Quando essa prova é realizada sob a tutela jurisdicional, a presunção cede lugar à certeza decorrente do contraditório e da ampla defesa. A reforma da sentença por tribunal superior é mera probabilidade que não afasta a autoridade do julgado.
Com a citada decisão do STF, a prisão não mais será efeito da sentença recorrível. O artigo 393 do CPP, que vigorou por 67 anos e 4 meses (outubro de 1941 a fevereiro de 2009) e que havia se incorporado à doutrina e à jurisprudência, passa de compatível a incompatível com a Constituição de 1988. Só depois de 20 anos de vigência da Constituição é que a maioria do STF considerou inconstitucional aquele dispositivo legal, estimulada pelo episódio Daniel Dantas. Os votos vencidos reconheceram a compatibilidade e a necessidade da prisão; colocaram o interesse público acima do interesse particular dos condenados. Os votos vencedores mantiveram coerência com a escandalosa decisão proferida no habeas corpus que favoreceu Dantas. O STF tirou dos juízes e tribunais o poder de mandar prender os condenados imediatamente, o que tipifica uma capitis deminutio. A decisão do STF abre ensejo à liberdade de todos os condenados que ainda não tiveram sentença penal transitada em julgado. Os juízes deverão de ofício (CPP 654, 2º) expedir alvarás de soltura, porque tais prisões, após a decisão do STF, passaram para a ilegalidade. Centenas ou milhares de bandidos serão soltos e quiçá não voltem à prisão pelo crime cuja prática justificou a condenação.
No que tange à prisão temporária e à prisão preventiva, a competência dos juízes para decretá-las foram mantidas pelo STF, por enquanto. A prisão temporária pode ser decretada pelo juiz, porém está limitada ao inquérito policial e pelo prazo estipulado na lei (5 dias). A prisão preventiva está limitada ao inquérito policial e à instrução criminal. Ambos os tipos de prisão são provisórios. Eis aí a contradição contida na decisão da maioria dos ministros. Se o juiz pode o mais (decretar a prisão mesmo antes de instaurado o processo criminal) pode o menos (decretá-la após encerrada a instrução criminal). A contradição faz transparecer o conteúdo político da decisão: prestigiar o presidente do STF no episódio Dantas; assegurar a liberdade de Dantas e de outros assemelhados que respondem a processo criminal; exibir o poder do STF sobre todos os juízes e tribunais do país. O STF mostrou a sua veia autoritária e protetora dos interesses da aristocracia. Não recuou ante o efeito pernicioso da sua decisão: abrir as portas de saída para todos os condenados com sentença ainda não transitada em julgado. Se Fernandinho Beira-Mar e outros bandidos notórios estiverem nesta situação, deverão ser postos em liberdade imediatamente.
sábado, 24 de janeiro de 2009
CREPÚSCULO EM IPANEMA
Antonio Sebastião de Lima
Professor e juiz de direito aposentado (RJ)
Praia de Ipanema. Entardecer. Sol baixando lentamente na linha do horizonte. Da Pedra do Arpoador ao Jardim de Alá, com os rostos voltados para o ponto ocidental crepuscular, as pessoas aplaudem. A menina pergunta aos pais o motivo daquele aplauso. Certamente, para ela, o Sol se por no horizonte era muito natural. Isto acontecia todos os dias. A mãe ficou embaraçada. Simplesmente, disse que as pessoas aplaudiam porque era bonito. Pela cor da pele e pelos modos, via-se que pais e filha eram turistas. Brasileiros de outros rincões e estrangeiros não entendem, de imediato, o comportamento do carioca.
A natureza oferece belos espetáculos. A vontade é de aplaudir, como em tudo que provoca, de forma agradável, o senso estético no ser humano. Espetáculo ao vivo. O momento é mágico, principalmente para aqueles que cultivam as coisas do espírito. Cores maravilhosas no céu. Pintura ao natural. O pintor está oculto, mas a sua presença é sentida. Breve êxtase coletivo. Seguem-se os aplausos e vibrações de alegria. Desaparecem as diferenças, por um instante. Pretos, brancos, mestiços, ricos, remediados, pobres, cristãos, judeus, muçulmanos, perdem a noção da individualidade. Estão irmanados no mesmo sentimento e no mesmo culto à beleza. Mar, areia, montanha formam o templo de adoração sob a abóbada celeste.
