quarta-feira, 11 de julho de 2018

FUTEBOL 7

Na primeira das duas partidas semifinais da copa do mundo de futebol masculino (10/07/2018) França derrotou a Bélgica (1 x 0). As duas equipes defendiam e atacavam em bloco. No segundo tempo, após cobrança de escanteio, o zagueiro Umtiti cabeceia e acerta o gol. Depois, a equipe francesa privilegiou a defesa e o contra-ataque enquanto a belga intensificou as jogadas ofensivas. Individualmente, ninguém se destacou. A nota antidesportiva foi dada por Mbappe. Para ganhar tempo e irritar o adversário esse francês reteve a bola indevidamente e caiu maliciosamente algumas vezes. Nesse passo, segue o mau exemplo de Neymar. Na segunda partida (11/07/2018), Croácia derrotou a Inglaterra (2 x 1). Houve empate no tempo regulamentar. Logo no início da partida, saiu o gol inglês de excelente cobrança de falta semelhante à realizada por C. Ronaldo no jogo contra a seleção espanhola. Os croatas fizeram os seus gols no segundo tempo e na prorrogação. Muito esforço e ardor dos jogadores, todos empenhados em vencer para disputar o primeiro lugar. Individualmente, os croatas foram superiores aos ingleses, inclusive no toque de bola feito com calma e nos dribles. Os ingleses exibiram melhor preparo físico, eram mais velozes, ficaram nervosos na prorrogação e zangados quando os croatas “faziam cera”. Enquanto venciam, os ingleses também imprimiram marcha lenta na partida. As duas equipes mostraram-se fracas nas finalizações.
Para as partidas finais estão classificadas as seleções: (I) da França e da Croácia, que disputarão o primeiro e o segundo lugares; (II) da Bélgica e da Inglaterra que disputarão o terceiro lugar.  
Os prognósticos deste blog foram confirmados conforme os seguintes trechos de artigos publicados.   
15/05/2012. Minguou a genialidade no futebol na primeira década deste século XXI. Até o momento, não se vê sucessores de Romário, Ronaldo Gaúcho e Zidane, últimos gênios do futebol. Cristiano Ronaldo e Lionel Messi eram promessas; aquele malabarista, este marreteiro (...) mostraram limitações e tiveram atuações apagadas (...) revelaram desempenho muito longe da genialidade.
Comentário. O mesmo ocorreu nas copas de 2014 e 2018. Em todas as copas, seleções de alto nível foram exceção. A regra tem sido a mediocridade, como se viu nesta de 2018.   
03/06/2018. Oba-oba. Na Granja Comary, apareceram (...) Zagallo (...) e Parreira (...) Imprensa e televisão zoando. (...) Leitura dos sinais: (...) a seleção atual vai dançar nessa copa.
Comentário. Oba-oba prosseguiu na Rússia com mães, irmãos, esposas, namoradas, filhos, parentes, amigos, no hotel da seleção, nas proximidades, no local da concentração, nos treinos. Reincidiu-se na festa da copa de 2006. Os jogadores, a parentela, a turma de amigos e serviçais, nutriam a certeza de que a seleção brasileira era imbatível nesta copa. Dançou.
Nos jogos classificatórios, a seleção brasileira teve excelente desempenho (...) Todavia, nos jogos da copa do mundo prestes a iniciar, as outras seleções exibirão o seu melhor futebol, com os jogadores dando o máximo das suas energias, esforçando-se para superar a si mesmos e aos adversários (...) A seleção brasileira poderá empacar nas quartas-de-final (...) Poderá haver surpresas.
Comentário. Prognóstico confirmado. Realmente, não só houve surpresas como também a seleção brasileira empacou nas quartas-de-final.
08/06/2018. O Centro Internacional acima citado (...) concluiu que em 2018: (i) a seleção espanhola será campeã (ii) a brasileira vice-campeã (iii) a francesa ficará em terceiro lugar e a alemã em quarto. (...) O resultado das competições esportivas surpreende em função do imponderável (...)
Comentário. Falhou a previsão do órgão da FIFA. A seleção francesa se classificou para a partida final e as outros seleções citadas foram eliminadas mais cedo. Prevaleceu a opinião do blog.    
19/06/2018. Os russos mostraram que estão dispostos a ganhar a taça.
Comentário. Contra o menosprezo da crônica esportiva, eles chegaram às quartas-de-final.
Os croatas estão dispostos a vencer a copa.
Comentário. Diagnóstico acertado. Sem estrelismo e badalação, com simplicidade e determinação, os croatas chegaram à partida final e talvez conquistem a taça.       
Os jogadores brasileiros ficaram um pouco abalados. Nas próximas partidas talvez voltem mais preparados, sem excesso de confiança.
Comentário. O previsto não aconteceu.  
24/06/2018. Algumas seleções estacionaram ou entraram na rampa descendente, enquanto outras ainda têm espaço para crescer durante o torneio (...) A bravata do treinador é prévia defesa sua e do seu pupilo para eventual fracasso da equipe.
Comentário. Possibilidade e eventualidade ocorridas. Em se tratando de seleção nacional e não de clube, o insucesso na copa recomenda a mudança de treinador. Além disto, no Brasil, há necessidade de reforma estrutural, conforme exposto no artigo anterior (07/07/2018).
28/06/2018.  (...) Argentina, Brasil, Espanha e Portugal, talvez empaquem na segunda fase do torneio (...) na hipótese do confronto de duas equipes com o mesmo potencial, o que será mais provável doravante, aquele que tiver os nervos sob controle terá maior chance de vencer.
Comentário.  Possibilidade e probabilidade confirmadas.
07/07/2018. Doravante até o final da copa, veremos menos dribles e atuações individuais marcantes. Prevalecerá o jogo coletivo no estilo europeu.
Comentário. Previsão confirmada. Aliás, a fraqueza na finalização foi geral nos jogos desta copa. A partida final será entre a seleção da França (Europa Ocidental) e a seleção da Croácia (Europa Oriental). Esporte de gente branca das camadas superiores da sociedade brasileira que pretendia se nivelar aos ingleses, o futebol se profissionalizou e abriu as portas à gente negra e mestiça. Mirada retrospectiva de 2018 a 1930, permite verificar esse fato. O futebol tornou-se instrumento de ascensão social e econômica. Raros foram os grandes jogadores de pele branca oriundos da camada média da população como Heleno, Sócrates, KK. Na Europa, o futebol foi e continua a ser esporte de gente branca. Todavia, nos clubes europeus há muitos jogadores negros e mestiços, geralmente importados. Nas partidas semifinais e finais desta copa (2018) a maioria dos jogadores é de pele branca. Na atual seleção da França, os melhores jogadores são franceses negros de raízes africanas. Na seleção da Croácia são todos brancos. Os europeus aprenderam bem a cabecear, usar o calcanhar, driblar, amortecer a bola com o peito e com os pés, aplicar chapéu, cobrar faltas, fazer jogadas de letra. Em suma, a partir das duas últimas décadas do século XX, os europeus desenvolveram habilidades individuais como bem o demonstram as duas finalistas desta copa.

