sábado, 5 de março de 2011

VIAGEM

VIAGEM A CAMPINAS – I.

Quinta feira. 17/02/2011. 08,10 horas. Manhã ensolarada. Convidados para o aniversário do Lothar (70 anos) Jussara e eu saímos com destino a Campinas. Chegamos por volta das 12,30 horas. Regressamos no dia 19/02/2011, sábado de sol e brancas nuvens. Saímos de Campinas às 10,00 horas e chegamos a Penedo às 14,20 horas. Na ida viajamos pela rodovia Dutra até Jacareí, onde entramos na rodovia Pedro I. Voltamos por essa mesma rodovia, entramos na Carvalho Pinto e fomos até aonde bifurca: à esquerda, Campos do Jordão; à direita, Taubaté, por onde ingressamos na Dutra e prosseguimos até Itatiaia/RJ.
Em Campinas, demoramos um pouco para chegar ao centro da cidade. Aos olhos do adventício, o trânsito é confuso, cheio de entroncamentos e curvas o que torna difícil a orientação, ainda mais quando há campineiro que não sabe informar onde fica o centro da cidade! Hotel bom, com ar condicionado geral, suíte pequena, ducha muito boa com água quente e fria, frigobar abastecido pelo próprio hóspede, serviços gerais satisfatórios, café da manhã padrão (frutas, cereais, queijos, manteiga, geléias, bolos, pães, sucos, café, leite, chocolate). A moça da portaria do hotel nos deu dois cartões eletrônicos para abrirmos a porta do apartamento. Duas diárias de casal, café da manhã, consumo do bar, estacionamento, somaram R$372,00. Não desembolsamos dinheiro. Bastou apresentar um cartão de plástico. Como é bom viver na era tecnológica!
Mal entramos no apartamento, toca o telefone. Era o Lothar. “Dentro de 15 minutos estarei aí para levá-los à minha casa”. Caramba! Ducha rápida. Descemos ao andar térreo no momento em que Lothar passava pela porta do hotel. A porta é mágica. Tão logo a gente se aproxima, ela se abre. Nem precisa dizer “abre-te Sésamo”. Abraçamo-nos, trocamos algumas palavras, entramos no carro dele e partimos. Ao chegarmos, um cachorro pastor alemão, bonito e brabo, veio nos receber. O Lothar o manteve a distância e os latidos cessaram. O cachorro é amestrado e obediente. Gostei dele. Lembrei do Bóris. À porta da sala, a esposa do Lothar nos recebeu com um largo e simpático sorriso. Sentimos que éramos bem-vindos ao lar dos nossos amigos. Lá estavam Larissa (filha do casal) Waldir (amigo de juventude do Lothar), a esposa Marília e a comadre Janete. Almoçamos bacalhau e salada e tomamos vinho, cerveja, refrigerante e água mineral. Sobremesa: torta de morango. Tudo delicioso! Ao entardecer, Jussara e eu voltamos para o hotel. Lothar nos levou. Passamos em frente ao hotel e o perdemos de vista. Mágica do Lothar. Ele colocou disco para ouvirmos música enquanto entrava e saía de ruas e avenidas, subia e descia ladeiras. Quase chegamos a Atibaia. Depois de 600 horas de vôo, ele conseguiu aterrissar em frente ao hotel. Comemoração dos 70 anos!
19,30 horas. A moça da portaria do hotel chamou taxi. Rumamos para a sociedade hípica (a Jussara e eu; a moça ficou no hotel). Começou a chover forte, uma tempestade de vento, raio e trovoada que nos reteve dentro do taxi. Passados alguns minutos, saímos correndo. A chuva não parava e se intensificou novamente. A senhora do restaurante nos emprestou uma barraca de mesa externa a guisa de guarda-chuva para chegarmos ao local da festa, onde ficamos até as 23,00 horas quando, chamado por Jussara, o taxi nos foi buscar.

quinta-feira, 3 de março de 2011

TERAPEUTICA

Cura pela razão e pela fé – Capítulo final.

Vozes recriminadoras e moralizadoras pronunciam o discurso da degradação humana desde os primórdios da civilização. No Médio Império do Egito (2100/1800 a.C.) já se ouvia a censura: o país está mergulhado em um pântano de depravação, corrupção, desonestidade e cobiça. Na Palestina (875/405 a.C.) profetas vituperavam o povo hebreu e seus governantes. Invectivas pelos opróbrios foram lançadas contra pessoas e instituições nas idades Clássica (Grécia e Roma), Média (Europa) e Moderna (Europa e América). O ceticismo, a amargura, a desilusão, o fanatismo, motivam e provocam esse tipo de discurso. Quando saudosista, o discurso considera o passado melhor do que o presente.