Comungar com a natureza é comungar com Deus. As gerações futuras podem não se empolgar com esse espetáculo. Coisa de gente boba, dirão. A tela do computador tornará as retinas opacas aos estímulos da luz natural. Os olhos habituar-se-ão ao mundo virtual. Amortecidos, perdem a sensibilidade para os dois mundos: natural e moral. O amortecimento gerado por outros fatores já mostrou suas conseqüências. Exemplo: a zona sul da cidade do Rio de Janeiro, uma das mais belas regiões do planeta, transformou-se em monturo. O carioca se extasia por um segundo ao crepúsculo depois de passar o dia sujando a cidade. O malandro fica na dúvida se aproveita a distração do pessoal ou se contempla o espetáculo. Como já o contemplou ontem, decide aliviar as pessoas dos seus pertences, à vezes com jeitinho, como recomenda a delicadeza daquela experiência comunal, às vezes com truculência.
Nos gabinetes, sob luz artificial e ar condicionado, homens de negócios e autoridades públicas estudam estratégias para aliviar, dos seus pertences, as camadas médias e pobres da sociedade. Nas sessões dos tribunais, transmitidas pela TV, juízes entram em discussões bizantinas e se estendem em seus votos, nutrindo vaidades. Às vezes, levam dias para julgar um único processo. Enquanto isso, o volume de processos, aguardando a vez, cresce como massa de pão bem fermentada. A prestação jurisdicional tarda. A norma sobre celeridade, introduzida com a reforma do Judiciário e que tanta esperança despertou, resta letra morta. Sem disposição e vontade do magistrado não há norma que frutifique.
Neste ano de 2009, completa 30 anos o processo em que o jornal “Tribuna da Imprensa” reclama indenização pelos danos sofridos durante o regime militar. Em primeiro grau, a ação recebeu sentença em tempo razoável. Nos outros graus de jurisdição, trâmites vagarosos. Depois de 3 anos com os autos em seu poder, sem qualquer impulso, o relator (ministro Joaquim Barbosa) se dá por impedido! A demora não se deve ao Judiciário, exclusivamente, pois tal ação exige a intervenção da Procuradoria da União e da Procuradoria da República. Além disso, há notícia de omissão dos antigos patronos da causa no estágio da perícia. Entretanto, o impulso do processo é oficial. Outro caso: o agravo regimental no MI 860 aguarda, desde 04/09/2008, despacho do relator (ministro Marco Aurélio), apesar de o Mandado de Injunção (MI) constar do rol das ações prioritárias. A informatização no Poder Judiciário serve para informar ao usuário, em 30 segundos, de que determinada ação receberá solução definitiva em 30 anos.
quinta-feira, 15 de janeiro de 2009
HOLOCAUSTO PALESTINO
Antonio Sebastião de Lima
Os mesquinhos interesses e a covardia de alguns governantes de nações européias ensejaram a guerra mundial de 1939-1945. O mesmo pode acontecer agora, se a agressividade de Israel não for contida. Pressionada pela comunidade sionista, inclusive com chantagem emocional, a ONU cedeu-lhe parte do território da Palestina. Grave erro. Plantou a semente de uma nova guerra mundial. Nunca mais a região teve paz. Desacatando a ONU, Israel, apoiado pelos EUA, invadiu países vizinhos e promoveu massacres. Em artigo publicado na Folha de São Paulo de 29/10/2001, o cientista brasileiro Rogério C. C. Leite comparava Israel a uma cadelinha chamada Capitu e os EUA a um perdigueiro de nome complicado. Quando sozinha, a cadelinha rosnava contra o que lhe contrariava, mas escondia o toco do rabo entre as pernas. Protegida pelo perdigueiro, tornava-se aguerrida. Para justificar o genocídio atual, Israel e EUA acusam os palestinos de terroristas. Os cidadãos palestinos defendem a sua pátria, o seu patrimônio e os seus direitos. Terroristas e genocidas são os invasores.
