segunda-feira, 12 de setembro de 2022

VOTO

 O voto é um dos meios pelos quais as pessoas expressam as suas opiniões e os seus sentimentos, manifestam os seus desejos e as suas vontades e fazem as suas escolhas e as suas promessas. Assim, por exemplo, “boas festas”, “saúde, paz e prosperidade”, são votos convencionais de alguém para outrem. 
O voto pode consistir na promessa (i) de adotar determinada conduta (ii) de fidelidade a uma instituição civil, militar ou religiosa. 
Na esfera religiosa, ao se consagrar, o noviço faz os votos de (i) devoção a deus (ii) obediência à doutrina e aos mandamentos da igreja. Para ingressar na ordem religiosa franciscana, o candidato faz os votos de  pobreza, castidade e obediência. 
Na esfera militar, o soldado (praça ou oficial) faz os votos de (i)  lealdade à pátria e à bandeira e honrar a farda (ii) defender a Constituição e a integridade do estado (iii) submissão às regras do serviço militar (iv) obediência às ordens do superior hierárquico.
Na esfera política democrática, antes de assumir a chefia do estado, o eleito faz os votos de (i) obediência à Constituição e às leis (ii) defesa do bem geral do povo. Cuida-se de voto público solene de obrigatório cumprimento. A hipótese de descumprimento tipifica ato ilícito e acarreta sanções, inclusive a perda do cargo.  
Na sociedade, o povo, titular do poder soberano, organiza o estado através de representantes: (i) eleitos pelas cidadãs e pelos cidadãos, segundo normas convencionais vigentes no meio social, ou (ii) legitimados por ato revolucionário que derrubou governo autocrático (monárquico, ditatorial).
Organizado o estado, os órgãos de comando político instituidos pela assembleia constituinte e/ou pelo grupo revolucionário, são responsáveis pela administração geral. Isto implica elaborar e aplicar as leis e distribuir justiça. Cidadãos capacitados, com idades reconhecidas para a lúcida e legítima prática dos atos da vida política, escolhem as pessoas que desempenharão as funções dos citados órgãos.  
No Brasil, a escolha das pessoas que encarnarão os órgãos legislativo e executivo obedece a um processo jurídico eleitoral. As pessoas que encarnarão o órgão judiciário não são escolhidas por esse processo e sim por meio de concurso público de provas e títulos. Os juízes da suprema corte são escolhidos pelo presidente da república e por ele nomeados depois da sabatina no senado.
A escolha dos representantes do povo no legislativo e no executivo se faz pelo voto secreto e direto, de igual valor para todas as cidadãs e todos os cidadãos. O voto é expressão da soberania popular, excelsa afirmação da cidadania, imensa importância para o futuro da nação. 
Deixo aqui a minha súplica às eleitoras e aos eleitores do meu país: Não anulem o voto. Não votem em branco. Votem em moreno. Votem na morena Gabriela Lima para deputada federal 1331, brasileira honesta, dedicada ao trabalho e ao bem comum, além de ser mulher de boa índole, bem educada, simpática, inteligente e culta.   

sexta-feira, 9 de setembro de 2022

PISO SALARIAL

Na sociedade e no estado há questões sociais, econômicas e políticas mescladas que exigem a coordenação e a intervenção dos poderes legislativo, executivo e judiciário. Disto, há exemplo recente no Brasil: a celeuma provocada por lei de iniciativa do legislativo, sancionada pelo executivo e questionada no judiciário. 

O Congresso Nacional elaborou e o Presidente da República sancionou lei fixando piso salarial aos profissionais de enfermagem (enfermeiros, técnicos, auxiliares, parteira). Entidade da área da saúde arguiu perante o Supremo Tribunal Federal (STF) a inconstitucionalidade dessa lei. “Ad cautelam”, o relator da arguição suspendeu liminarmente os efeitos da lei até que o tribunal, na sua composição regimental, conheça e julgue em definitivo o caso. 

Entre outros argumentos, alega-se que (i) a iniciativa dessa lei especial cabia ao presidente da república e não ao legislador (ii) faltou especificar as fontes de custeio diante do impacto financeiro dessa lei federal (iii) violou-se a autonomia dos estados e municípios e o modelo federativo de estado adotado pela Constituição da República. 