sábado, 7 de julho de 2018

FUTEBOL 6


No primeiro jogo da fase das partidas quartas-de-final da copa do mundo de futebol masculino (Rússia, 06/07/2018) a França derrotou o Uruguai (2 x 0). A celeste sentiu falta do artilheiro Cavani que, em consequência de contusão, não entrou no jogo por recomendação médica. A seleção francesa portou-se melhor em campo e saiu vitoriosa marcando um gol no primeiro tempo, cabeceio de Varane e outro no segundo tempo, chute de Griezmann que contou com a colaboração do goleiro uruguaio. A seleção uruguaia reagiu com a garra costumeira até o último minuto da partida. Suarez, grande e oportunista artilheiro, sumiu no jogo, quer pelo poder defensivo da equipe francesa, quer pelo esquema tático uruguaio, quer pela ausência do seu companheiro e também grande artilheiro. No desespero nervoso de quem vê a certeza da vitória virar fumaça, os uruguaios apelaram para a violência e a briga. Interpretaram como deboche um passe de letra. Se os uruguaios controlassem os nervos poderiam empatar tendo em vista a sua indiscutível qualidade técnica. Na partida destacaram-se: Mbappé, Griezmann, Kanté e Pogba. Arbitragem razoável.
Bélgica derrotou o Brasil (2 x 1). Os gols da seleção belga saíram no primeiro tempo. Após cobrança de escanteio, a bola bateu no braço de Fernandinho e entrou no gol brasileiro. Depois, veloz contra-ataque, escapada de Lukaku do seu campo para o da seleção brasileira, assistência ao seu companheiro De Bruyne que chutou forte contra o canto direito do goleiro. No segundo tempo, o gol da seleção brasileira saiu da assistência de Coutinho e cabeceio de Renato. Os brasileiros não perderam a cabeça e nem a dignidade. Ficaram naturalmente apressados e nervosos porque necessitavam empatar, os ponteiros do relógio avançavam e eles não obtinham êxito nas finalizações. Cometeram erros que normalmente não cometeriam. Jogo emocionante com duas equipes de bom nível técnico. Tal como a brasileira, a seleção belga também cresceu durante o torneio e mereceu a vitória. Os jogadores e o treinador da seleção belga são de bom nível e exibiram técnica e tática eficientes, determinados a vencer a seleção brasileira e preparados especialmente para essa missão que os levará ao topo. Os belgas poderiam aumentar o placar no segundo tempo se não tivessem: (1) perdido o ímpeto ofensivo (2) errado passes importantes próximo à área brasileira (3) priorizado o sistema defensivo. Correram grave risco de levar o segundo gol diante da pressão dos brasileiros. Os melhores jogadores da seleção brasileira nessa partida foram: Thiago, Miranda, Marcelo e Douglas. Da seleção belga, os melhores foram: Courtois, Kompany, De Bruyne e Hasard. Arbitragem sofrível. Excelente transmissão do jogo pelo canal Fox. Narrador e comentaristas muito bem qualificados, funções divididas entre eles, intervenções oportunas e objetivas.  
Inglaterra derrotou a Suécia (2 x 0). Dois gols de cabeça, um no primeiro tempo (Maguire) e outro no segundo (Dele). Durante toda a partida, mesmo depois de estarem com vantagem no placar, os ingleses pressionaram os suecos. Depois de sofrerem o segundo gol, os suecos atacaram mais, porém sem resultado positivo. Os ingleses também estavam bem na defesa. O goleiro inglês espinafrou os seus companheiros em duas ocasiões, uma no primeiro e outra no segundo tempo, depois de perigosas ameaças dos suecos. Atitude comum a alguns goleiros, porém, censurável. Goleiro não está em campo para assistir ao jogo e sim para dele participar ativamente. A sua função é defender sem esperar que outros façam a sua tarefa. Quando os defensores deixam alguma brecha, basta orientá-los sem espalhafato. Falhas acontecem em todos os setores e todos os jogadores a elas estão sujeitos, indistintamente. A seleção inglesa se mostrou mais ofensiva, porém com pouco talento individual. Destacaram-se Pickford (goleiro) e Sterling (atacante). A sueca não teve destaques individuais. Arbitragem correta e de bom nível. Não houve reclamações acintosas, nem jogadores cercando o árbitro ou tentando enganá-lo com encenações. Disputa entre pessoas civilizadas.        
Croácia e Rússia empataram no tempo regulamentar (1 x 1). Surpreendente petardo do russo inaugurou o marcador da partida. Depois de boa trama do ataque, cabeceio do croata empatou a partida. Na prorrogação, dois gols de cabeça, um dos croatas e outro dos russos. Novo empate (2 x 2). Decisão mediante cobrança de pênaltis. Os croatas erraram menos e ficaram com a vitória. Em qualidade individual, os croatas superam os russos. No jogo coletivo, as equipes se equivalem. A estratégia do treinador russo não permitiu a supremacia da seleção croata. Jogo em alta velocidade. Esforço inaudito dos jogadores. Vigor físico de ambas as equipes. Entretanto, no final do jogo, os croatas pareciam mais cansados do que os russos. Esquemas bem estudados pelos treinadores, inclusive no que tange às substituições. Boa arbitragem, reclamações respeitosas, sem jogadores cercando o árbitro ou tentando enganá-lo com encenações. Quem imaginava grosseiros os jogadores da Europa Oriental equivocou-se. Virilidade sim, grosseria não. Excelente transmissão do jogo pelo canal Fox2. Narradora e comentaristas bem qualificados.
Classificaram-se para as partidas semifinais Bélgica, Croácia, França e Inglaterra. Foram eliminadas as seleções do Brasil, Rússia, Suécia e Uruguai. Doravante até o final da copa, veremos menos dribles e atuações individuais marcantes. Prevalecerá o jogo coletivo no estilo europeu.
No que tange à seleção brasileira, nenhum jogador deve ser crucificado pela derrota. Todos cumpriram as determinações do treinador. Todos se esforçaram e colocaram em prática o seu talento, a sua técnica e o seu amor à camisa da seleção. Nenhum esteve abaixo do seu potencial. Afirmar o contrário é balela de perdedor. Todos jogaram dentro dos limites técnicos, físicos, mentais. Nada tinham a exibir além disto. Nos clubes eles parecem superiores porque não enfrentam seleções dos melhores jogadores de cada país. Na próxima copa (2022), nenhum deles estará melhor do que hoje. Outros iguais ou superiores estarão prontos para jogar na seleção futuramente.   
Mais do que funcional, o problema da seleção brasileira é estrutural. A escolha dos jogadores não pode ser confiada a uma só pessoa e sim a um órgão colegiado de composição diversificada. O processo de seleção não deve depender das preferências do treinador, da sua simpatia por este ou aquele jogador. Paparicar um moleque pode ser altamente prejudicial não só à imagem da seleção nacional como também ao desempenho do grupo. A ausência de um jogador com esse perfil será mais benéfica. Ao pupilo do atual treinador, incensado pela crônica esportiva e por emissoras de TV, aplica-se o que foi dito aqui em artigo anterior sobre Messi e C. Ronaldo: bons jogadores, mas longe da genialidade. Os melhores jogadores do mundo atuam na copa mundial. As copas de 2010, 2014 e 2018 evidenciaram esse fato. Quem assistiu aos jogos desta copa testemunhou a existência e a atuação de jogadores técnica e disciplinarmente superiores ao trio Messi, C. Ronaldo, Neymar.      
De acordo com recente prognóstico deste blog (28/06/2018), a seleção brasileira seria eliminada nas oitavas. Chegou às quartas, o que é de se louvar. Segundo prognóstico anterior (25/05/2014), a seleção brasileira levará cerca de 12 anos para conquistar o hexacampeonato mundial, ainda assim, se até lá mudar a mentalidade argentária e as práticas mercadológicas que nela interferem. Reduzir o poder do dinheiro na escolha e na escalação dos jogadores é de suma importância. Esse prognóstico já se confirmou em 2014 e 2018. Aguardemos 2022 e 2026.
Sugestão contida naquele artigo: O futebol integra a cultura do Brasil ao ponto de identidade nacional. Por representar o país de modo tão significativo, a seleção brasileira não deve mais ficar na esfera privada, pois inegável e insofismável o interesse nacional na sua organização. O Congresso Nacional deve emendar a Constituição e sob um novo artigo (217-A) criar órgão executivo autônomo composto de representantes da câmara dos deputados, do ministério dos esportes, da confederação de futebol, dos árbitros e da imprensa esportiva, todos em igual número, com a precípua e exclusiva competência para organizar a seleção brasileira, escolher jogadores, treinador e membros da comissão técnica, sempre que o Brasil participar de competições internacionais. O novo órgão propiciará benéfico distanciamento dos interesses econômicos privados. A seleção ficará livre das pirraças dos dirigentes e dos técnicos da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) em relação a certos jogadores injustamente preteridos, como aconteceu no passado (Romário, Djalminha) e acontece no presente (Ronaldinho, Fabiano, Lucas). Circunstância agravante: alguns selecionados não estão dentro do seu melhor padrão (caso de Fred e Jô).       