Os hebreus herdaram: (i) do faraó Aquenaton, o monoteísmo (ii) da Mesopotâmia, o mito da criação do mundo e do dilúvio, sistema jurídico, simbolismo, pessimismo, fatalismo e demonologia. Para cada verdade, os hebreus diziam duas mentiras. O general Ben Gurion equivocou-se ao afirmar que a Palestina era dos judeus. Historicamente, a Palestina era dos cananeus. Abraão saiu do sul para o norte da Mesopotâmia e de lá seguiu para Canaã (1400 AC). Os atritos com os donos da terra e com os vizinhos eram constantes. Fugindo da falta de alimentos, Abraão foi para o Egito e ofereceu a sua formosa esposa (Sara) à lascívia do faraó. Em troca, recebeu ovelhas, bois, jumentos, camelos, servos, ouro e prata. Atribui-se ao proxeneta Abraão, a paternidade de Ismael e Isaac. Da descendência de Ismael surgiu a nação árabe; da descendência de Isaac, a nação hebraica. Tudo isso narrado na bíblia.
A credibilidade da bíblia é muito fraca. Em primoroso artigo publicado no jornal Tribuna da Imprensa de 13.11.2008, Paulo Sólon cita a opinião do filósofo Baruch Spinoza (1633-1677): a bíblia é uma fraude colossal. Certamente, Spinoza referia-se à bíblia impressa por Johannes Gutenberg (1397-1468) que Thomas Hobbes (1588-1679) também leu e da qual constava o capítulo 14, do livro II de Esdras (ou livro de Neemias). Segundo esse capítulo, suprimido da bíblia nas edições posteriores, transcrito por Hobbes em seu livro, Esdras conversava com Deus e assim se expressava: “Tua lei foi queimada” (no incêndio do templo de Jerusalém); “portanto, nenhum homem conhece as coisas que foram feitas, nem as obras que hão de começar. Porém, se encontrei graça diante de ti, envia-me ao Espírito Santo e escreverei tudo o que aconteceu no mundo, desde o começo, o que estava escrito em tua lei, para que os homens possam encontrar teu caminho e para que aqueles que viverão nos últimos dias possam viver” (Leviatán, Madri, Editora Nacional, 1979, pág. 453). Esdras escreveu todos os livros do antigo testamento até o ano 400 AC. Daí a forte presença da cultura babilônica nos textos bíblicos. O que chegou até nós como “escritura sagrada” é produto da malícia de um grupo de judeus (Esdras, Neemias, Zorobabel) reunidos sob o império persa, antes do retorno a Jerusalém.
Einstein comparou a bíblia aos contos infantis. Os judeus tiraram proveito da fantasia. Há pessoas que acreditam ser o povo judeu eleito de Deus. Se houve eleição, o eleitor foi o deus dos hebreus. Ben Gurion estava certo ao afirmar que o deus do seu povo não é o deus dos outros. Jeová (ou Javé), deus nacional dos judeus, é o oposto do Pai Celestial, deus universal dos cristãos. Cruel, vingativo, genocida, trapaceiro, materialista, Jeová é a imagem e semelhança do seu povo. Autoriza a invasão de terra alheia (Canaã) e promete doa-la aos invasores, com quem faz aliança. Mata o carregador da arca da aliança por haver escorregado. Dá ordens a Saul para matar Amalec e votar ao interdito tudo que lhe pertence, sem nada poupar: “matarás homens e mulheres, crianças e meninos de peito, bois e ovelhas, camelos e jumentos”. Jeová promete mundos e fundos aos patriarcas, tudo no plano material e nada no plano espiritual. Segundo os evangelhos de Mateus e Lucas, esse mesmo deus hebraico tentou seduzir Jesus, como havia seduzido Abraão. Prometeu glória e todos os reinos do mundo a Jesus, mas foi por este rechaçado: vade retro, Satan. Onipotente, Deus não necessita dos homens para coisa alguma, nem celebra pactos ou contratos (costume humano).