Alguns avatares, como Aquenaton, Zaratustra, Sidarta, Lao Tse, Jesus, Maomé, Gandhi, ensinaram fórmulas para a cura dos males denunciados. A fórmula de Jesus alicerça-se no amor: (i) “Amarás o senhor teu deus de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo teu espírito.” (ii) “Amarás teu próximo como a ti mesmo”. (Mateus 22: 37,39 + Marcos 12: 30,31). Se a pessoa for incapaz desse amor a Deus e a si mesma, será incapaz de amar a natureza e o próximo. Conviverá lastreada exclusivamente nos apetites e no interesse privado, óbice à harmonização e à cura espiritual. Apesar dos milênios da civilização, permanece o dissenso a respeito da imagem e do conceito de Deus. A divergência gerou inimizades, conflitos, perseguições, torturas, prisões, mortes. Diante dessa realidade, cada qual cultuar Deus em seu coração afigura-se mais importante do que buscar um consenso inatingível. Pouco importa se a imagem e o conceito que José faz de Deus seja igual ao de Maria. Importa amar a Deus sincera e profundamente, orar com fervor e se manter vigilante todas as horas. Isto levará à comunhão com Deus. Disto resultará a vacina contra todos os males. Do amor sincero ao próximo pode resultar o saneamento dos distúrbios sociais e individuais. Ama ao próximo como tu mesmo e ambos serão unos em Deus.

Os indivíduos recorrem à medicina alopática e homeopática, psicanálise, fisioterapia, acupuntura, mediunidade espírita, magia indígena, receitas caseiras, na busca de cura para as moléstias físicas e psíquicas. Quanto a debelar as moléstias sociais, a disposição de animo parece menor. Os povos conservam as matrizes da dominação e da agressividade. Há forte resistência, mesmo na cultura tribal, à troca dessas matrizes por outras de espiritualidade lúcida e de convivência fraterna. A doutrina de Jesus, por exemplo, permaneceu no limbo. No solo religioso ocidental floresceu a doutrina de Paulo, gerada naquelas matrizes. Espantoso como um livro, a Bíblia Hebraica (ou Antigo Testamento, na terminologia da igreja “cristã”), que brotou da imaginação de um escritor judeu (Esdras) no século IV a.C (400/301) influiu na civilização ocidental tanto quanto a herança cultural transmitida pelos egípcios, caldeus, gregos e romanos!

A influência desse livro seria menor se Jesus não o tivesse citado, se não houvesse referência nas epístolas e nos evangelhos. O histórico fato indica a inclinação dos povos à fantasia. Diante das asperezas da vida, refugiam-se na ilusão. O medo, a ignorância, a tradição, o comodismo, a via do menor esforço, a preguiça mental, a ausência de crítica, são válvulas de fuga. Os véus do engodo substituem a crua realidade. Justificativa comum: “não gosto de política e religião não se discute”. Essa cômoda abstenção favorece aos profissionais da política e da religião que, assim, encontram o terreno lavrado para as sementes do autoritarismo e da exploração. Nesse contexto, o povo é nivelado a rebanho. Os brasileiros têm uma expressão jocosa para essa passiva disposição de espírito: “me engana que eu gosto”.

Parcela da humanidade mostra-se ora renitente, ora reticente, dominada pelos donos do poder espiritual (padres, pastores, missionários, rabinos, aiatolás, gurus) e pelos donos do poder secular (industriais, comerciantes, agropecuaristas, políticos) interessados em conservar as matrizes que os beneficiam. No Ocidente, outra parcela da humanidade reagiu nos anos 60 e seguintes do século XX: emancipação da mulher, do negro, dos indígenas e dos homossexuais; quebra de tabus, liberação sexual, consumo de drogas, rechaço aos costumes das gerações anteriores; arte popular valorizada (teatro, música, folclore); modelo consensual na família e na escola (alternativa ao modelo patriarcal e autocrático); recusa dos jovens de participar da guerra; pacifismo de Jesus e Gandhi (paz e amor nas relações humanas, solução pacífica das controvérsias nacionais e internacionais, fim da guerra fria); esforços conjuntos na conquista espacial em lugar da disputa por hegemonia; união dos países europeus historicamente inimigos; ecumenismo, cooperação entre os povos visando: (i) progresso da humanidade (ii) erradicar a fome (iii) socorrer flagelados (iv) reduzir desigualdades (v) defender o planeta contra a poluição (buscar fontes de energia limpa, executar medidas preservacionistas).

O que parecia utópico verificou-se factível: mudança de paradigma no mundo. Esse processo ainda enfrenta pesados entraves. A conferência mundial para defesa do clima no planeta realizada no Japão (Kyoto, 1997) colocou a descoberto o desinteresse de algumas nações pela cura das doenças coletivas. A redução das fontes de poluição não interessa aos países industrializados. A distribuição equitativa dos recursos naturais não interessa a algumas nações. A paz não interessa à indústria de material bélico. A cura pela raiz não interessa à indústria farmacêutica. Há governos interessados em provocar conflitos, invadir e controlar outros países. Há governantes empenhados em abarrotar de dinheiro os seus cofres particulares sem se importarem com a penúria do povo. Há padres, pastores, missionários, rabinos, aiatolás, gurus, que buscam o seu próprio enriquecimento e lesam a boa fé dos crentes com as falsidades da tradição, do milagre, das promessas de salvação e outras fraudes ensejadas pelas escrituras “sagradas”.

