domingo, 8 de abril de 2012

PÁSCOA


Etimologicamente, a palavra páscoa, de origem hebraica, significa passagem. No âmbito religioso, páscoa significa a festa anual em que: (i) os judeus comemoram o êxodo, emigração do povo hebreu do território egípcio, guiado por Moisés; (ii) os cristãos comemoram a ressurreição de Jesus. Para os cristãos católicos, a páscoa deve ser celebrada todos os anos entre os dias 22 de março e 25 de abril, segundo decisão do Concílio de Nicéia do ano 325. Em termos simbólicos e místicos válidos para a cristandade (ortodoxos, heterodoxos, católicos, protestantes, espíritas) páscoa significa passagem do judaísmo ao cristianismo; conversão de judeus e pagãos à doutrina de Jesus, o Cristo; nascimento de nova religião.

A semana santa católica tem início no domingo de ramos e termina no domingo de páscoa. O primeiro domingo refere-se à entrada de Jesus, em Jerusalém, como profeta, messias e rei, sob aclamação do povo, aplausos e acenos com folhagens. Comentário: homenagem arquitetada naquela época para apresentar Jesus publicamente como líder apoiado pelo povo.

A segunda feira, sexto dia anterior à páscoa, refere-se à unção de Jesus durante reunião com os discípulos em Betânia. A terça feira, quinto dia anterior à páscoa, refere-se ao anúncio de Jesus de que seria traído por um dos apóstolos. Comentário: o episódio da traição fora previamente combinado com Judas Iscariotes.

A quarta feira, quarto dia anterior à páscoa, refere-se ao pacto entre Judas Iscariotes e os sacerdotes judeus para entrega de Jesus. A quinta feira, terceiro dia anterior à páscoa, ceia do cordeiro pascal, quando Jesus lava os pés dos apóstolos. Comentário: no sacrifício à divindade, a vítima humana do antigo ritual foi substituída por animal irracional: o cordeiro. Com estribo na crucifixão, a igreja criou a imagem de Jesus como cordeiro sacrificado à divindade para tirar os pecados do mundo. No lugar da matança de cordeiros a igreja colocou a hóstia representando o corpo e o sangue de Jesus como símbolo do sacrifício. A quinta feira foi selecionada por místicos rosacruzes para recolhimento espiritual, a sexta feira pelos muçulmanos, o sábado pelos judeus e o domingo pelos cristãos.  

A sexta feira, segundo dia anterior à páscoa, refere-se aos padecimentos e crucifixão de Jesus. O sábado, primeiro dia anterior à páscoa, refere-se à vigília pascal, enquanto Jesus permanece no sepulcro. O domingo, dia da páscoa, refere-se à ressurreição de Jesus, anunciada por Madalena. Comentário: nos dias atuais, a ressurreição virou questão de fé, exclusivamente. Sob exame racional, falta-lhe alicerce. Da análise lógica dos evangelhos retira-se a evidência de que Jesus não morreu na cruz. Logo, não ressuscitou no terceiro ou em qualquer outro dia, pois só ressuscita quem esteve morto. Há quem sustente que Jesus não existiu historicamente e sim como personagem de uma ficção religiosa.

No domingo de páscoa tem início o tempo pascal que finda no pentecostes (qüinquagésimo dia). Segundo narrativa do livro “Atos dos Apóstolos”, integrante do novo testamento, nesse dia o espírito santo desceu sobre eles. O tempo pascal compõe-se de sete semanas dedicadas a episódios e mensagens posteriores à ressurreição, tais como: aparição de Jesus a Madalena nas adjacências do sepulcro e aos dois discípulos a caminho da aldeia de Emaús; admoestação a Tomé por sua incredulidade; multiplicação dos pães, pescaria abundante e andar sobre as águas; novo mandamento aos discípulos (amai-vos uns aos outros como eu vos amei); missão atribuída aos apóstolos e as derradeiras instruções de Jesus antes de ascender ao céu; eleição dos diáconos, prisão e martírio do diácono Estevão, perseguição e dispersão da comunidade cristã de Jerusalém; pregação do evangelho, batizados e aumento do número de adeptos; união de Deus com a comunidade cristã através do espírito santo; destino de Pedro e Paulo.