Povos da Ásia ocidental e da África setentrional não suportavam o povo hebreu e lhe deram esse nome por significar nômade e bandido. Os hebreus brigavam até entre si. Separaram-se: duas tribos conservadoras ao sul da Palestina (Judéia) e dez progressistas ao norte (Israel). Os judeus odiavam os israelitas. Tal qual no mundo antigo, a nação judia quase foi extinta no mundo moderno por causa dos seus vícios. Com o propósito de controlar os governos valendo-se do poder econômico, os judeus buscam a riqueza mesmo ilicitamente (lenocínio, estelionato, suborno, apropriação indébita). Segundo a bíblia, Jeová abençoa a riqueza e deu ao povo hebreu o direito de dominar todos os povos da Terra, ainda que fosse preciso enganar, espoliar e matar. Na Alemanha, durante a crise econômica (1923) os judeus adquiriam bens a preço vil. Aproveitavam-se do desespero das pessoas. Receberam o troco quando Hitler e os membros da sua fraternidade (cruz suástica) assumiram o governo (1933). Para despertar comiseração, os judeus apelidaram o morticínio de holocausto e até hoje tiram proveito econômico e político dessa esperteza. Enriqueceram com indenizações pagas por empresas e nações (“A Indústria do Holocausto”, Norman G. Finkelstein, RJ/SP, Record, 2001).
sábado, 10 de janeiro de 2009
MASSACRE PALESTINO
Antonio Sebastião de Lima
A ONU errou ao ceder parte do território da Palestina aos judeus. Nunca mais a região teve paz. A covardia e os mesquinhos interesses dos governantes das nações européias ensejaram o avanço de Hitler e a deflagração da guerra. O mesmo pode acontecer agora, se a agressividade de Israel não for contida. Para justificar o genocídio atual, os judeus acusam os palestinos de terroristas. As nações controladas pelo poder econômico dos judeus se omitem. Como os hebreus não dizem uma verdade sem que lhe sigam duas mentiras, o general Ben Gurion disse a verdade ao afirmar que o deus do seu povo não é o deus dos outros e mentiu ao afirmar que a Palestina era dos judeus. A Palestina era dos cananeus. Abraão saiu da cidade de Ur, na Caldéia, dirigiu-se para o norte da Mesopotâmia e de lá seguiu para Canaã. Os atritos com os vizinhos eram constantes. Fugindo da crise de abastecimento e da pobreza, foi para o Egito e cedeu a formosa esposa (Sara) à lascívia do faraó. Em troca, foi bem tratado e recebeu ovelhas, bois, jumentos, camelos, servos, ouro e prata. Abraão, o proxeneta, gerou Ismael e Isaac. Da descendência do primeiro, surgiu a nação árabe; da descendência do segundo, a nação hebraica. Tudo isso narrado na bíblia, livro de credibilidade muito fraca.