O que se questiona, portanto, não é o merecimento dos profissionais de enfermagem ao piso salarial e sim a violação de norma orçamentária para a sua concessão. A modalidade de remuneração básica por serviços prestados foi instituída no século XX como (i) valorização do trabalho assalariado (ii) proteção do empregado contra a exploração do empregador (iii) garantia de padrão de vida digna da pessoa e da família do trabalhador. Para o setor privado, a lei estabelece: (i) salário-mínimo geral para todos os trabalhadores (ii) salário-mínimo especial para determinada categoria de trabalhadores (piso salarial). No setor público, o tratamento jurídico da remuneração básica é específico tendo em vista que os recursos financeiros saem do erário. 

Como estamos em ano eleitoral, a questão jurídica assumiu contornos políticos partidários ao sabor do oportunismo e dos interesses dos candidatos ao Senado, à Câmara dos Deputados e à Presidência da República. Todos apresentam-se como defensores da remuneração dos profissionais de enfermagem, exibem solidariedade à classe, tudo visando a conquista do voto desse eleitorado. 

Ao STF coube as antipatias quando, na verdade, esse tribunal foi provocado para, no devido processo legal, exercer a sua função precípua: dizer se a lei está ou não está em harmonia com a Constituição. O tribunal somente agiu depois que alguém pediu que agisse. O relator despachou a petição, como era do seu dever, com a devida cautela, de modo a evitar lesão de difícil reparação aos cofres públicos decorrente da aplicação de lei provavelmente inconstitucional por contornar normas orçamentárias. O relator, na sua decisão monocrática, não retirou a vigência da lei, mas tão só e provisoriamente a sua eficácia. A lei permanece na ordem jurídica. O plenário do tribunal decidirá se retira ou não retira o vigor da lei impugnada.  

Na administração pública de qualquer dos poderes do estado, o equilíbrio entre receita e despesa é fundamental. A obediência aos princípios da legalidade, impessoalidade e moralidade é obrigatória e inafastável. Nenhuma despesa deve ser autorizada sem a correspondente previsão da receita. No que tange à remuneração do funcionário público, qualquer aumento só pode ser concedido se houver prévia dotação orçamentária. [CR 37 + 165: §8º + 169: §1º, I]. 


terça-feira, 6 de setembro de 2022

ATENTADO REAL OU FICTÍCIO?

No dia 1º de Setembro de 2022, a vice-presidente da Argentina, Cristina Kirchner, foi vítima de suposto atentado à sua vida em Buenos Ayres. Na rua, cercada por muitas pessoas, encostada em um automóvel, quando alguém aponta arma de fogo e dispara contra ela. Ouviu-se o som do gatilho na gravação, mas a bala não saiu. Segundo informes policiais, a câmara da pistola estava vazia; as balas estavam retidas no pente. Pelas imagens mostradas na televisão, o pistoleiro parecia amador. Braço excessivamente exposto e esticado por cima de outras pessoas. A pistola normalmente de metal fosco, brilhava. Podia ser de brinquedo e outra a arma periciada na polícia. A manipulação política não é descartável. Tive a impressão de que se aguardava o término da filmagem para os agentes de segurança prenderem o pistoleiro e apreenderem a arma. Imediatamente ele foi identificado e diagnosticado como débil mental. Isto lembra o suposto atentado sem morte sofrido em 2018 pelo então candidato brasileiro à presidência da república.
Segundo foi apurado pela polícia, o jovem agressor nasceu no Brasil, filho de pai chileno e mãe argentina. O seu nome coincide com o nome artístico de uma deusa do cinema dos anos 50/60, Sara Montiel (Sarita para os castelhanos) bela e excelente atriz e cantora espanhola. 
Ante a relevância política do episódio, os trâmites do inquérito estão sob sigilo por ordem judicial. O moço, ao que parece, não agiu sozinho. A sua namorada também foi presa. Suspeita-se de conspiração  de cunho nazista. Oportuno lembrar: depois da segunda guerra mundial, Argentina, Brasil, Chile, Paraguai, Uruguai, foram os valhacoutos paradisíacos de nazistas alemães e fascistas italianos. Nesses países vivem os nazifascistas herdeiros daqueles imigrantes. Amigos da autocracia, inimigos da democracia, eles são numerosos e cada vez mais ativos, ousados e violentos. Essa constatação coloca de prontidão e constante vigilância os adeptos do pensamento e da ação socialistas na América do Sul. 
Se a verdade dos fatos não vier com o inquério policial e com o processo judicial, certamente virá com o tempo e com história.              