terça-feira, 3 de julho de 2018

FUTEBOL 5

Na primeira partida das eliminatórias (30/06/2018), a França venceu a Argentina (4 x 3). No primeiro tempo, os argentinos sofreram um gol de pênalti cobrado por Griezmann. Depois, empataram com um gol de Mercado (na área adversária, ele desviou a bola chutada por Messi) e passaram à frente com o gol marcado por Di Maria de fora da área. No segundo tempo, Parvard empatou para os franceses. Dos pés de Mbappé saíram mais dois gols. Nos momentos finais, Arguero marcou o terceiro gol da Argentina. O destaque da partida foi Mbappé. Estrela de Messi sem o brilho que exibia no Barcelona. Goleador, mas sem dominar os fundamentos do esporte, Messi foi colocado indevida e prematuramente no panteão dos gênios do futebol. Uruguai venceu Portugal (2 x 1). O primeiro gol resultou do magistral passe de uma lateral a outra do campo, de Cavani para Suarez que, por sua vez, cruzou para a área adversária onde Cavani chegou e cabeceou. O segundo resultou de um chute de Cavani colocado no lado esquerdo do goleiro. O gol português resultou de um cabeceio do luso-brasileiro Pepe. C. Ronaldo se sobressai ao jogar pelo Real Madri. Tal como Messi, o lusitano também é alvo de exagerada avaliação. Goleador, sim; craque genial, não. Arbitragem razoável. O árbitro de campo desprezou o de vídeo em lances que a consulta era recomendável. Rússia e Espanha empataram (1 x 1). Os dois gols foram marcados pelos russos no primeiro tempo, um contra e outro a favor, este último, de pênalti bem assinalado pelo árbitro. Dentro da área espanhola, a bola bateu na mão do defensor que saltara com os braços erguidos acima da cabeça. Fato semelhante aconteceu na copa de 2014 com o brasileiro Thiago Silva que também saltou desse modo e cometeu pênalti. Os espanhóis abusaram dos passes, deixaram de municiar o centroavante e enfraqueceram o sistema ofensivo. Os russos fecharam-se na defesa. As equipes finalizaram pouco e mal. Houve prorrogação sem gols. Depois, cobrança de pênaltis. O russos acertaram todas as cobranças. Os espanhóis desperdiçaram duas defendidas pelo goleiro russo. Arbitragem satisfatória. O árbitro de campo recebeu apoio do árbitro de vídeo. Croácia e Dinamarca empataram (1 x 1). Tensão normal aos jogos eliminatórios, cuidados maiores na defesa, finalizações poucas e sem êxito. Os dois gols foram marcados no início da partida. As equipes imprimiram velocidade na disputa. No segundo tempo, o ritmo diminuiu, muitos passes e poucos dribles. Na prorrogação os croatas desperdiçaram um pênalti. Jogadores extenuados. Decisão por cobrança de pênaltis. Vitória da Croácia cujos cobradores erraram menos. Os goleiros brilharam.
Brasil venceu o México (2 x 0). As equipes exibiram futebol primoroso. Atacavam e defendiam com afinco. Do oportunismo de Neymar e de Firmino, saíram dois gols no lado esquerdo do goleiro mexicano. Destaque para F. Luís, Thiago, Fagner, William, sem desdouro aos demais jogadores. Nas entrevistas à imprensa, o treinador mexicano disse verdades percebidas também pelo público internacional. Futebol masculino não é para homem desfibrado. Neymar retrata um tipo de brasileiro responsável pela má fama da nação no exterior. A esperteza enganosa que caracteriza esse tipo de brasileiro é o elemento anímico da corrupção tanto no meio esportivo como no político (congresso nacional, presidência da república, tribunais). Essa mania de embromar e fingir é uma indecência que não se coaduna com o espírito esportivo. O jogador mexicano pisou no pé do brasileiro, talvez de leve e sem intenção de machucar, até por faltar espaço, quando tentava apanhar a bola que o brasileiro, fora de campo, prendia entre as pernas a fim de ganhar tempo. A cena do brasileiro era de quem necessitava de uma ambulância e de ser internado na UTI. Depois de esfriar a partida, ele se levantou e voltou a jogar normalmente. Essa atitude indecente e antidesportiva é rara nos jogadores europeus, africanos e asiáticos, como se viu nesta copa e nas anteriores. Já houve jogadores geniais que nunca se prestaram a protagonizar essas palhaçadas.
Bélgica venceu o Japão (3 x 2). Logo no início do segundo tempo, os japoneses fizeram dois gols. Numa enfiada de bola do campo japonês ao campo belga, o veloz atacante nipônico se aproveitou da furada do defensor belga, conduziu a bola e, próximo à área, chutou cruzado fora do alcance do goleiro. Logo a seguir, eles fizeram bonita jogada na frente da área adversária e marcaram o segundo gol. O primeiro gol dos belgas foi espírita: a bola veio por alto na área, o belga cabeceou para prestar assistência aérea a um companheiro, mas a bola tomou o rumo do gol e encobriu o goleiro. No segundo, o cabeceio visava ao gol intencionalmente. O terceiro saiu no último minuto dos acréscimos ao tempo regulamentar. No minuto anterior, quase todos os japoneses estavam na área belga para tentar o gol da vitória numa cobrança de escanteio. O goleiro belga interceptou a bola no alto e rapidamente a rolou para o companheiro que desferiu um veloz e mortal contra-ataque. A defesa nipônica estava desguarnecida. O árbitro apitou o fim do jogo. Tristeza dos japoneses. Alegria dos belgas. Suécia venceu a Suíça (1 x 0). Muitos passes e cruzamentos, poucos dribles e finalizações. A seleção sueca perdeu duas excelentes oportunidades de gol. No segundo tempo, o artilheiro sueco marcou com um chute de fora da área. A bola desviou no defensor suíço e enganou o goleiro. A seleção suíça tentou empatar. O goleiro sueco defendeu um excelente cabeceio. Com ajuda do árbitro de vídeo, o de campo reconsiderou a decisão sobre o pênalti que assinalara contra a seleção suíça, anulou o cartão vermelho que aplicara ao jogador suíço substituindo-o pelo amarelo, marcou falta fora da área que, embora bem cobrada, não resultou em gol. Na Suécia, jogando contra a seleção sueca, o Brasil conquistou pela primeira vez a copa mundial. Lá se destacaram três gênios do futebol: Didi, o melhor jogador, Garrincha e Pelé, as duas grandes revelações (1958). Na oitava e última partida dessa fase (03/07/2018), a Inglaterra empatou com a Colômbia (1 x 1). Os gols saíram no segundo tempo, o inglês do pênalti cobrado por Kane e o colombiano do cabeceio de Mina depois da cobrança de escanteio nos últimos minutos dos acréscimos ao tempo regulamentar. Houve prorrogação e depois decisão mediante cobrança de pênaltis. A vitória coube à Inglaterra. Errou menos. Durante a partida, jogadores nervosos. Os ingleses pareciam mais controlados do que os colombianos. Correria, empurrões, agressões físicas, inúmeras e acintosas reclamações, inclusive contra a marcação pelo árbitro de uma escandalosa falta praticada dentro da área (pênalti) e que os colombianos teimavam em negar, tumultuando a partida. No terço final do segundo tempo, os ingleses começaram a ganhar tempo (“fazer cera”) para desespero dos adversários. Os colombianos fizeram o mesmo depois do seu gol, para desespero dos ingleses. Os colombianos também exibiram a antidesportiva característica dos jogadores sul-americanos: a apelativa e irritante embromação, as encenações para enganar o árbitro, o jeitinho indecente para tirar vantagem. Está na hora de a FIFA encontrar um meio de punir o jogador e/ou a equipe por esse tipo de conduta fraudulenta, essa esperteza de estelionatário que mancha eticamente a atividade esportiva.
Classificaram-se para disputar as partidas quartas-de-final: Bélgica, Brasil, Croácia, França, Inglaterra, Rússia, Suécia e Uruguai. Foram eliminadas: Argentina, Colômbia, Dinamarca, Espanha, Japão, México, Portugal e Suíça, Confirmaram-se quase todos os prognósticos deste blog: [1] que haveria surpresas nesta copa; [2] que as seleções da Argentina, Brasil, Espanha e Portugal talvez empacassem na segunda fase do torneio. Prognóstico não é adivinhação e sim prévio e provável conhecimento do que pode acontecer. Fundada na criteriosa observação dos fatos do passado e do presente, bem como em números e relações, a probabilidade que sustenta a previsão não significa certeza de que aquilo que foi previsto realmente acontecerá, mormente na areia movediça do esporte coletivo. Na previsão entram, em graus diferentes, a sensibilidade e a racionalidade do observador (intuição dos sentidos e desapaixonado cálculo do intelecto). 
O trabalho das mulheres no canal Fox tem sido bom. Nota-se o instinto maternal dessas mulheres quando elas tratam Neymar de “Menino Ney”. Menino é o filho e não ele, o pai marmanjo de caráter mal formado, enganador e vedete. A imagem de pai amoroso que está junto ao pequeno filho até nos treinamentos da seleção, transmitida ao mundo pelos canais de televisão, ajuda esse jogador a ser visto como pessoa de bom caráter e não como um moleque irresponsável. Engana a muitos, mas não a todos. O trabalho da ala masculina da Fox também é bom. Locutor de voz bem postada (N. Prieto), narração enfática sem euforia (salvo nos jogos da seleção brasileira). Difere do outro locutor (Téo José) o “Galvão Bueno” da Fox. Um porre. Se desligarmos o som do aparelho de televisão, deixaremos de ouvir a festiva sonoridade produzida pelo público maravilhoso que comparece aos estádios de futebol nas copas mundiais. Se mudarmos de canal, teremos de suportar a galvanice epidêmica cujo foco está na rede Globo de TV.   