sexta-feira, 6 de abril de 2012

FUTEBOL


Em “Tempos Modernos”, filme de 1936, Charles Chaplin mostrou, com humor, a robotização do homem: produção industrial em série faz do operário um especialista em apertar parafuso. O automatismo na atividade externa parece provir dos movimentos involuntários do corpo humano (reação imunológica, secreção glandular, circulação do sangue, mecanismo instintivo, sístole, diástole, digestão, respiração). A ação robótica tornou-se forma econômica do trabalho em setores da sociedade e do estado, fundada no planejamento racional prévio que visa a maior produtividade e a boa qualidade de bens e serviços. Incide a norma: evite pensar; siga as instruções. No jogo de xadrez, pensar é essencial; há tempo. No caratê, pensar atrapalha; a ação reflexa é mais eficaz; resulta de treinamento com exaustivas repetições. No futebol, enquanto pensa, ainda que por cinco segundos, o jogador perde a bola. Agilidade mental e física é essencial. Importa mais direcionar eficazmente a bola do que correr com ela nos pés. A atividade mental do jogador no momento do lance deve ser reflexa e não reflexiva. Por implicar análise e demandar tempo, ainda que breve, o pensamento reflexivo é mais adequado às pausas (quando o jogador não está com a bola ou o jogo está suspenso).

A partir da década de 70, tomando-se como referência a seleção holandesa de 1974, verifica-se que a robotização aprimorou a técnica de jogar coletivamente e diminuiu o espaço da criatividade individual e do improviso. A técnica sufocou a arte. Houve sensível melhora no rendimento das equipes em todo o mundo desde que se adotou o planejamento tático, a análise dos filmes de jogos, o ensaio das jogadas, a disciplina coletiva, a formação de jogadores a partir das categorias infantil, juvenil e aspirante. Venezuela, Dinamarca, Japão, Nigéria, Austrália, ilustram essa evolução. Para o saudável condicionamento do corpo utilizam-se aparelhos da última geração tecnológica e dieta recomendada por nutricionistas. Ao conforto dos jogadores em campo são destinadas camisas, chuteiras e caneleiras de material e modelo especiais. Os jogadores são assistidos por médicos, psicólogos, massagistas e professores de educação física. Os jogadores de ponta são cercados de regalias.

O aprimoramento técnico do jogador exige disciplina, esforço, dedicação, repetições de movimentos. Condicionam-se reflexos. Formam-se automatismos. Busca-se o resultado coletivo ótimo. A boa capacidade técnica faz um bom jogador; unida ao talento, faz um excelente jogador. Técnica e arte bem conjugadas fazem um craque. Técnica se adquire. Talento é inato mas inútil se não houver cultivo, meio e ensejo de se manifestar. O indivíduo pode ser um asno em História e Geografia (intelecto bruto) e um gênio no esporte (inteligência lúdica). A genialidade em repouso no código genético manifesta-se quando reunidas condições naturais e culturais favoráveis à expressão técnica, artística, científica ou filosófica. A tal propósito, em passagem que faz parecer acidental, Marcel Proust escreve: “(...) o que fazia pensar nesses atores ou romancistas medíocres que em certas épocas desfrutam de uma reputação de gênios, seja devido à mediocridade dos confrades, entre os quais nenhum artista superior é capaz de mostrar o que é o talento verdadeiro, seja pela mediocridade do público, o qual, caso existisse uma extraordinária individualidade, seria incapaz de compreendê-la.” (“A Prisioneira”, volume III da série “Em Busca do Tempo Perdido”, Rio, Ediouro, 2002, p. 208).