Abrir as portas do coração a Deus, sem intermediários, sem idéias vãs, sem crenças ilusórias, sem procedimentos coercitivos, possibilita entendimento e fraterna convivência quer entre pessoas, quer entre nações.

terça-feira, 1 de março de 2011

TERAPEUTICA

Cura pela razão e pela fé – X.

A cura dos males da humanidade exige mudança da ótica mecanicista para a holística, o que já vem acontecendo graças à expansão da consciência ecológica. Até o século XVI (1501/1600) a economia não estava isolada da estrutura da vida social e política, nem havia sistema nacional de mercado. A corrente iluminista e a revolução científica abriram caminho à economia moderna: empirismo + materialismo + individualismo + pragmatismo + raciocínio crítico. No atual século XXI (2001/2100) parcela da humanidade reage a esse modelo que se mostrou insalubre, inconveniente, gerou graves distúrbios ecológicos, biológicos, psíquicos e sociais em todo o orbe.

Agir efetivamente após essa tomada de consciência implica substituir gradualmente o modelo competitivo por cooperativo, o cartesiano pelo holístico. A cura dos males sociais e individuais depende dos recursos da ciência e da espiritualidade aplicados segundo uma visão holística. O modo de vida gerado por um sistema social e econômico tem reflexos na saúde do povo. Poluição, droga, crime, violência, corrupção, prostituição, licenciosidade, miséria, fome, são distúrbios decorrentes do sistema. Na esfera individual, o sistema gera doenças somáticas e psíquicas; alguns remédios têm efeitos colaterais mais nocivos do que a doença que combatem; à indústria farmacêutica só interessa o lucro e o crescimento do mercado consumidor. Se a geratriz dos distúrbios não mudar, o estado mórbido persistirá.

Vida saudável implica harmonia entre: (i) as partes internas do corpo; (ii) a mente e o corpo; (iii) o organismo e o ambiente natural; (iv) os membros da comunidade nacional; (v) as nações do mundo; (vi) a humanidade e a dimensão espiritual do universo.

Essa harmonia implica efetiva preservação da dignidade humana. Não haverá harmonia, paz, fraternidade, enquanto: (i) os direitos fundamentais do ser humano não forem reconhecidos e respeitados; (ii) as potencialidades físicas, intelectuais e espirituais do ser humano não puderem ser atualizadas; (iii) houver nacionalismos exacerbados e governantes tirânicos ou desonestos (iv) a força e a violência forem os meios empregados para solucionar divergências ou submeter pessoas e nações; (v) a natalidade continuar sem controle; (vi) o risco de uma hecatombe nuclear não for eliminado; (vii) as fontes de energia não forem acessíveis a todos os povos; (viii) os benefícios da civilização não forem distribuídos equitativamente a toda a humanidade; (ix) a espiritualidade estiver ausente das relações humanas; (x) a competição prevalecer sobre a compaixão.

No que concerne à harmonização espiritual, a cura dos males depende da fé que desloca montanha (Marcos 11: 22/23 + Lucas 17: 6). Nesse estágio, a fonte curadora é a mente divina presente em cada ser da natureza. Fé intensa libera substâncias regeneradoras no organismo. A pessoa pode ignorar esse mecanismo e assim mesmo a cura se realizar. Isto significa que a importância maior para a cura é a crença inabalável em Deus, no governo do universo pela mente divina, no poder regenerador dessa mente.

Na busca da pedra fundamental da matéria, a ciência mergulhou no átomo, encontrou o elétron e o núcleo. No interior do núcleo encontrou elementos, uns gerando os outros, ora como partículas, ora como ondas. As causas não foram identificadas, inclusive a do salto do elétron de uma órbita a outra no interior do átomo. Segundo uma das teorias dos físicos contemporâneos, esses elementos se organizam de modo autônomo e inteligente. Nesse universo microscópico o caos aparente oculta certa ordem (ou certos padrões). Não há pedra fundamental e sim processos ordenadores de energia. Os místicos aí identificarão a incidência da mente divina, presente e atuante em cada átomo, molécula, célula, tecido e órgão do corpo. Colocar-se em harmonia com essa mente é elevar-se a um estado de consciência incomum. Deixando-se absorver na mente divina o paciente se mantém vivo e se livra da doença, ainda que a ciência a considere incurável. Para a mente divina, nenhum mal é incurável. “O que é impossível aos homens é possível a Deus” (Lucas 18: 27).