quinta-feira, 28 de junho de 2018

FUTEBOL 4

As seleções vencedoras nesta terceira e última rodada da fase de grupos da copa mundial de futebol masculino foram: Arábia Saudita, Argentina, Bélgica, Brasil, Colômbia, Coreia do Sul, Croácia, Peru, Polônia, Suécia, Tunísia, Uruguai. As seleções que empataram foram: Costa Rica e Suíça, Dinamarca e França, Espanha e Marrocos, Irã e Portugal. As que perderam foram: Alemanha, Austrália, Egito, Inglaterra, Islândia, Japão, México, Nigéria, Panamá, Rússia, Senegal e Sérvia. Classificaram-se para as oitavas-de-final: Argentina, Bélgica, Brasil, Colômbia, Croácia, Dinamarca, Espanha, França, Inglaterra, Japão, México, Portugal, Rússia, Suécia, Suíça, Uruguai. Na rodada anterior houve 3 equipes vencedoras com 5 e 6 gols, 4 com 3 gols, 10 com 2 gols e 10 com 1 gol. Houve 3 empates pelo placar mínimo e 2 com mais gols. Nesta terceira rodada houve 2 equipes vencedoras com 3 gols, 7 com 2 gols, 3 com 1 gol, 2 empates com 2 gols e 2 empates com 1 gol. O futebol africano e asiático melhorou ou foi o futebol europeu e americano que decaiu?
Nesta última rodada aconteceu o primeiro empate sem gols da copa. França e Dinamarca se enfrentaram num jogo fraternal. Ambas já estavam classificadas para a fase seguinte do torneio (partidas oitavas-de-final), por isso mesmo, os treinadores pouparam os seus jogadores não lhes  exigindo maior esforço. Mbappé, craque francês, entrou no segundo tempo apenas para satisfazer o público. O craque dinamarquês Sisto estava arisco como o Isco, quiçá abençoado pelo Papa Sixto.
Equipes já classificadas para a próxima etapa, como as duas retro mencionadas, mostram desinteresse no placar e jogam apenas para cumprir tabela, sem esforço para marcar gols. A torcida reclama. Os jogadores reagem, mas sem muito empenho. Assim foi com os jogadores japoneses apoiados pelo treinador. No segundo tempo da partida com a Polônia, eles perdiam por diferença mínima (1 x 0), quando souberam que estavam classificados para as partidas oitavas-de-final pelo critério do fair-play (menor número de cartões amarelos). De nada adiantou a torcida reclamar. Japoneses e poloneses se pouparam e o espetáculo perdeu a graça. Assim também no jogo em que a Bélgica venceu a Inglaterra (1 x 0). As duas seleções já classificadas, os jogadores atuaram “para inglês ver”, embora o público não estivesse gostando do que via.
Entre as surpresas desta copa está a derrota da Alemanha para a Coreia do Sul (0 x 2). Tetracampeã mundial, a seleção alemã ficou fora do torneio. Envelheceu. Diferente do vinho, ao envelhecer não ficou melhor e sim decadente. A seleção alemã não escondeu o seu potencial nos jogos amistosos a título de camuflagem como foi possível pensar. Na verdade, ela não tinha mais nada o que mostrar.
As seleções com mais tradição no futebol internacional estão penando no confronto com as seleções menos tradicionais nesta copa. Alemanha, Polônia e Peru não passaram da primeira fase e as que passaram, como Argentina, Brasil, Espanha e Portugal, talvez empaquem na segunda fase do torneio que tem caráter eliminatório. Esse caráter é fonte de nervosismo para os jogadores e treinadores. Quem pretender mascarar esse nervosismo se dizendo tranquilo estará enganando a si próprio. Bom começo é admiti-lo e treinar para submetê-lo a controle, pois, na hipótese do confronto de duas equipes com o mesmo potencial, o que será mais provável doravante, aquele que tiver os nervos sob controle terá maior chance de vencer. Tomar remédios ou calmantes pode prejudicar a lucidez e a aptidão do atleta.    
O Brasil venceu a Sérvia (2 x 0). Jogo muito bom. No primeiro tempo, Paulinho marcou ao vencer os zagueiros e encobrir o bom goleiro sérvio. No segundo tempo, os sérvios reagiram e ameaçaram empatar, porém as finalizações não tiveram êxito. O sistema defensivo brasileiro portou-se bem e até os atacantes voltavam para ajudar (William + Gabriel + Coutinho). Thiago Silva marcou o segundo gol da partida ao cabecear bola alçada na área em cobrança de escanteio. Os sérvios acusaram o golpe, mas ainda tentaram o gol de honra. Não tiveram sucesso. A seleção brasileira classificou-se para a fase das partidas eliminatórias.
Ótima a comentarista de arbitragem da Fox 2, objetiva, precisa e clara nos seus pronunciamentos. Em todos os canais há comentaristas de jogo que se esforçam por sofisticar as suas análises e estendê-las ao máximo para satisfação pessoal. Alguns locutores também gostam de aquecer o espetáculo de maneira desproporcional ao que o vídeo mostra. Exageram na falação e no tom da voz. O jeito é tirar o som.