Há jogadores brasileiros desfibrados, como se viu na decisão do campeonato mundial de clubes: os santistas submissos aos catalães. Assim como os santistas, há jogadores de outros clubes com essa têmpera de banana, lânguidos em decorrência das mordomias e dos mimos. Ao contacto físico com o adversário rolam metros e metros no gramado, contorcem-se como se estivessem na iminência de ir para o hospital. Parecem meninos com dodói chamando a mamãe. Afagados pelo médico, massagista, preparador físico, transportados para fora do campo, logo se recompõem e retornam fagueiros. Visível a intenção de comover a torcida, de chamar para si as câmeras de televisão e colocar sua imagem na tela. Seria bom ver na seleção brasileira jogadores com têmpera de aço na copa mundial de 2018. Para a de 2014 não há tempo. A forja está fria.

quarta-feira, 4 de abril de 2012

FUTEBOL


Apesar das evidências do passado e do presente, o contingente brasileiro de vira latas prefere fuçar o monturo: enaltece a mediocridade estrangeira e menospreza as virtudes nacionais. No futebol há jogadores notáveis em todos os continentes. Reconhecer-lhes o valor é medida de justiça. Contudo, o nivelamento com jogadores brasileiros de superior categoria é inadmissível. Chega-se ao desplante de equiparar o jogador da moda a Pelé! Qualquer jogador que se sobressai, logo é comparado a Pelé. Ser comparado ao Papa traz mais dividendos do que ser comparado ao sacristão.

Isto acontece com Messi, atualmente. Jogador da moda, visão de jogo razoável, veloz, oportunista, conduz a bola nos pés com habilidade em direção à meta adversária, feliz em algumas finalizações. Em perspectiva ampla, detectam-se as limitações: previsível, dificuldade de improvisar, frequentemente desarmado, passes sofríveis, chuta bem com o pé esquerdo e mal com o direito, deficiente na cobrança de faltas, no cabeceio e no amortecimento da bola. Há estrangeiros do passado e do presente mais habilidosos do que ele: Cristiano Ronaldo, Di Stéfano, Eusébio, Gerd Müller, Johan Cruyff, Maradona, Puskas, Sneijder, Zidane. Do boxe, pode-se extrair a comparação: Messi, batedor como Joe Frazier; os craques citados, virtuosos como Muhammad Ali.

Deve ser creditada ao árbitro a vitória do Barcelona (3) sobre o Milan (1) na modesta atuação das duas equipes em 03/04/2012. Em jogadas igualmente questionáveis, ele assinalou dois pênaltis a favor do time catalão e deixou de assinalar pênalti a favor do time italiano. A parcialidade na arbitragem não é vício exclusivo dos brasileiros. Mais: no Brasil, a boa arbitragem tem sido a regra e não a exceção. Contribui para essa melhora: (i) as imagens da televisão; (ii) as judiciosas ponderações dos comentaristas de arbitragem; (iii) a fiscalização e o controle pela comissão de arbitragem. Considerado o padrão das equipes, houve excesso de faltas. Ibrahimovic parecia jogador de várzea, apesar do bom passe para o gol milanês. Pato entrou no segundo tempo, ficou em campo poucos minutos e saiu. Parece não estar recuperado dos males que o afligem.

Profissionais da imprensa esportiva se impressionam em demasia com título concedido pela FIFA. O narrador do jogo transmitido pela emissora de televisão (Bandeirantes) gritava ensandecido o nome de Lionel Messi, várias vezes, como se o jogador fosse um gênio porque marcara gol de pênalti. Sem barreira, a pequena distância do gol, a chance do batedor marcar é bem maior do que a do goleiro defender. A desvantagem do goleiro integra a punição pela falta cometida dentro da sua área. No canal ESPN, narrador e comentarista são mais comedidos. Observaram bem: Messi marcou gol só com bola parada; ficou sem marcar com bola em movimento. Examinado sob critérios objetivos e comparado a grandes jogadores do passado e do presente, Messi aparece como simples operário, produto da robotização do futebol, sem arte, repetindo as mesmas jogadas e um só tipo de drible à semelhança daqueles praticantes de artes marciais que se especializam em golpe único. Joga com o mesmo potencial, tanto no clube como na seleção. A diferença está no nível de atuação. No clube, rende mais. Arrolam-se entre as causas do desnível: (i) maior motivação; (ii) maior entrosamento com os companheiros do clube em virtude do convívio prolongado {o que permite jogar por música telepaticamente}; (iii) poucas equipes adversárias de alto nível {o que enseja mais gols e vitórias do clube}; (iv) treinador corajoso e sensato.