Dir-se-á que esse poder da mente divina traria vida eterna ao ser humano. Hipótese atraente, mas irreal. Esse poder traz vida longa, mas não eterna. O que no mundo natural nasce no mundo natural perece. Essa é a lei. Todo corpo físico se desgasta, muda de forma até se tornar energia incorpórea, variando apenas a duração. Ninguém sobe aos céus com o corpo, nem Elias, nem Jesus, ou qualquer outro, salvo em aeronave. A cura divina permite que a vida humana, no estrito significado biológico, termine – não por doença – e sim por desgaste do corpo decorrente do seu ininterrupto funcionamento.

Sem livrar-se das fantasias contidas nos textos religiosos, sem escapar do estelionato praticado por rabinos, aiatolás, gurus, padres, pastores, missionários, sem desvelar a propaganda enganosa, sem resistir à coação moral imposta pelas instituições religiosas, sem encarar a realidade social e a hipocrisia política, a civilização ocidental continuará vítima dos males resultantes dessa omissão.

A liberdade de pensamento desconforta os profissionais da exploração religiosa. O exame das escrituras fora do clero é visto como heresia. Os profissionais da fé religiosa incutem medo no espírito dos fiéis. Estes são ameaçados com a ira divina e castigos imaginados pelos espertos escritores dos textos religiosos que se dizem inspirados por Deus. Desvirtuam a religiosidade e mantêm o rebanho na ignorância. Rabinos, aiatolás, gurus, padres, pastores, missionários, passaram à categoria de estelionatários e os crentes à categoria de otários. A cega fé dos otários favorece a safadeza dos estelionatários.

A asfixia da voz de Cristo, a que aludiu o papa Bento XVI, não ocorreu agora, na sociedade contemporânea. Começou com Paulo, na aurora do movimento cristão e prosseguiu nos concílios. Ao se institucionalizar, a igreja calou a voz de Cristo. A igreja ecoa a voz farisaica de Paulo e não a voz cristã de Jesus.

domingo, 27 de fevereiro de 2011

TERAPEUTICA

Cura pela razão e pela fé – IX.

O sítio do “Le Monde”, na rede mundial de computadores, divulgou a síntese da encíclica Fides et Ratio, do papa João Paulo II (final de 2008 ou início de 2009). O sumo pontífice manifestava a esperança de reaproximar da religião católica, a filosofia e a ciência, sem prejuízo das respectivas autonomias. O papa se opunha ao positivismo, pragmatismo, historicismo e ao niilismo filosófico e científico, por incompatíveis com a crença em valores universais, absolutos e perenes. Revelava preocupação com a dissolução dos costumes e com todos os males da civilização gerados pelo moderno e equivocado divórcio entre a fé e a razão. A mensagem do papa enseja algumas ponderações.

A separação entre fé e razão constitui problema religioso e filosófico na civilização ocidental cristã. Os povos orientais (salvo os islamitas) influenciados pelo hinduísmo e pelo budismo tiram lições de vida observando a natureza e utilizando vias racionais e emocionais. Os indivíduos consideram-se parte de uma unidade transcendental e vivem a comunhão social como reflexo da lei divina. Isto ajuda a fortalecer a coesão na família e na sociedade; facilita a disciplina social e a realização dos objetivos do Estado. Os povos ocidentais, influenciados pelo judaísmo cristão ou cristianismo judeu, criado por Paulo e sua igreja, colocam ênfase no valor da pessoa natural (primazia do macho) com destino singular no mundo. Essa atitude propicia o individualismo e a separação entre fé e razão, entre igreja e comunidade científica.

A filosofia perene, substrato dos ensinamentos das escolas de mistérios antigas e modernas (rosacruzes, maçons, pitagóricos) com raízes egípcias, caldéias, babilônicas, hebraicas e gregas, coloca em plena harmonia as dimensões instintiva, emocional e racional do ser humano. Para os adeptos dessas escolas, a separação entre fé e razão não chega a ser um problema. Acreditam na existência de um ser divino a quem denominam Deus, Absoluto, Grande Arquiteto do Universo. A razão é a base e o ponto de partida para a busca das verdades espirituais. Cultivando-a, os adeptos procuram conhecer a si próprios e ao mundo em que vivem. Em sintonia com a natureza, aceitam o seu corpo sem desprezá-lo, e os instintos, sem pervertê-los. Servem-se do método racional. Vencida a etapa racional, garimpam novas respostas através da oração, da meditação, da harmonização com o divino, pelos caminhos da fé, certos de que trilharão a senda espiritual e alcançarão a luz maior se houver merecimento, sincero e persistente esforço para a compreensão de si mesmos e do mundo.