domingo, 24 de junho de 2018

FUTEBOL 3

A segunda rodada da fase de grupos das seleções na copa mundial de futebol teve início em 19/06/2018 e terminou neste domingo (24/06/2018). O público continua alegre e cria um ambiente de festa e confraternização nos estádios. Pontualidade no início dos jogos. Cronometragem rigorosa. Os acréscimos ao tempo regulamentar variavam de 1 a 3 minutos no final do primeiro tempo e de 3 a 6 minutos no final do segundo. Arbitragem satisfatória. Ação padronizada dos árbitros em campo. Pênaltis marcados e desmarcados com ajuda do árbitro de vídeo. O desempenho das seleções na fase preparatória mudou na fase definitiva. Algumas seleções estacionaram ou entraram na rampa descendente, enquanto outras ainda têm espaço para crescer durante o torneio. Passado o nervosismo da estreia, melhorou a performance das equipes, contudo, ainda houve muitos passes errados, oportunidades de gols perdidas, simulações, reclamações acintosas. Jogadores de porte atlético, fortes, preparados fisicamente, suportam o extenuante vigor das disputas, inclusive as desleais como: pisar no pé do adversário, chutar o tornozelo para derrubá-lo, usar mãos, braços e cotovelos para bater no rosto do adversário, empurrões, agarramentos pela camisa e pelo corpo. Na maioria das vezes, o choque não tem a gravidade encenada pelos jogadores. Poucos gols nos jogos indicam equilíbrio e também pobreza técnica. Em campo, jogadores de bom nível, mas nenhum craque genial. Mensagens na rede de computadores postadas por dois futebolistas denunciam subliminarmente o que é de conhecimento geral nos veículos de comunicação social: (1) o mecanismo do jabá, propina recebida pelo jornalista para escrever e/ou falar a favor de pessoa, de empresa ou de produto; (2) o jornalismo marrom, propina que o jornalista exige para não escrever ou não falar contra pessoa, empresa ou produto.
Rússia venceu o Egito (3 x 1). A seleção egípcia se conduziu bem. Mérito para os russos. Nos outros jogos, as vencedoras (placar mínimo) foram: Portugal, Espanha e Uruguai. As perdedoras foram: Marrocos, Irã e Arábia Saudita. Com exceção da russa, as demais seleções tiveram imensa dificuldade em finalizar com êxito as jogadas de ataque. O português C. Ronaldo mergulhou na área entre os defensores, cabeceou e vazou o gol marroquino. Depois disto, algumas pedaladas para agradar ao público. O espanhol Iniesta armou a jogada que resultou no gol espírita (para afastar da área, o iraniano chutou a bola que ricocheteou na perna de Diogo e entrou no gol). O uruguaio Suárez aproveitou-se da confusão na área saudita para marcar o seu gol.    
Alemanha venceu a Suécia (2 x 1). Dois pênaltis a favor da Suécia e um a favor da Alemanha não assinalados pelo árbitro de campo que também não consultou o árbitro de vídeo. Lerda, a seleção sueca deu preferência à tática defensiva e negligenciou o ataque. Novamente o mesmo filme: o time que se fecha na retranca para garantir o empate é castigado. No último minuto dos acréscimos ao tempo regulamentar a seleção alemã marcou o gol da vitória pelos pés de Kroos na cobrança de falta próxima à área. Bélgica venceu a Tunísia (5 x 2). Ritmo frenético no primeiro tempo. Dois jogadores tunisianos substituídos por contusão. Individual e coletivamente, a seleção belga exibiu ótimo futebol. Destaque para os belgas Hasard e Lukaku.
Brasil venceu a Costa Rica (2 x 0). Os atacantes brasileiros estão entre os melhores desta copa mundial. Os treinadores das outras equipes sabem disto e montam esquema defensivo. A tática deles é fortalecer o sistema defensivo, todavia, aqueles que negligenciam o sistema ofensivo correm o risco de levar gol. Isto já aconteceu inúmeras vezes, mas os treinadores não aprendem a lição. Agora, aconteceu de novo. A seleção da Costa Rica suportou a pressão e segurou o placar em branco até o final, mas nos acréscimos ao tempo regulamentar, sofreu o castigo: gols resultantes do oportunismo de Coutinho e Neymar. A seleção brasileira fez em 5 minutos o que não conseguiu fazer em 90. Auxiliado pelo árbitro de vídeo, o árbitro de campo anulou falso pênalti encenado por Neymar. Este jogador estava muito nervoso, quiçá por sua palhaçada no jogo anterior, ou por sua má performance nesta copa, ou porque os adversários não lhe estendem o tapete vermelho. Desta cor, ele merecia o cartão, posto que recebera o amarelo anteriormente. O choro, do qual não se viu lágrimas, quando o jogo terminou, pode ser desabafo, eis que a partida aproximava-se do final e a seleção não conseguia a vitória. Crescia o pavor de não passar à fase seguinte do torneio. Rapaz mimado, saudável, milionário, ganhando vultosas quantias mensalmente, dono de imóveis, avião, iate, automóveis, cercado de mulheres e mordomias, vida faustosa, amparado afetivamente pela família e amigos, tinha motivo para chorar? A infelicidade bateu à sua porta? Está arrependido por ter bancado o palhaço? Está jogando mal? Está com medo de perder o cartaz? O treinador diz que não tira as características do jogador. Isto significa que o seu pupilo manterá as características de moleque e de vedete, a simular faltas para enganar o árbitro, a discutir com o adversário empregando palavras de baixo calão, a chamar para si a atenção do público. O treinador diz querer árbitro justo, mas parece mesmo querer árbitros que tolerem as encenações e a má conduta do seu pupilo e que assinalem os pênaltis cuja falsidade a imagem do vídeo registra e as leis da Física atestam. A bravata do treinador é prévia defesa sua e do seu pupilo para eventual fracasso da equipe. O árbitro não “interpreta” a imagem do vídeo e sim a intui pela via sensorial. Além da comum inteligência, do bom senso, do preparo físico, do conhecimento das regras, ter bons olhos é requisito essencial ao árbitro.
Colômbia venceu a Polônia (3 x 0). Os poloneses privilegiaram o contra-ataque. A atuação individual e coletiva dos colombianos foi superior à dos poloneses. Gols de Mina, Falcão e Quadrado, com excelentes assistências de James. Falcão precisa recuperar a sua boa forma física e técnica. A estrela de Lewandowski ainda não brilhou nesta copa. Croácia venceu a Argentina (3 x 0). Muitas faltas e atitudes agressivas. Apesar do seu bom futebol e dos seus qualificados (e nervosos) jogadores a seleção argentina não conseguiu superar uma adversária forte e bem organizada. Dinamarca empatou com Austrália (1 x 1). Belo gol do dinamarquês. As duas seleções alternavam bem ataque e defesa, mas pecavam nas finalizações. O goleiro dinamarquês teve mais trabalho e efetuou duas defesas bem difíceis.
França venceu o Peru (1 x 0). Excelente jogo. Seleções velozes e aguerridas, alternando ritmicamente ataque e defesa durante todo o tempo. Mbappé, estrela da seleção francesa, marcou o único gol da partida. Inglaterra venceu o Panamá (6 x 1). A seleção do Panamá resolveu ficar no canal. Tal como os anglo-americanos construtores do canal, os ingleses também usaram as suas armas, acumularam saldo de gols e garantiram passagem para a próxima fase da copa. Kane marcou três gols; Stones, dois; Lingard um gol resultante de bonito e bem colocado chute. Baloy (que não é atacante) marcou o único gol panamenho, o primeiro desta seleção em copas do mundo, o que levou a torcida ao delírio. Japão empatou com o Senegal (2 x 2). Inui e Honda marcaram para a seleção japonesa e Mané e Wague para a senegalesa. No Senegal, Mané é respeitável nome próprio e não apelido pejorativo como no Brasil, embora a história do futebol registre um genial e inigualável Mané (Garrincha). As duas seleções praticaram um bonito e eficiente futebol, a japonesa mais veloz do que a africana. Muita vibração na torcida de ambas as equipes. A imperatriz do Japão compareceu ao estádio, aplaudiu os súditos e assistiu ao jogo ao lado da primeira-dama russa. Essa gentileza ajuda nas boas relações diplomáticas entre os dois países outrora inimigos.    
México venceu a Coreia do Sul (2 x 1). O primeiro gol dos mexicanos resultou da cobrança de pênalti e o segundo de um certeiro chute de Chichiarito dentro da área coreana, aproveitando um bom lançamento. O gol coreano resultou de um chute de Son, melhor jogador da equipe, de fora da área, já no final da partida. Jogo muito corrido e um tanto desordenado. Nigéria venceu a Islândia (2 x 0). Dois estilos diferentes de jogar futebol. No plano individual, nigerianos superiores aos islandeses; no coletivo, o inverso. No segundo tempo, prevaleceu o talento individual dos nigerianos, com dois gols do artilheiro Musa. Com ajuda do árbitro de vídeo, o arbitro de campo assinalou um pênalti que depois foi mal cobrado e desperdiçado pelo atacante islandês. Suíça venceu a Sérvia (2 x 1). Duas equipes de estilos semelhantes e ritmo veloz. Os sérvios estiveram melhor no primeiro tempo e com vantagem no escore. No segundo tempo, os suíços reagiram, viraram o placar a seu favor e até o final não descuidaram da defesa e nem desistiram do ataque. Os sérvios pareciam cansados.