segunda-feira, 2 de abril de 2012

FUTEBOL


Além das citadas estrelas de primeira grandeza do futebol mundial, há uma plêiade de defensores, armadores e atacantes brasileiros, cada qual na sua época e fase áurea, cujo brilho não é menor do que o brilho das grandes estrelas estrangeiras. Basta lembrar de: Ademir da Guia, Ademir Meneses, Adriano, Alex (Grécia), Amarildo, Barbosa (goleiro), Bebeto, Branco, Cafu, Caju (Paulo Cezar), Careca, Carlos Alberto, Castilho (goleiro), Clodoaldo, Coutinho, Dener (Portuguesa/Vasco), Diego (Alemanha), Dirceu Lopes, Djalma Santos, Djalminha, Domingos da Guia, Edmundo, Edu (Santos FC), Falcão, Gerson, Gilmar (goleiro: Corinthians/Santos), Giovane, Heleno de Freitas, Jair, Jairzinho, Juan, Júlio Cezar (goleiro), Juninho Pernambucano, Júnior, KK, Leandro, Leandro Damião, Leão (goleiro), Leivinha, Lucas (São Paulo FC), Lúcio, Luis Pereira, Maicon, Marcos (goleiro), Marcos Assunção, Marinho, Mauro Silva, Miller, Nelinho, Neto (Corinthians), Neymar, Nilmar, Nilton Santos, Palhinha, Pato, Pepe, Petronilho, Pinheiro, Poy (goleiro), Raí, Reinaldo, Renato, Rivaldo, Rivelino, Roberto Carlos, Roberto Dinamite, Robinho, Rogério Ceni (goleiro), Ronaldo Gaúcho, Ronaldo Nazário, Sócrates, Taffarel (goleiro), Tostão, Túlio Maravilha, Vagner Love, Vavá, Zagalo, Zé Roberto, Zico, Zinho e Zito.

No futebol mundial, estrelas estrangeiras têm seu brilho ofuscado pelo brilho mais intenso de craques brasileiros, tanto no passado como no presente. A história é testemunha, abastecida por documentos e pelo conhecimento oriundo da tradição oral, escrita e audiovisual. Quando atuam brasileiros e estrangeiros de alto nível na mesma partida, quer na mesma equipe, quer em equipes adversárias, lado a lado ou se confrontando, a história registra brilho maior dos brasileiros. Os clubes da Europa estão coalhados de defensores, armadores e atacantes brasileiros, o que indica qualidade boa e diferencial. Raro encontrar na mesma partida, em equipes distintas, um exuberante Zidane aplicando chapéu num Ronaldo decadente. O grande número de vitórias e de boas colocações da seleção brasileira em campeonatos internacionais se deve ao nível de excelência dos jogadores brasileiros, apesar das ocasionais estiagens.  

Entre os estrangeiros bem cotados no cenário internacional não há inventor de jogadas, mas tão somente executores de jogadas inventadas pelos brasileiros. Além das jogadas citadas linhas atrás, inventadas por Friedenreich, Leônidas, Didi, Garrincha e Pelé, os estrangeiros imitam ou tentam imitar: (i) o drible elástico do Rivelino; (ii) o uso do calcanhar para executar passes, dribles e gols, inventado e popularizado por Sócrates; (iii) as pedaladas do Robinho. A pedalada – no singular – Garrincha a executava, porém, as pedaladas – no plural – para confundir o adversário, foram aplicadas por Robinho e imitadas nos campos de futebol do mundo.