Segundo a lenda, Lavoisier costumava, antes de entrar no laboratório, depositar a bíblia no vestíbulo, artifício para não misturar a sua fé religiosa à sua fé na ciência. Norbert Wiener afirma que a ciência repousa na fé, embora fé não religiosa (“Sociedade e Cibernética”). Em abono à sua tese, o renomado cientista diz que não se pode demonstrar cientificamente: (i) que a probabilidade seja uma noção válida; (ii) que a natureza esteja submetida a leis. Diz, ainda, que podemos nos servir da lógica indutiva de Francis Bacon, porém, não podemos provar indutivamente as suas leis. Agir com base nessa lógica, constitui ato de fé. E arremata: “A ciência é um modo de vida que só pode florescer quando os homens têm liberdade de ter fé”.

A modernidade e seu estilo de vida a partir do século XVII (1601/1700), na Europa, trouxeram doenças sociais e individuais. A tomada de consciência é passo importante para a cura. A fé religiosa, a fé mística e a fé laica contribuem poderosamente para o processo de cura. Fé em Deus, nos santos, nas leis da natureza, na medicina, no terapeuta, em si mesmo, na capacidade humana para resolver problemas e enfrentar desafios, produz bons frutos, consoante lições da experiência comum. Todavia, a terapia continuará a ser paliativa se não houver mudança de paradigma. André Stéphane adverte: “não pode haver revolução fundada numa recusa da realidade” (citado por Jean-François Revel no seu livro “Nem Marx, nem Jesus”). Revolução pacífica e silenciosa. O mundo há de ser visto com realismo, sem fantasia, sem ilusão, a fim de se curar dos males que o afligem. Encarando a realidade é possível alterá-la de modo eficaz e adequado. “Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará” (João 8: 32).

Atuar nas causas mediatas e não apenas nos sintomas e nas causas imediatas é o caminho seguro para a cura plena. Tomar consciência da unidade fundamental: Deus + Natureza (+ ser humano). O separatismo cartesiano contribuiu para os males da civilização ocidental. Para arredá-lo é necessário tomar consciência: (i) da conexão entre todos os fenômenos da natureza; (ii) da interdependência de todos os povos do planeta; (iii) de que pertencemos, concomitantemente, ao mundo natural (criado por Deus) e ao mundo cultural (criado pelo homem); (iv) de que o mundo cultural não existiria sem o mundo da natureza, inaplicável a recíproca, eis que o mundo da natureza pode subsistir sem o mundo da cultura; (v) de que o homem, como ser da natureza, comunga as leis divinas com todos os seres do universo (vi) de que as leis do mundo cultural são flexíveis, mudam com o vento e perecem com as civilizações; (vii) de que a solidariedade natural torna-se mais valiosa sob o signo da honestidade e da fraternidade.

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

TERAPEUTICA

Cura pela razão e pela fé – VIII.

Paulo criou um judaísmo cristianizado e um cristianismo judaizado. Discriminou as mulheres seguindo a tradição hebraica. “Penso que seria bom ao homem não tocar mulher alguma. Todavia, para evitar incontinência, cada homem tenha sua mulher e cada mulher o seu marido”. “Mas quero que saibais que senhor de todo homem é Cristo, senhor da mulher é o homem”. “Como em todas as igrejas dos santos, as mulheres estejam caladas nas assembléias: não lhes é permitido falar, mas devem estar submissas como também ordena a lei; se querem aprender alguma coisa, perguntem-na em casa aos seus maridos” (Coríntios, 7: 1,2; 11: 1,3; 14: 34,35). “Esposas, sede submissas ao próprio marido, como convém ao Senhor” (Colossenses 3: 18).

Paulo desprezou o exemplo do grande mestre. Jesus acolhia homens e mulheres, adultos e crianças. No apostolado havia mulheres. Elas o acompanharam e apoiaram nas jornadas pelo território palestino (Galiléia + Samária + Judéia). Ele se casou com uma delas. A ceia do cordeiro (pascal) era na sexta-feira. Por algum motivo Jesus a realizou na quinta-feira com os seus discípulos e não só com os 12 apóstolos, circunstância que inclui as mulheres. (João 13:1; Mateus 26: 17/19; Marcos 14: 12/17; Lucas 22: 7/20). Lá estavam elas em frente ao palácio de Pilatos. Seguiram Jesus por toda a via crucis. Verônica enxugou-lhe o suor e o sangue do rosto cuja imagem ficou estampada no pano (ou véu) utilizado. (Essa passagem talvez seja lenda, pois não consta do NT; talvez seja real, mencionada em livro não incluído no NT, como o evangelho de Felipe e o evangelho de Maria Madalena. O pano ou véu, falso ou verdadeiro, estaria entre as relíquias de São Pedro, em Roma, por volta do ano 700). Os marmanjos que diziam amar Jesus debandaram com medo de represálias (salvo João). As mulheres retiraram Jesus da cruz, envolveram-no em lençol de linho e o colocaram no sepulcro. José de Arimatéia e Nicodemus, que não eram apóstolos e sim príncipes judeus admiradores de Jesus, prestaram auxílio. Embora a crucifixão e o sepultamento tenham ocorrido na sexta-feira, Madalena e outras mulheres só voltaram ao sepulcro no domingo, com os perfumes para ungi-lo, porque a lei mosaica, imposta a todos os palestinos, proibia atividades no sábado. Jesus não estava mais lá.