sexta-feira, 2 de setembro de 2022

FUTEBOL

Copa do Mundo de Futebol Masculino. Qatar. Novembro/2022. Aproximam-se os jogos. No meio futebolístico, crescem expectativas, esperanças e especulações. Elaboram-se prognósticos. Citam-se seleções favoritas. 
Seleção brasileira. No que concerne à seleção brasileira, a convocação de jogadores não terá surpresas impactantes. Convocar jogadores para formar a seleção que disputará qualquer torneio é tarefa do treinador. A imprensa esportiva, patrocinadores (dinheiro), confederação, comissões técnicas, torcedores, fazem pressão e manifestam suas preferências, mas, a decisão final cabe ao treinador.
Certamente, qualquer jogador de excelente nível técnico que estiver fisicamente em forma e com estabilidade nos bons desempenhos em seus respectivos clubes, será convocado pelo técnico da seleção brasileira. Não custa lembrar: há jogadores com vagas cativas na seleção. Falta preencher as vagas restantes. Jogadores de clubes brasileiros, poucos serão os convocados. Provavelmente serão retirados das grandes equipes do momento: Flamengo, Fluminense,  Palmeiras, São Paulo, Corinthians, Atlético Mineiro.
Futebol brasileiro. No jogo Flamengo 4 x 0 Vélez, pela Copa Libertadores da América, Pedro marcou 3 gols. Foi o que bastou para a imprensa esportiva colocá-lo na seleção brasileira. Pedro é bom artilheiro, sem dúvida alguma; ótimo, se a defesa adversária for fraca. No que tange aos demais fundamentos da arte de jogar futebol, Pedro deixa a desejar. Drible por baixo (finta) ou por cima (lençol), desarme, passe, armação, visão de jogo, não têm sido a praia desse jogador.   
Gabriel (Gabigol) é bom na artilharia e nos demais fundamentos da arte de jogar futebol. Às vezes, perde chance de finalizar e marcar gol. Rápido raciocínio lúdico. Parece ter encontrado a função que lhe dá maior contentamento: armar o ataque e prestar assistência aos finalizadores. Passa a impressão de que tirou do seu ombro o peso da obrigação que lhe foi imposta pelas comissões técnicas, imprensa esportiva e torcedores, de fazer gols a todo o momento e em todas as partidas. Atualmente, ele parece mais leve e ágil em campo (infelizmente para o meu tricolor carioca). 
Os demais jogadores do Flamengo são de bom nível técnico e alguns têm excelentes desempenhos durante as partidas. Para qualquer jogador é muito difícil manter o nivel de excelência por muito tempo e igual desempenho em todos os jogos. O uruguaio Arrascaeta, por exemplo, excelente jogador, parece ter chegado ao limite da sua capacidade de bem jogar.
O fato é que os campeonatos brasileiros em andamento exibem ótimo futebol retomando o prestígio de outrora no cenário internacional. Entretanto, isto não garante a conquista da copa do mundo, pois, ainda não recuperamos o nível de 1970 (em que pesem as excelências de 1982 e 1994). De 1970 para cá, as seleções europeias progrediram e deixaram de ser nossas freguesas. 