Os inventores do “corta luz” e do “gol olímpico” são desconhecidos. Corta luz é finta sem tocar na bola que impede acesso ao adversário e o permite ao companheiro, mediante uso do corpo no mesmo lugar ou em deslocamento. Quando utilizada no passe, o primeiro receptor funciona como cortina: sem tocar na bola, deixa-a passar para um segundo receptor, enganando e surpreendendo o adversário. Gol olímpico resulta da cobrança do escanteio. Antes de 1924, não era válido. Nesse mesmo ano, após adquirir legitimidade, esse gol foi executado oficialmente pela primeira vez por Billy Alston, na Escócia, porém só recebeu o apelido de “olímpico” em 1928, no jogo do Vasco da Gama contra o clube uruguaio Montevideo Wanderes, vencido pelo clube brasileiro. Ao cobrar escanteio, Santana marcou o gol da vitória. Os uruguaios eram campeões olímpicos. Os brasileiros, por zombaria, apelidaram o gol de “olímpico”. Valeu como batismo. O nome ficou. Por ser de difícil execução e exigir perícia, esse gol é raro. Marcelinho Carioca e Roberto Carlos fizeram gols olímpicos jogando pelo Corinthians e Ronaldo Gaúcho pelo Flamengo. O sérvio Dejan Petkovic marcou nove gols olímpicos de 1999 a 2009, jogando pelo Vitória (Bahia), Flamengo e Fluminense.

sábado, 31 de março de 2012

FUTEBOL


No século XX (1901-2000) a coroa de rei do futebol mundial passou de Friedenreich a Leônidas e de Leônidas a Pelé, sucessivamente, sem perda de qualidade. Até a presente data não surgiu o sucessor de Pelé. A coroa aguarda novo rei neste século XXI. Ao futuro sucessor não se exige o impossível: ser melhor do que Pelé. Espera-se o possível: semelhança a Pelé, disciplinado, completo e eficiente na arte e na técnica de jogar futebol. Sucessão no trono sem perda de qualidade. Está difícil. Ainda restam nove décadas. Há outros brasileiros compondo a constelação dos jogadores geniais. Nela se destacam: Tomás Soares da Silva, Waldir Pereira e Romário de Souza Faria.

Tomás Soares da Silva, alcunha “Zizinho”, mulato, baixa estatura, pernas arqueadas, nasceu em 1921 e faleceu em 2002. Cérebro da formidável seleção brasileira de 1950. Eleito pelo público e pela imprensa esportiva o melhor jogador da copa do mundo de 1950. Inteligência lúdica, excelente visão de jogo, mestre da arte de jogar futebol, armador, atacante e artilheiro com centenas de gols marcados, Zizinho jogou em clubes cariocas, paulista e chileno. Conquistou dezenas de títulos. Pelé e Gerson nele se miraram o que, por si só, dá a medida da magnitude desse craque.

Waldir Pereira, alcunha “Didi”, nasceu em 1928 e faleceu em 2001. Mulato, inteligência lúdica, esguio, postura elegante dentro e fora de campo, armador, atacante e artilheiro, genial criador do chute denominado “folha seca”. {Salvo engano, ninguém mais conseguiu executar esse tipo de chute}. Didi jogou em clubes cariocas, marcou centenas de gols. Com seus companheiros, conquistou vários títulos. Passes oportunos e precisos. Visão de jogo extraordinária. De modo tranqüilo e natural, liderava as equipes em que atuava. Didi foi considerado pela imprensa internacional o melhor jogador da copa mundial de 1958. Recebeu o apelido de “Mr. Football”. Brilhou na copa de 1962. Com sua experiência e talento repartiu a liderança com Garrincha, transmitiu segurança aos companheiros e contribuiu para a vitória de modo decisivo.