terça-feira, 19 de junho de 2018

FUTEBOL 2

No estádio de Moscou, em 14/06/2018, o presidente da Rússia declarou abertos os jogos da copa mundial de futebol. O monarca da Arábia Saudita, sentado ao lado do presidente Putin, assistiu a derrota da seleção do seu país para a seleção russa (5x0). Os russos mostraram que estão dispostos a ganhar a taça. As demais seleções se enfrentaram nos dias subsequentes. 
Brasil empatou com a Suíça (1 x 1). Os jogadores brasileiros ficaram um pouco abalados. Nas próximas partidas talvez voltem mais preparados, sem excesso de confiança. A certeza sobre os graus de facilidade e dificuldade não se obtém antes do jogo e sim durante o jogo. Os suíços não apenas se defenderam, mas também atacaram. Antes de cabecear para o gol, o jogador suíço empurrou o defensor brasileiro dentro da pequena área. O árbitro validou o gol. Na área suíça, o defensor derrubou Gabriel. O árbitro não marcou o pênalti. Coutinho fez bonito gol de fora da área. Exibindo cabelo ridículo, Neymar fez papel de palhaço. Lembrou a palhaçada de Ronaldo Nazário que apareceu quase careca assemelhado ao Cascão, da turma da Mônica, da revista infantil em quadrinhos. Nos clubes, em casa ou nas ruas, os jogadores podem se apresentar do jeito que lhes agradar, desde que os estatutos, a lei e os bons costumes permitam. Na seleção nacional, entretanto, eles são “a pátria de chuteiras”. Eles representam a nação brasileira. Graças à televisão, bilhões de pessoas captam a imagem do jogador cujo visual mais se destaca. Essa imagem é associada à nação que ele representa. Importa, pois, que seja a imagem de um país sério e responsável e não a de um picadeiro no centro de uma república de bananas. A figura histriônica do moleque, alvo de zombaria internacional, combinou com a sua fama de “cai-cai” e com a sua sofrível atuação. Desarmado na maioria dos dribles, finge contusão, rola no gramado, erra passes, joga para a plateia. Vedetismo desbragado. Para colocar Firmino em campo, o treinador devia tirar Neymar que estava mal e não Gabriel, que estava bem. Se em 1998 Romário foi cortado da seleção por falta de condições físicas, com maior razão devia ser feito o mesmo com Neymar em 2018, que estava sem treinar e sem jogar há meses e ainda convalescia de uma cirurgia no pé. Soaram falsas as insistentes afirmações da comissão técnica sobre a capacidade do jogador de superar as expectativas de melhora. O argumento de que esse jogador pode decidir uma partida vale, neste momento, muito mais para Gabriel, Coutinho, William, Firmino e Marcelo, que num lance feliz podem colocar o placar favorável à seleção.
Argentina empatou com a Islândia (1 x 1). Messi perdeu pênalti e foi deficiente na cobrança de faltas. Parecia enfastiado. Melhor foi o desempenho dos seus companheiros. Os islandeses estavam motivados, não se preocuparam com a sua falta de tradição e nem se intimidaram diante do potencial da equipe adversária. Colômbia perdeu para o Japão (1 x 2). Logo no início da partida um defensor colombiano impediu com o braço que a bola entrasse no gol. Foi expulso. O atacante japonês acertou o gol na cobrança do pênalti. Até o final da partida, os japoneses se mostraram aguerridos e não desistiram de atacar mesmo depois de marcarem o segundo gol. Os atacantes japoneses aprenderam a driblar, mas a equipe se movimentava em boa sincronia. Todos recuavam e se concentravam na defesa quando os colombianos atacavam. As estrelas colombianas (James, Falcão e Quadrado) não influíram no resultado. Costa Rica, apesar do seu estilo vistoso, perdeu para a troncuda seleção da Sérvia (0 x 1). México venceu a Alemanha (1 x 0). Os mexicanos mostraram determinação e coragem. Velozes, atacaram os campeões da copa de 2014 e exibiram um futebol de boa qualidade. Aplicaram a lição de Sun Tse: o ataque é a melhor defesa. Não deram sossego aos germanos. No segundo tempo, porém, mudaram de tática. Recuaram para garantir a vitória. Erro grosseiro de alguns treinadores. A retranca é arriscada quando mínima é a diferença no placar e há goleadores na equipe adversária. Felizmente para os mexicanos, Kroos finalizou pouco e sem êxito, Muller sem brilho, Ozil apenas regular, Klose e Götze ausentes. Panamá perdeu para a Bélgica (0 x 3). Os belgas, lentos mas bem organizados, tiveram as melhores chances de gol e o maior número de escanteios. No segundo tempo, voltaram mais determinados e fizeram os gols. Evidenciou-se a superioridade técnica dos belgas. Ainda assim, os panamenhos se desinibiram, eram rápidos no contra-ataque, mas as finalizações eram poucas e sem êxito. Peru sucumbiu diante da Dinamarca (0 x 1). Cuevas desperdiçou pênalti e ficou deprimido pelo resto da partida. A entrada do atacante Guerrero não alterou o resultado. A máquina dinamarquesa ainda necessita de lubrificação. Uruguai venceu o Egito (1 x 0). A seleção egípcia estava desfalcada do seu artilheiro Salah, enquanto a uruguaia estava com seus dois bons artilheiros: Cavani e Suarez.  