segunda-feira, 29 de agosto de 2022

ELEIÇÕES 2022 - XII

No debate de ontem (28/08/2022, às 21,00 horas) no canal 13, da TV Bandeirantes, houve unanimidade entre os seis debatedores: Felipe, Simone, Soraia, Ciro, Jair e Lula. Todos eles preocupados em agradar o eleitorado e conquistar votos, mostraram-se a favor do agronegócio, da proteção ao meio ambiente, do combate à fome, do amparo aos pobres, dos direitos da mulher e do trabalhador, do desenvolvimento social e econômico. Todos eles se posicionaram contra a corrupção, a inflação, a discriminação racial, a desigualdade da mulher inclusive quanto à representação na política. A divergência cingiu-se a alguns tópicos das propostas, aos quantitativos e aos métodos.
Políticos tradicionais. Alguns candidatos apresentam-se como distintos dos políticos tradicionais. No entanto, todos são farinha do mesmo saco.  “Político tradicional” tem conotação pejorativa: sujeito desonesto, mentiroso, hipócrita, enganador, sem espírito público, defensor de interesses particulares (seus e do seu grupo). Numa notação semântica, entende-se por político tradicional quem (i) dedica-se à vida pública em cargos eletivos como função profissional (ii) mantém o discurso na superfície (iii) ceva o eleitorado de modo permanente (iv) tem interesses, olhos e costumes eleitoreiros. 
Espertezas. Muita conversa e enrolação. Os candidatos não se deixam enganar com perguntas capciosas. Respondem como lhes convém. Fazem promessas inexequíveis. Projetos mirabolantes. Alguns exibem nível intelectual e cultural acima da média; abusam dos sofismas. Na argumentação e na credibilidade ficam abaixo de Lula que tem a seu favor o êxito incomparável do seu governo (2003-2010). As candidatas e os candidatos com formação universitária são bons no discurso. O candidato sem tal formação é carismático, excelente na ação política e administrativa e tem o afeto da massa popular. As candidatas e os candidatos intelectuais pensam e falam. O operário pensa, fala e faz. Os adversários apelam para as ofensas. O estadista permanece firme e incólume. 
Sobre promessas fáceis. Felipe, Simone, Soraia, Ciro, nos respectivos discursos, exibiram apoio à privatização, aos ruralistas e outros empresários, inclusive golpistas. Falaram sobre educação e ensino profissionalizante (que muito interessa aos donos do capital). Lula não só falou como também mostrou as realizações do seu governo na área da educação primária, secundária e universitária. Simone e Soraia defenderam a paridade de mulheres e homens, quer no Legislativo, quer no Executivo. Lula recusou-se a assumir tal compromisso e a fazer promessas fáceis, prometer o que não poderia cumprir, porque a escolha do auxiliar do presidente (ministro) não se faz pelo sexo, pela roupa ou pela farda e sim pela inteligência, pelo preparo moral e profissional e pela visão do mundo. 
Sobre corrupção. Houve troca de farpas e invasão do terreno pessoal. Atacaram Lula e o Partido dos Trabalhadores (PT) como se não houvessem: (i) outros partidos apoiadores do seu governo (ii) governos anteriores e posteriores onde ocorreram desvios éticos. No período posterior à ditadura militar, o governo Cardoso (PSDB) conquistou a taça do mais corrupto. Disputam (i) a medalha de prata, os governos Sarney e Bolsonaro (ii) a medalha de bronze, os governos Temer e Lula. O candidato que promete acabar com a corrupção ganha o troféu Pinochio. A corrupção física é lei do mundo da natureza. A corrupção moral é lei do mundo da cultura. Onde estiver a pessoa humana ali estará a corrupção moral em potência. As mudanças dos valores morais e da respectiva hierarquização na sociedade humana acontecem no curso da história dos povos. A corrupção moral mais grave refere-se aos valores protegidos pelo direito e violados pelas pessoas naturais. O crime é corrupção moral em grau máximo. Algumas pessoas sucumbem à tentação, aos impulsos, instintos, desejos, violam os limites estabelecidos na regra moral e na regra jurídica vigentes na sociedade e no estado. 
Na terra brasileira, tempos colonial, imperial e republicano, até os dias de hoje, a corrupção moral tem sido a companheira inseparável de todos os governos. Culpar este ou aquele partido por corrupção em tal ou qual governo constitui leviandade do acusador. O ato culposo é da pessoa natural e não da pessoa jurídica. Nem todo prefeito, governador ou presidente é culpado pela corrupção que acontece no seu governo. Ele será culpado se provada a sua participação direta ou indireta no ato delituoso. Não se há de responsabilizar o chefe de governo por atos de outros agentes políticos ou administrativos como se ele fosse chefe de família responsável pelos atos dos filhos menores de idade.   
Sobre o agronegócio. A ressalva de Lula foi para com os empresários ruralistas que não respeitam o meio ambiente e nem as terras indígenas. Ele mencionou a operação curitibana lava-jato que, além de perseguir os empresários acusados de práticas criminosas, também destruiu as empresas, ou seja, além de punir a pessoa física, puniu também a pessoa jurídica, trazendo enorme prejuízo à economia do país. Destarte, não é o agronegócio que deve ser punido ou extinto e sim o ruralista delinquente.