Romário de Souza Faria nasceu em 1966. Mulato, estatura mediana, compleição física robusta, personalidade forte, indisciplinado, arreliento, desentendeu-se com vários treinadores e colegas. Atacante excepcional, repertório de jogadas geniais, marcou cerca de 1.000 gols durante a carreira iniciada no infantil do Olaria, em 1979 e encerrada no América do Rio em 2010. Em 613 partidas anotadas, marcou 457 gols, obtendo a média de 0,74 gols por partida, abaixo das médias dos seus antecessores. Espichou a carreira até os 43 anos de idade para alcançar o milésimo gol em contagem polêmica. Exibiu seu talento dentro e fora do Brasil. Bem entrosado com os companheiros, levou a seleção brasileira à vitória na copa mundial de 1994. Foi considerado o melhor jogador do mundo, título que a FIFA passou a conceder anualmente para premiar jogadores como Cristiano Ronaldo, KK, Messi, Rivaldo, Ronaldo Gaúcho, Ronaldo Nazário, Zidane. Na Europa, a imprensa, treinadores e jogadores de diferentes clubes, colocaram Romário entre os maiores jogadores de todos os tempos. Johan Cruyff, já treinador e Stoichkow colega de equipe (holandesa), achavam insuperável o desempenho de Romário na área adversária. Ele recebeu mais de vinte prêmios por sua excelente atuação em campeonatos da UEFA, da Holanda, da Espanha e do Mercosul, obtendo o primeiro lugar da artilharia na maioria deles. Na Copa da América de 1989, jogando pela seleção brasileira contra a seleção da Argentina, Romário mostrou em campo evidente superioridade diante de Maradona, tendo o público nacional e internacional por testemunha. {Nas respectivas fases áureas, guardadas as diferenças de estilo, Jairzinho, Neto, Rivelino, Ronaldo Gaúcho, Ronaldo Nazário e Zico também exibiram futebol superior ao de Maradona}. Na copa de 1998, depois que Romário auxiliou a seleção brasileira a se classificar, Zagalo e Zico, membros da comissão técnica, quiçá por inveja, afastaram-no da competição. Conseqüência: a seleção brasileira, com 11 zumbis em campo, perdeu a partida final para a seleção francesa com 11 guerreiros em campo.

quinta-feira, 29 de março de 2012

FUTEBOL


Manuel Francisco dos Santos nasceu em Pau Grande, distrito de Magé, Estado do Rio de Janeiro, em 1933 e faleceu na cidade do Rio de Janeiro em 1983. Foi um dos raros gênios do esporte. Caboclo, estatura mediana, pernas tortas, um fenômeno na arte de jogar futebol, recebeu da irmã o apelido de Garrincha, uma espécie de pássaro. Começou a carreira em 1947 e a encerrou em 1972, após jogar por diversos clubes e pela seleção brasileira. Dribles rápidos, desconcertantes, inigualáveis, alguns precedidos de pausa provocativa diante do adversário. Criou: (i) o “drible da vaca”, que consistia em impulsionar a bola para um lado e correr pelo outro, deixando o adversário vencido dentro de uma elipse; (ii) o drible sem bola, que consistia em deixar a bola intocada no lugar sem que o adversário se apercebesse e correr como se a bola estivesse entre os seus pés; o adversário acompanhava a corrida; Garrincha então voltava e tocava a bola. Ele brincava com os adversários. Desenvoltura hilariante que agradava ao público. Jogava descontraído, irreverente, com prazer e alegria. Deixava o público radiante. Por isso mesmo, ao seu apelido foi acrescentada a expressão “alegria do povo”. Simplesmente genial, o melhor ponta direita de todos os tempos, Garrincha prestava assistência a partir da linha lateral do campo próxima à linha de meta, mas também penetrava na área adversária. Foi autor de mais de trezentos gols, aproximadamente, em mais de setecentas partidas, a maioria pelo Botafogo carioca. Conquistou vários troféus em competições nacionais e internacionais. Ainda não surgiu no mundo jogador com as excelsas qualidades que consagraram Garrincha mundialmente nas copas de 1958 e 1962. Nesta última, no Chile, com Pelé contundido e fora da competição, Garrincha compartilha com Didi a liderança da equipe e conduz a seleção brasileira à vitória, numa atuação impecável e extraordinária. Recebeu o prêmio “Bola de Ouro” da FIFA, por sua encantadora e magnífica atuação. Garrincha atuou na copa mundial de 1966, na Inglaterra, quando Pelé foi vítima do “futebol força”. Após ter vencido a seleção da Bulgária, a seleção do Brasil perdeu para as seleções da Hungria e de Portugal. Enquanto Garrincha e Pelé atuaram juntos na mesma partida, a seleção brasileira jamais conheceu derrota.  