Palavras de Jesus aos apóstolos, ignoradas por Paulo: “Sabeis que os chefes das nações as subjugam e que os grandes as governam com autoridade. Não seja assim entre vós. Todo aquele que quiser tornar-se grande entre vós, se faça vosso servo. E o que quiser tornar-se entre vós o primeiro, se faça vosso escravo” (Mateus 20: 25/27; Marcos 10: 42/44; Lucas 22: 25/26). Visando a harmonia no seio da congregação, Jesus adverte: “Nisto todos conhecerão que vós sois meus discípulos: se vos amardes uns aos outros” (João 13: 34/35); “não vos façais chamar rabi, porque um só é vosso preceptor e vós sois todos irmãos” (Mateus 23: 8). Para evitar o “primus inter pares”, Jesus constituiu o colégio com um numero par de apóstolos: 12. Obediência “interna corporis” por reverência e não por subordinação.

Contrariando a organização e os fins preconizados por Jesus, a igreja se hierarquizou. Passo a passo, foi reduzindo a liberdade inicial. Primeiro passo: anciãos e sacerdotes se constituíram em colégios; o culto e o ensino passaram dos lares para prédio exclusivo, realizados na forma eclesiástica. Segundo passo: quem rejeitasse total ou parcialmente a doutrina elaborada pelo colégio de presbíteros (anciãos + sacerdotes) era expulso da comunidade (excomunhão). Terceiro passo: os presbíteros da cidade principal de uma região ou de uma província tomam o nome de bispos metropolitanos e se revestem de autoridade sobre os presbíteros das paróquias. (Tiago, irmão de sangue de Jesus, tornou-se bispo de Jerusalém). Quarto passo: os bispos das comunidades maiores e mais importantes como Constantinopla, Antioquia, Alexandria e Roma tomam o nome de patriarcas e se revestem de autoridade sobre o clero das suas respectivas circunscrições no século V (401/500). Quinto passo: o patriarca de Roma, apoiado no decreto do ano 455, expedido pelo imperador Valentiniano III, revestiu-se de autoridade universal sobre toda a comunidade cristã, adotou o título de “Pontifex Maximus” e se declarou sucessor do apóstolo Pedro. O Concílio do Vaticano acrescentou o dogma da infalibilidade no que tange à doutrina sobre fé e moral (1870).

Impostura e incoerência. Ainda que sucessão houvesse – apesar de decorridos 370 anos entre a morte de Pedro e a criação do papado – o sucedido seria Paulo, o fundador da igreja, e não Pedro, o apóstolo de Cristo. O poder pontifical se estendeu sobre reis e reinos. No período da história européia entre os séculos V e XIII (401/1300) o papado preencheu o vazio deixado pela queda do império romano. Com a extinção do regime feudal e a conquista da soberania laica pelos monarcas europeus, o império secular da igreja católica desmorona. O império espiritual (unidade católica) também ruiu com o advento do protestantismo no século XVI (1501/1600) seguido, nos séculos posteriores, da expansão do islamismo e da invasão das doutrinas e práticas orientais no Ocidente (hinduísmo, budismo, ópio). Antes disto, houve reação aos desvios éticos e ao formalismo da igreja, movimentos religiosos de retorno ao cristianismo simples de Jesus. Exemplos: (i) os “Pobres de Lião” (ou Valdenses, por causa do nome do seu fundador Pedro Valdo), no final do século XII (1101/1200) no sul da França, de origem tradicional nos apóstolos de Cristo; (ii) os “Irmãos da Vida Comum”, no século XV (1401/1500), nos países baixos e na Alemanha, cuja doutrina foi exposta por Thomas Kempis no livro “Imitação de Cristo” (1453).

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

TERAPEUTICA

Cura pela razão e pela fé – VII.

Intelectualmente mais preparado do que os apóstolos, doutor nas escrituras judaicas, aguerrido e ambicioso, Paulo assumiu a liderança após superar a resistência da comunidade cristã. A resistência deveu-se aos sofrimentos que Paulo havia causado aos cristãos somados ao fato de ele ser adventício. Os membros da congregação desconfiavam da sinceridade de Paulo. Ele teve a petulância de censurar Pedro, apóstolo da primeira hora e presidente do colégio apostólico, na presença dos demais apóstolos e seguidores: “Se tu, que és judeu, vives como os gentios e não como os judeus, com que direito obrigas os pagãos convertidos a viver como os judeus?” (Epístola aos Gálatas 2: 11/14).