Irã venceu o Marrocos (1 x 0). Partida bem disputada, mas sem apuro técnico. Croácia venceu a Nigéria (2 x 0). Notou-se a diferença entre a dureza do futebol europeu e a beleza do futebol olímpico dos africanos. Os croatas estão dispostos a vencer a copa. Espanha empatou com Portugal (3 x 3). A seleção portuguesa obteve suado empate graças ao talento do seu bom artilheiro C. Ronaldo e à colaboração do goleiro espanhol no segundo gol. O terceiro gol resultou de magistral cobrança de falta do goleador lusitano. Isto bastou para o jornalismo esportivo alça-lo ao nível de Pelé. A manada de vira-latas não se emenda. Não é preciso citar jogadores sul-americanos melhores do que o português. Basta citar alguns europeus, tais como: Puskas, Kócsis, Eusébio, Zidane, Sneijder, Iniesta, entre outros. Não se trata de quem faz maior quantidade de gols e muito menos de quem, com sucesso, faz 2 dribles, embora desarmado em 10 numa só partida (craque goleador) e sim de quem melhor domina todos os fundamentos do esporte e sofre poucos desarmes (craque genial). Nos últimos 10 anos, a excelência no futebol empobreceu. Na terra de cegos, quem tem um olho é rei. Destarte, bons jogadores como C. Ronaldo, Messi e Neymar ganham relevo exagerado, ainda mais sob o milionário patrocínio da indústria e do comércio e a farta distribuição de jabás. Na FIFA, na CBF e na seleção brasileira, o dinheiro explica tudo. A caixa preta foi aberta.
França venceu a Austrália (2 x 1). Ambas as seleções estavam com o seu melhor elenco. Inglaterra venceu a Tunísia (2 x 1). No primeiro tempo o time inglês partiu ferozmente para sufocar o adversário, parecendo Tyson quando partia em direção ao boxeador desafiante. Depois do primeiro gol, entrou num ritmo mais tranquilo. A Tunísia marcou o seu gol de pênalti. Os tunisianos apelaram para a tática suicida da retranca a fim de garantir o empate. Nos acréscimos ao segundo tempo, após cobrança de escanteio, os ingleses marcaram o gol da vitória. Já vimos esse filme. Castigo para os tunisianos por abdicarem do ataque e não confiarem no seu poder ofensivo. O artilheiro Kane, jogador mais caro do mundo, marcou os dois gols da equipe inglesa. Polônia perdeu para o Senegal (1 x 2). Os africanos atacavam, porém, mais se defendiam, sem contudo, ficar na retranca. A tática deu bom resultado: desequilibrou e fragilizou a equipe adversária. O artilheiro polonês Lewandowski não conseguiu vencer a defesa senegalesca. Do cabeceio do seu companheiro saiu o gol de honra após cobrança de escanteio no final do jogo. Suécia venceu a Coreia do Sul (1 x 0). Os asiáticos eram mais velozes e determinados. Ambas as equipes finalizavam mal. O gol sueco foi de pênalti, com ajuda do assistente de vídeo. Os passes dos coreanos eram fortes e extraviavam a bola. Em ambas as equipes, mais vigor físico do que capacidade técnica e talento individual. 
O público nos estádios proporciona um espetáculo festivo cantando, gesticulando, rostos pintados, corpos fantasiados, além de torcer por suas seleções. Até o momento, a arbitragem tem sido satisfatória, auxiliada com recursos tecnológicos audiovisuais. A primeira rodada, estreia de cada seleção na copa, terminou hoje e neste mesmo dia começa a segunda rodada (19/06/2018). Foi possível perceber aumento do número de dribladores, embora ainda prevaleça o passe entre os mais utilizados fundamentos do futebol. Houve um festival de passes errados, oportunidades de gols perdidas, imperícias, agarramentos, reclamações acintosas, simulações, e assim por diante. O natural nervosismo dos jogadores prejudicou o nível técnico das seleções. Certamente, esse nível haverá de melhorar nas próximas rodadas. As equipes africanas tendem para o estilo sul-americano mesclando arte e eficiência, enquanto as asiáticas tendem para o futebol europeu e se valem mais da virilidade do que do talento. Nota-se um padrão ocidental em algumas seleções: ritmo cadenciado, triangulação e sincronia nos passes, paciência para atacar e segurança para defender. Seleções carentes de talentos individuais, com técnica modesta e pouca experiência, atuam de modo olímpico, sem ambicionar a taça. Ficam felizes de competir no torneio máximo do futebol mundial. Dos 16 jogos realizados nesta primeira rodada, em 7 houve mais de dois gols. Nos demais jogos o escore foi mínimo, com mais vitórias do que empates.