sexta-feira, 26 de agosto de 2022

ELEIÇÕES 2022 - XI

Na entrevista de ontem (25/08/2022, às 20,30 horas) no jornal da emissora Globo de televisão, com Luiz Inácio Lula da Silva, candidato à presidência da república nas eleições marcadas para outubro/2022, parecia que, em certos momentos, os entrevistadores se davam conta de que estavam diante de um estadista de prestígio internacional. Faço esse registro ante a posição histórica dessa emissora e dos seus jornalistas de ferrenho combate a esse político e ao seu partido. Essa empresa e seus jornalistas apoiaram a farsa da operação lava-jato que levou o petista à prisão ilegítima e infame. 
A emissora e seus jornalistas trataram indevida e maliciosamente a entrevista como “sabatina”. Isto coloca o sabatinado em posição subalterna diante dos examinadores. O entrevistado comparece à sabatina como o aluno da escola diante da professora. De costas para o futuro e o presente, os entrevistadores olhavam de frente para o remoto passado, vendo o entrevistado como pobre e simples operário, sem diploma universitário, brasileiro de segunda categoria diante da elite social e econômica. Os entrevistadores com pretensa autoridade de professores e examinadores, revelaram-se politicamente tendenciosos, intelectualmente desonestos e moralmente deficientes. Exibiram deficiências comuns a certo tipo de jornalista: inteligência e cultura medianas, mau caráter e falta de profissionalismo. Muita pose e pouca substância. Sem pensamento próprio, eles dependem da cola estampada na tela do laptop ou passada pelo ponto de escuta.
O entrevistado mostrou-se nervoso como menino de calças curtas ao prestar exame final diante da professora. Certamente, ele aguardava feroz ataque dos entrevistadores, como de costume. O “sabatinado” cuidou muito bem do mérito do questionamento. A lhe dar respaldo, tinha o seu excelente governo (2003-2010) que o elevou à categoria de estadista e de melhor chefe de governo da história republicana do Brasil, com aprovação de 87% do povo. 
Entretanto, na entrevista, faltou-lhe habilidade ou vontade para criticar as premissas de algumas das perguntas que lhe foram endereçadas. Nesse tipo de crítica preliminar, Leonel Brizola era mestre. Ciro Gomes também mostra-se hábil e ágil na argumentação. Antes de entrar no mérito, Brizola criticava, e Ciro ainda critica, a formulação da pergunta. Depois, na parte nuclear da pergunta, Brizola dava a resposta que melhor lhe convinha, sem se importar com a opinião do entrevistador. Katia Abreu também assim procedeu certa ocasião ao responder pergunta formulada por Míriam Leitão.
Na entrevista de ontem, os entrevistadores mencionavam o Partido dos Trabalhadores (PT), sem mencionar os demais partidos aliados. Luiz Inacio não foi eleito em 2002, não governou e nem governará com o apoio de um único partido. Em 2023 ele governará com 7 partidos, ou, até mais se houver adesão. No entanto, os entrevistadores insistiam em bater só no PT, tal como fazem os demais adversários. Colocaram esse partido nos casos de corrupção sem a direta e enérgica impugnação do entrevistado. Este se limitou ao óbvio ululante: (i) a confissão dos corruptos (ii) a partilha do produto do roubo (iii) a tentativa dos procuradores de participar da partilha.
A responsabilidade pela corrupção é do indivíduo que a pratica e não da instituição a que pertence. Se o diretor da instituição sabe do fato ilícito e nada providencia a fim de apurar resposabilidades, então será cúmplice. Exemplo concreto: Petrobrás. Constatada corrupção, fulano e beltrano foram responsabilizados e não a empresa (que é vítima), nem o partido político a que pertencem os corruptos, menos ainda o presidente da república (salvo se provada a sua participação efetiva como mandante). Exemplo hipotético: Globo. Suponhamos que Bonner desvie dinheiro da emissora. O autor do delito que ficará sujeito a processo criminal será Bonner e não a Globo (que é a vítima) nem o partido social democrático (PSDB) a que ele supostamente pertence.
No governo Cardoso (1995-2002) o responsável pela corrupção era quem a praticou; tanto podia ser Fernando Henrique, Aécio Neves, ou qualquer outro tucano ou funcionário, menos o partido a que pertenciam. Ademais, o corrupto pode não pertencer a partido algum. Na administração pública direta e indireta funcionam pessoas de ambos os sexos e de diferentes cores ideológicas, filiadas e não filiadas a partido político, honestas e desonestas, dedicadas ao trabalho e preguiçosas. Há diversidade na pluralidade. O fato de a corrupção acontecer durante determinado governo não significa necessariamente que o governante (prefeito, governador, presidente) seja corrupto. A corrupção é falha na estrutura moral da pessoa e acontece em todos os governos, desde a independência do Brasil até a época atual. Ocorre nas esferas municipal, estadual e federal. Poucas vezes, a corrupção é descoberta e os responsáveis punidos. 
Divergir da filosofia política e do programa de um partido político faz parte do sistema democrático. Natural que a divergência proceda dos cidadãos e dos partidos de direita, principalmente da extrema direita, quando o partido criticado é de esquerda. Nazistas e fascistas não suportam cidadãos e partidos socialistas e comunistas. Contra os adeptos do socialismo, os nazifascistas usam até violência física. 