Censura equivocada e injusta, além de petulante e subversiva. Pedro a ninguém obrigava, porque a lição de Jesus era a de não obrigar pessoa alguma. Pedro deixava a cada pagão convertido a opção de se circuncidar ou não. Quanto à naturalidade, Pedro, tal como Jesus, era galileu (natural da Galiléia); ambos nunca foram judeus (naturais da Judéia). No episódio do Sinédrio, Pedro foi ameaçado e Jesus insultado porque ambos eram gentios, ou seja, estrangeiros em relação à Judéia e ao judaísmo (Mateus 26: 69,73; Marcos 14: 70; Lucas 22: 59). Antes desse episódio, Jesus, por ser gentio, quase foi apedrejado pelos judeus: “Responderam então os judeus: Não dizemos com razão, que és samaritano e estás possesso de um demônio?” (João 8: 48). Jesus só negou estar possesso.

Vil e oportunista, Paulo serviu-se daquela censura para mostrar à comunidade cristã que a sua autoridade era maior do que a de Pedro. Conseguiu. Suas epístolas, escritas entre os anos 50 e 60, precederam os livros de Mateus, Marcos, Lucas e João. Percebe-se notável influência das doutrinas contidas nas epístolas de Paulo sobre o espírito dos evangelistas. A igreja selecionou aqueles quatro livros para compor o Novo Testamento. Isto ocorreu no século IV (301/400) durante os concílios africanos de Hipona e Cartago. A seleção foi confirmada nos concílios europeus de Florença, no século XV (1401/1500) e de Trento, no século XVI (1501/1600). Dezenas de livros (rolos) – inclusive de autoria atribuída a outros apóstolos – não foram incluídos nesse testamento. Entraram apenas os rolos (livros) que convinham ao clero.

Paulo ditou regras incompatíveis com a mensagem de Jesus. Soa falsa a narrativa das curas que ele afirma ter feito. Transparece a intenção de se mostrar igual a Jesus em poder espiritual e autoridade moral, de exibir superioridade em relação aos demais membros do apostolado e de se substituir a Jesus no coração e na mente dos seguidores. Em ato falho, Paulo revela aquela intenção quando diz: “Isto aparecerá claramente no dia em que segundo o MEU evangelho, Deus julgar as ações secretas dos homens, por Jesus Cristo.” (Epístola aos Romanos 2: 16). A palavra “evangelho” significa “boa nova”. Examinada a sua aplicação no texto do Novo Testamento, ver-se-á que a novidade a que se referia era a chegada do messias, encarnado por Jesus. Isto, para os judeus, significava o fim de uma longa espera, o advento da nova doutrina trazida por Jesus e a sua missão terapêutica e redentora (libertá-los das suas misérias e cegueira física, mental e espiritual). A doutrina era divulgada oralmente por Jesus e apóstolos. Após a morte de Jesus, houve divulgação também por escrito a partir do ano 50, primeiro pelas cartas dos apóstolos e depois pelos relatos em rolos (livros) denominados “evangelho segundo fulano, segundo beltrano ou cicrano”, nem sempre escritos pelo próprio apóstolo. Esses livros, além da doutrina e das curas, narravam momentos da vida e da morte de Jesus e de João Batista. A missão terapêutica e redentora era exercida mediante a palavra, o exemplo e a ação direta de Jesus e seus apóstolos. Sem fé, não havia cura nem redenção.

Paulo atribui a si próprio a missão de anunciar o “evangelho de Deus” (e não de Jesus). Falsamente, afirma ter sido escolhido apóstolo por Jesus e o coloca na linhagem real de Davi (Epístola aos Romanos 1: 1/3). A mentalidade farisaica de Paulo emerge inúmeras vezes.
Exemplo: dizendo-se portador do espírito santo, Paulo provoca cegueira no mago Élimas. O pecado do mago foi argumentar contra as razões expostas por Paulo no debate diante do proconsul Sérgio Paulo, em Chipre (Atos dos Apóstolos 13: 8/11). Sem argumentos para a réplica, Paulo recorreu à maldade. Este episódio, ainda que se inclua no rol das mentiras de Paulo, revela a sua distância do espírito cristão. Paulo teria agido como agiria Jeová, o cruel e vingativo deus hebreu, e como agiam os judeus em sintonia com a sanguinária lei de Moisés. O perfil de Jesus e do Pai Celestial desenhado pelos evangelistas não se encaixa naquele perverso modo de agir. Na altercação com os judeus, Jesus evidencia a distinção entre o seu Deus e o deus dos hebreus: “Vós sois filhos do diabo e quereis cumprir o desejo do vosso pai; ele era homicida desde o princípio e não permaneceu na verdade porque a verdade não está nele”. “Meu Pai é que me glorifica, aquele que vós dizeis ser o vosso deus e, entretanto, vós não o tendes conhecido, mas eu o conheço” (João 8: 44, 54, 55).
Outro exemplo: Barnabé, apóstolo de Cristo, fundador da igreja em Antioquia, preparava-se para uma viagem supervisora às igrejas de várias cidades e pretendia levar João Marcos com ele. Paulo se opôs tenazmente, porque o seu escolhido era Silas. Discutiram acidamente. Separaram-se. Barnabé e João Marcos partiram para Chipre; Paulo e Silas para a Síria (Atos dos Apóstolos 15: 36/40). Em mais de uma ocasião, Paulo revelou esse temperamento ditatorial e arreliento. Por causa disto, ele foi surrado e expulso de algumas cidades. Essa reação de judeus e pagãos não era motivada pela exposição da nova e deturpada doutrina, mas sim pelo modo agressivo e ofensivo pelo qual Paulo a pregava.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

TERAPEUTICA

Cura pela razão e pela fé – VI.