Edison Arantes do Nascimento nasceu na cidade de Três Corações, Estado de Minas Gerais, em 1940. Recebeu o apelido de Pelé ainda criança. Negro, estatura mediana, corpo atlético, educado e disciplinado, jogou de 1955 a 1977, sempre com dedicação e amor ao esporte, exibindo vigoroso espírito de luta, sem arrogância. A maior parte desse período atuou pelo Santos FC. Ao servir o Exército (Elvis Presley também prestou serviço militar) jogou pelo clube da sua unidade e ganhou campeonatos militares. Encerrou a carreira na equipe do Cosmos (EUA), mais como professor e menos como jogador. Foi ensinar aos gringos a arte de jogar futebol. Ele atingiu a marca de 1.282 gols em 1.367 partidas, segundo registros oficiais, o que lhe dá a média de 0,93 gols por partida, abaixo das médias de Friedenreich e de Leônidas, ambas acima de um gol por partida. Marcou oito gols em uma única partida atuando pelo Santos FC contra o Botafogo de Ribeirão Preto. Entidades esportivas internacionais outorgaram-lhe o título de melhor jogador de futebol do século XX e o título de melhor atleta do século XX. Da imprensa internacional e do público ele recebeu o título de “rei do futebol” e o apelido “Rei Pelé”. Com seus companheiros e apesar de caçado em campo pelos adversários, Pelé participou da seleção vitoriosa nas copas mundiais de 1958, 1962, 1970, e da seleção derrotada na copa de 1966. Na copa de 1970, o treinador Zagalo tentou barrá-lo, quiçá por inveja do rei. Houve reação e Zagalo teve de engolir Pelé. Cautelosamente, para desestimular agressões e preservar sua integridade física, Pelé sabia quando e como retribuir a violência sofrida (certa ocasião quebrou a perna do adversário). Hábil, Pelé dominava a arte e a técnica de jogar futebol, inclusive como goleiro. Maravilhou a América e a Europa com suas jogadas geniais. Criou: (i) o passe no vazio para a chegada do companheiro e surpresa do adversário; (ii) o inesperado chute do meio do campo para encobrir o goleiro; (iii) a passagem da bola por cima da cabeça do marcador (chapéu). Tinha excelente visão de jogo, inteligência lúdica, repertório de bons dribles e passes. Ágil e atento, ele sofria poucos desarmes. Chutava bem com ambas as pernas, prestava assistência na medida certa, sabia se colocar proveitosamente em campo, eficiente no cabeceio e no amortecimento da bola no peito e nos pés. Gênio.