Em primoroso artigo publicado no jornal Tribuna da Imprensa (13.11.2008, pág. 4) Paulo Sólon cita a opinião do filósofo Baruch Spinoza (1633-1677): a bíblia é uma fraude colossal. Certamente, Spinoza referia-se à mesma bíblia lida por Thomas Hobbes (1588-1679) impressa por Johannes Gutenberg (1397-1468) da qual constava o capítulo 14, do livro II de Esdras (ou livro de Neemias). Depois que Hobbes o transcreveu no seu livro, esse capítulo deixou de constar em posteriores edições da bíblia. Segundo os versículos desse capítulo, Esdras conversava com Deus e assim se expressava: “Tua lei foi queimada” (na destruição de Jerusalém pelo exército da Babilônia); “portanto, nenhum homem conhece as coisas que foram feitas, nem as obras que hão de começar. Porém, se encontrei graça diante de ti, envia-me ao Espírito Santo e escreverei tudo o que aconteceu no mundo, desde o começo, o que estava escrito em tua lei, para que os homens possam encontrar teu caminho e para que aqueles que viverão nos últimos dias possam viver” (Leviatã, Madri, Editora Nacional, 1979, pág.453). Esdras escreveu todos os livros do antigo testamento até o ano 400 AC. O que chegou até nós como “escritura sagrada” nada mais é do que o produto da imaginação de um grupo de judeus manhosos (Esdras, Neemias, Zorobabel e outros) reunidos na Pérsia sob a proteção do rei, antes do retorno a Jerusalém, no final do desterro.
Einstein comparou a bíblia aos contos infantis. Tudo fantasia, da qual os judeus tiram proveito até hoje. Há pessoas que ainda acreditam ser o povo judeu eleito de Deus. O eleitor, se houve, foi o deus dos hebreus, como disse Gurion. Javé ou Jeová, deus nacional dos judeus não se confunde com o Pai Celestial, deus universal dos cristãos. Cruel, vingativo, genocida, trapaceiro, materialista, Javé/Jeová é a imagem e semelhança do seu povo. Por um escorregão, mata o carregador da Arca da Aliança. Por vingança, dá ordens a Saul para matar Amalec e votar ao interdito tudo que lhe pertence, sem nada poupar: “matarás homens e mulheres, crianças e meninos de peito, bois e ovelhas, camelos e jumentos”. E aconteceu o massacre. Autoriza a invasão de terra alheia (Canaã) e a morte dos seus donos. Promete doá-la aos hebreus e faz aliança com os patriarcas. Deus universal, onipotente, onisciente e onipresente, não necessita dos homens para coisa alguma, nem celebra pactos ou contratos, práticas eminentemente humanas. Javé/Jeová promete mundos e fundos aos patriarcas, tudo no plano material e nada no reino espiritual. Segundo os evangelhos de Mateus e Lucas, esse mesmo deus hebraico tentou seduzir Jesus, como havia seduzido Abraão. Prometeu glória e todos os reinos do mundo a Jesus, mas foi rechaçado: vade retro, Satan.
Os demais povos da Ásia ocidental e da África setentrional não suportavam o povo hebreu e lhe deram esse nome por significar nômade e bandido. Os egípcios o expulsaram. Esdras fez uma epopéia dessa expulsão. Deu-lhe o nome de Êxodo. Nem os hebreus se suportavam. Separaram-se: duas tribos conservadoras e ortodoxas ao sul da Palestina (Judéia) e dez progressistas ao norte (Israel). Os judeus odiavam os israelitas. Em virtude desse temperamento, estiveram à beira da extinção no mundo antigo e sempre se colocavam como vítimas. No mundo moderno não tem sido diferente e mais uma vez esse povo quase foi extinto em conseqüência dos seus defeitos morais. Os judeus buscam a riqueza material de modo lícito ou ilícito (lenocínio, estelionato, suborno, apropriação indébita) com o propósito de dominar o setor financeiro dos países e controlar os governos valendo-se do poder econômico. Segundo a bíblia, Javé/Jeová abençoa a riqueza e deu ao povo judeu o direito de dominar todos os reinos da Terra, ainda que para tanto fosse preciso matar, roubar, espoliar.
Na Alemanha, durante a crise econômica, os judeus adquiriam bens a preços irrisórios, aproveitando-se da necessidade e do desespero das pessoas. Receberam o troco quando Hitler e os membros da sua fraternidade (cruz suástica) assumiram o governo. Para comover os povos, os judeus apelidaram o morticínio de holocausto e até hoje tiram proveito econômico e político dessa esperteza. Enriqueceram com indenizações milionárias pagas por empresas e nações (“A Indústria do Holocausto”, Norman G. Finkelstein, RJ/SP, Record, 2001).