O papa Urbano II convoca um concílio e exorta os senhores feudais a guerrear os turcos e tomar Jerusalém (século XI – 1001/1100). Começam as cruzadas, a mortandade e os saques. A igreja patrocinou direta e indiretamente este e outros episódios contrários ao espírito cristão, tais como: as batalhas contra os mouros na Espanha, os horrores da inquisição, as nebulosas relações do Vaticano com o governo nazista da Alemanha. Fizeram da igreja um Estado soberano com sede em pequena área da cidade de Roma (Vaticano) desprezando a lição de Jesus sobre o divórcio entre política e religião: dar a César, o que é de César e a Deus, o que é de Deus (Mateus 22: 21; Marcos 12: 17; Lucas 20: 25).

Ao contrário da política da igreja, a doutrina de Jesus é pacifista e amorosa. Jesus tomou como sua própria, a piedosa missão descrita pelo profeta Isaías: anunciar a boa nova aos humildes, a redenção aos cativos, a restauração da vista aos cegos e curar os corações doloridos (Lucas 4: 18; Isaías 61: 1). Os ditames da lei de Jesus distinguem-se dos ditames da lei de Moisés. Ao contrário deste, o grande mestre diz: “Não resistais ao mau; se alguém te ferir a face direita, oferece-lhe também a outra. Se alguém te citar em justiça para tirar-te a túnica, cede-lhe também a capa. Amai vossos inimigos, fazei bem aos que vos odeiam, orai pelos que vos maltratam e perseguem” (Mateus 5: 38/44). Jesus rejeitou a lei mosaica de amar o amigo e odiar o inimigo, do olho por olho, dente por dente (lei do talião inscrita no código de Hamurabi).

Em nível existencial, católicos e protestantes são judeus. Alicerçam-se no Antigo Testamento e cultuam a Jeová. O evangelho de Jesus é figura decorativa para salvar aparências. Paulo de Tarso deu contornos judaicos à igreja e fundou um falso cristianismo. Nascido romano, na cidade de Tarso, no seio de família de judeus fariseus, Paulo teve Gamaliel como preceptor, notável doutor da lei mosaica. Fariseu, iniciado na doutrina judaica desde a juventude, perseguidor de cristãos, Paulo, em certo momento, resolveu mudar de lado. Inventou o encontro na estrada de Damasco e que ficara cego com a luz que emanava de Jesus. Paulo não conheceu Jesus em vida. Inventou a cegueira para evitar o risco de descrever Jesus aos apóstolos e se ver desmascarado. Havia apóstolos ainda vivos, como Pedro e João, que conheceram Jesus pessoalmente e poderiam desmascarar Paulo se a descrição não fosse correta. A aparência de Jesus antes da crucifixão era a de um nazareno; depois da crucifixão era a de uma pessoa comum. O episódio inventado por Paulo teria ocorrido de 6 a 10 anos depois da crucifixão, entre os anos 36 e 40 da era cristã.

Jesus nunca cegaria pessoa alguma, bem ao contrário, curava a cegueira física e mental. A luz que emanava de Jesus era espiritual e não física; ao invés de cegar, iluminava a personalidade anímica de cada ser humano. Na mentira contada por Paulo, influiu a sua formação judaica. Na cultura judia imagina-se a divindade cruel, raivosa, vingativa, que fere e mata. Traído por sua arquitetura mental e seu berço cultural, Paulo atribuiu a Jesus características da divindade judia. Entretanto, conforme se extrai das narrativas do Novo Testamento, outros eram os atributos da personalidade de Jesus: sabedoria, humildade, sinceridade, fortaleza, tolerância, bondade, fé inabalável no Pai Celestial (e não em Jeová). A expulsão dos mercadores que negociavam no templo foi um ato de indignação que não implicou violência contra pessoas e sim contra mercadorias e moedas expostas. As demais agressões contra pessoas e cidades foram verbais. Exemplo: Jesus chamava de hipócritas os sacerdotes e escribas judeus que não praticavam o que ensinavam; praguejava contra Corozaim, Besaida e Cafarnaum, por considerá-las cidades impenitentes (Mateus 11: 20/24 + 23: 13/29).