terça-feira, 27 de março de 2012

FUTEBOL


Nos seus respectivos países da África, América, Ásia, Europa, Oceania, jogadores podem ser considerados os melhores do mundo, porém, comparados com os jogadores brasileiros ficarão em desvantagem se, na comparação, forem aplicados critérios objetivos, consideradas: (i) a época; (ii) a arte de jogar futebol [beleza plástica, toque de bola sincronizado, inteligência lúdica, visão de jogo, habilidade no uso do corpo (cabeça, tronco, membros), capacidade de improvisar, criatividade, versatilidade]; (iii) a técnica de jogar futebol [espírito de equipe, controle do ritmo do jogo, objetividade na armação das jogadas, velocidade na execução, eficiência nos passes, dribles, desarmes, cabeceios, artilharia, cobranças de faltas e de escanteios e na reposição de bola pelas laterais do campo]. Obedecidos tais critérios, destacam-se os quatro maiores jogadores de futebol de todos os tempos: Arthur Friedenreich, Leônidas da Silva, Manuel Francisco do Santos e Edison Arantes do Nascimento. Brasileiros de humilde origem social, de excepcional habilidade, artilheiros, atuaram com êxito em diversos clubes e na seleção brasileira, conforme consta das respectivas biografias no Google e da tradição oral e escrita difundida internacionalmente nos séculos XX e XXI. 

Arthur Friedenreich – pai alemão e mãe brasileira – nasceu em 1892 e morreu em 1969, na cidade de São Paulo. Parte do povo brasileiro pronunciava seu nome assim: “frederracha”. Ele jogou dentro e fora do Brasil quando ainda o futebol era esporte amador. Posicionou-se contra a profissionalização do esporte, cuja via foi aberta nos anos 30, após a fundação da FIFA em 1904. No campeonato sul americano de 1919 (futura Copa América) no Uruguai, recebeu o apelido de “El Tigre”. Participou de quatro desses campeonatos: 1916, 1919, 1922 e 1925. Após a vitória da seleção brasileira sobre a seleção francesa, em 1925, a imprensa francesa outorgou-lhe o título de “rei do futebol”. Praticou o esporte de 1909 a 1935. Mulato, alto, magro, elegante, veloz, versátil, ele criou o drible curto, a finta de corpo e o chute de efeito. Friedenreich atuou em mais de 1.200 partidas e fez mais de 1.200 gols, média de um gol por jogo (ciência trazida por tradição oral e escrita). Em uma só partida ele fez sete gols jogando pelo Paulistano contra o clube União da Lapa.

Leônidas da Silva nasceu em São Cristóvão, na cidade do Rio de Janeiro, em 1913 e faleceu na cidade de Cotia, no Estado de São Paulo, em 2004. Começou sua carreira em 1923, jogando no infantil do São Cristóvão FC e a encerrou em 1951, jogando pelo São Paulo FC. Negro, estatura mediana, veloz, grande elasticidade que lhe valeu o apelido de homem borracha, tornou popular e mundialmente conhecida a jogada denominada “bicicleta” criada por Petronilho de Brito (1904-1983). Atacante aguerrido e habilidoso, Leônidas fez centenas de gols, alguns de “bicicleta”. Realizava essa jogada com perfeição, os dois pés despregados do solo, pedalando e acertando a bola ainda no ar. A torcida exaltou o jovem Leônidas como “o novo Petronilho”. [A comparação era honrosa, pois Petronilho de Brito era fabuloso, de baixa estatura e drible rápido, marcou muitos gols, jogou em vários clubes e nas seleções paulista e brasileira; quando jogava na Argentina, no clube San Lorenzo (1933-1935), Petronilho recebeu elogios da crônica desportiva platina que refletiam o seu apuro artístico e técnico: “El Maestro”, “El Bailarin”, “El Artista de la Pelota”, “El Malabarista”, “Fenômeno”]. Na copa do mundo de 1938 (França), o árbitro anulou gol de “bicicleta” feito por Leônidas, alegando que aquela jogada não constava das regras do futebol. Artilheiro dessa copa com nove gols (incluído o anulado pela rigidez e ignorância do árbitro) Leônidas maravilhou a Europa com a sua arte e foi considerado o melhor jogador de futebol do mundo. A imprensa francesa deu-lhe o apelido “Diamante Negro”, que se converteu em marca de chocolate e lhe rendeu royalties por dois anos.