quinta-feira, 25 de agosto de 2022

ELEIÇÕES 2022 - X

Considerados os 57 milhões de votos recebidos em 2018 pelo nazifascista, estima-se que, desse total, pelo menos, 28 milhões e 500 mil tenham sido os votos dos “evangélicos” e que os 28 milhões e 500 mil restantes tenham sido os votos dos nazifascistas somados aos votos da direita moderada. Dos 90 milhões de eleitores que não votaram no nazifascista em 2018, 47 milhões são da esquerda e 43 milhões são daqueles que votaram em branco (direita moderada e antipetistas da esquerda). 
Nas eleições presidenciais de outubro/2022, os números da eleição de 2018 não se repetirão. O corpo eleitoral aumentou de tamanho: de 147 milhões passou para 156 milhões de eleitores. A esquerda aliada à direita moderada terá mais votos e vencerá a extrema direita por larga margem. O estrago feito pelo atual governo na ordem econômica e na ordem social pesará muito em desfavor do candidato nazifascista. 
A reação da sociedade civil neste ano contra o nazismo e o fascismo foi extraordinária. Os manifestos de agosto/2022 contra a restauração da ditadura e a favor do estado democrático de direito foram o ápice da resistência. A eles foi acrescentada a especial solenidade de posse do presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), com a presença do atual presidente da república, de 4 ex-presidentes, do presidente do Congresso Nacional, do presidente da Câmara dos Deputados, de embaixadores, de juristas e de representantes da sociedade civil. O discurso de posse do novo presidente do TSE foi direto e incisivo na defesa do estado democrático de direito, do processo eleitoral brasileiro e das urnas eletrônicas. Houve repercussão nacional e internacional.
Esse movimento social e político da maioria da nação brasileira bate de frente contra os propósitos autocráticos do presidente da república e dos seus asseclas. 
Sobre as lutas internas na magistratura das quais eu participei, José Aloysio, juiz de direito da Guanabara, meu colega de concurso e de toga (1973), dizia-me, do alto da sua mineirice: “Lima, você bate de frente; você obterá melhor resultado se for com calma e mais leve”. Esse criticado modo de lutar tinha raiz na arte marcial por mim praticada em academias (karatê: 1969-2003). Ficava difícil não bater de frente. Na política partidária, entretanto, o mais aconselhável é a arte suave do jiu-ji-tsu; o menos aconselhável é a arte traumática do karatê. Todavia, nas ocasiões de crise como a que atravessa o povo brasileiro, bater de frente contra a ditadura e seus adeptos afigura-se necessário, oportuno e conveniente, com bons e imediatos resultados, sem prejuízo da civilidade e do devido processo jurídico. 
Luiz Inácio Lula da Silva manteve na vida política partidária o modo traumático de lutar dos tempos de sindicalista. Venceu eleição para o Legislativo, porém, sofreu seguidas derrotas para o Executivo. Então, mudou de postura. A partir de 2002, evitou bater de frente contra os adversários e tudo o que o desgostava na política. Adotou a arte suave no ritmo “paz e amor”, comendo pelas beiradas, na feliz imagem do mingau criada por Brizola. Exemplo recente, foi a resposta de tranquila indiferença dada por ele às ofensas e às fanfarronices do Ciro Gomes. Não se há de perder tempo e gastar energia batendo em cachorro morto e tampouco se amedrontar com latidos exangues. 
Há ocasiões e situações em que o discurso retido no cérebro funciona mais do que o manifestado oralmente ou por escrito. Na juventude curitibana, no meu círculo de amizades, concordávamos que o homem que se gaba de comer fulana e beltrana era fanfarrão, machista, mau caráter. Quem não alardeava as suas relações sexuais e nem revelava o nome das parceiras era considerado discreto, bem educado, bom caráter. Há tempo de falar e tempo de calar. O silêncio também tem o seu significado e o seu momento próprio e oportuno.