segunda-feira, 11 de junho de 2018

TREINO E JOGO

A frase antológica de Didi, o fabuloso armador das seleções de 1958 e 1962 (o melhor do mundo segundo a imprensa esportiva francesa) permanece viva no ambiente futebolístico brasileiro: “treino é treino, jogo é jogo”. Justificava o menor esforço dos jogadores durante os treinos e a maior dedicação durante os jogos. O seu discurso opunha-se às azedas críticas dos torcedores, treinadores e jornalistas. Na sua generosidade, Didi partiu do pressuposto de que todos os jogadores eram craques. Portanto, treino descontraído e não exaustivo era suficiente. Ao treinador cabia distribuir as camisas e informar o esquema básico deixando o resto por conta dos jogadores na dinâmica do jogo conforme a concreta situação em campo. O treinador ficava mais tempo sossegado no banco a observar a partida e até se dava ao luxo de cochilar, como acontecia com Vicente Feola (1958).
De 1970 para cá, adotou-se o planejamento, o estudo do adversário com preleção e filmes, o cuidado físico e psicológico com os jogadores, instruções do treinador antes, durante e no intervalo da partida, material esportivo moderno e de melhor qualidade. Racionalizou-se o esporte até o exagero de automatiza-lo, como se os jogadores fossem robôs. Nenhuma alteração em campo sem a ordem do treinador. Isto ocorria nos clubes e nas seleções. Prevalecia a ideia europeia do “futebol de resultado”. Quê arte, coisa alguma! O que mais importava era aplicar a matemática e o conhecimento científico ao esporte e derrotar o inimigo. Atitude bélica.
Treino é exercício para aprendizado e aprimoramento. No esporte, os atletas treinam para: (i) aprender os fundamentos da modalidade esportiva que escolheram (ii) aprimorar a performance nas competições. No esporte coletivo (futebol, basquetebol, voleibol) além dos cuidados individuais, os atletas treinam em conjunto. O treino geralmente é interno: sob orientação do treinador, um grupo joga contra outro. Time principal contra time reserva, por exemplo. Trata-se de jogo no sentido amplo da palavra, a saber: atividade lúdica. O treino externo consiste no jogo de um clube contra outro, ou de uma seleção contra outra, fora de torneio oficial, sem promessa de prêmio ou taça a quem vencer. Trata-se do jogo amistoso com finalidade de treinar as equipes (diferente do amistoso com finalidade humanitária). No futebol masculino, tal amistoso é jogado com virilidade, rispidez e até violência, a indicar a gana de vencer. O modo vibrante dos treinadores ao comemorar cada gol nos jogos amistosos preparatórios para esta copa evidencia esse fato (2018).        
Em recente entrevista a um repórter de canal de televisão (SporTV, salvo engano), Tostão, que integrou a seleção de 1970, disse que nunca se considerou um jogador excepcional; que a sua função não era a de goleador e sim a de meio-campista ofensivo; que vestia a camisa 9 porque a 10 era do Pelé. Realmente, na crítica esportiva e histórica, as posições de armador e defensor são menos valorizadas do que a de atacante goleador. Há exceções, como a de Gerson – e esta foi outra afirmação do entrevistado a chamar atenção: “Ele era um técnico dentro do campo”. No meio esportivo, o armador excelente era considerado “cérebro do time”. Gerson enquadrava-se nesse conceito. Tostão completou a extensão do conceito. Gerson atuava como se fosse treinador “ad hoc” orientando os companheiros dentro do campo (o que exige inteligência lúdica acima da média) sem que isto tipificasse intromissão indevida no trabalho do treinador comandante. Nenhum treinador queixou-se dessa característica do Gerson. Tampouco, algum companheiro. E ele nem era o capitão!
Dunga, ao exercer esse papel na seleção de 1994, teve ríspida discussão com Bebeto em pleno jogo. Quase foram às vias de fato. Outrora, Didi orientava o conjunto com suave autoridade e elegância. Cuida-se mais de uma vocação do jogador do que de uma determinação do treinador. A liderança pode ser exercida por jogador carismático, independente da sua posição no esquema do treinador. Já o papel de capitão é mais adequado ao defensor.
Os jogos amistosos preparatórios para a copa mundial de futebol masculino Rússia/2018 não foram encarados como simples treinos indiferentes ao resultado, apesar das experiências feitas pelos treinadores. As seleções jogaram para valer. Muita pancadaria. Contra a seleção austríaca, a alemã escondeu um pouco o seu potencial. As seleções espanhola e brasileira nada esconderam, porém sofreram ao vencer a tunisiana e a croata, respectivamente. Na partida contra a seleção austríaca, da boa sintonia entre armadores e atacantes saíram o primeiro e o terceiro gols marcados por Gabriel e Coutinho (10/06/2018). Os dois jogadores exibiram calma e segurança nos lances bem finalizados. O segundo gol saiu do fundamento que encanta nacionais e estrangeiros aficionados do esporte: o drible. Neymar foi o autor da façanha. Ele e William são os que mais driblam. Com menos frequência (até por razões táticas) outros jogadores também driblam e brilham. Neymar sofreu mais desarmes e pancadas do que William. A defesa está bem postada e não perdeu a eficiência com as substituições experimentais. A equipe está sincronizada e cadenciada. Velocidade, só a necessária. Melhorou a qualidade do passe. Quase joga por música, credenciada para o sucesso. Enfrentará retrancas.