terça-feira, 14 de junho de 2011

DIREITO2

Caso Battisti. Continuação. Ao afirmarem que o Supremo Tribunal Federal (STF) saiu diminuído com a decisão sobre esse caso, os internautas (talvez da geração posterior a 1964) provavelmente desconhecem que a paulatina perda de qualidade desse tribunal começou com a sua mudança para Brasília e se acentuou após 1988. Juristas de porte, como o saudoso Miguel Reale, recusaram o convite para integrá-lo. Preferiam permanecer com suas bancas e cátedras em São Paulo e Rio de Janeiro. Juristas menores passaram a se candidatar; não esperam convite, oferecem-se; cavam a nomeação; devem favores.

De acordo com a Constituição brasileira, a extradição não será concedida na hipótese de crime político ou de opinião. Recepcionado pela Constituição de 1988, o estatuto do estrangeiro (leis 6.815/80, 6.964/81, decreto 86.715/81) arrola casos em que o pedido de extradição será negado, entre os quais, os seguintes: (i) não ser crime no Brasil o fato atribuído ao extraditando (ii) a punibilidade estiver extinta (iii) o requerente sujeitar o extraditando a juízo ou tribunal de exceção. Segundo o estatuto: (i) se o crime político for conexo a crime comum e este constituir o fato principal, a extradição poderá ser concedida (ii) cabe exclusivamente ao STF apreciar o caráter da infração (política ou comum). A esse tribunal o legislador constituinte brasileiro atribuiu competência originária e exclusiva para processar e julgar a extradição solicitada por Estado estrangeiro. Portanto, a decisão do STF vincula os demais poderes. Nos termos do estatuto, nenhuma extradição será concedida sem que o STF se pronuncie sobre sua legalidade e procedência.

O tribunal exerce poder político do Estado brasileiro na sua expressão jurisdicional: controla a constitucionalidade dos atos do poder público, declara o direito, resolve controvérsias, processa e julga questões postas por Estados estrangeiros e organizações internacionais. Quanto ao pedido de extradição, cabe ao STF apreciá-lo e ao Executivo agir em sintonia com a decisão judicial. O descumprimento das decisões judiciais pelo chefe de governo tipifica crime de responsabilidade. O presidente do Brasil descumpriu a decisão do STF que julgara legal e procedente o pedido de extradição. Proferiu julgamento contrário ao do tribunal quando a participação do governo strito sensu (ministério, polícia federal) limita-se à fase de execução do decisum. A Constituição Federal não outorga esse poder de julgar ao presidente da república. Apesar disto, o STF abdicou da sua competência exclusiva e delegou a palavra final ao presidente.

Para escapar ao processo por crime de responsabilidade, garantir a eleição da sua candidata, resguardá-la no início do novo governo da tarefa relativa à extradição, o então presidente da república deixou o assunto para os últimos dias do seu mandato. Como a aferição da constitucionalidade dos atos dos agentes públicos cabe ao STF, o governo italiano submeteu o ato decisório do presidente ao crivo do Judiciário. Aí, a questão jurídica da competência foi engolfada pela questão política da soberania, artificialmente chamada à balha. Venceu a corrente que misturou alhos com bugalhos. Em nome da soberania nacional, a maioria prestigiou o afrontoso ato do presidente da república.

Havia uma pedra no caminho da anterior decisão do STF que concedeu a extradição. De acordo com o estatuto, quando o STF decide pela legalidade e procedência do pedido de extradição, o fato será comunicado ao Estado requerente por intermédio do Ministério das Relações Exteriores. O Estado requerente terá o prazo de 60 dias para retirar o extraditando do território nacional. Ainda assim, a entrega do extraditando fica condicionada ao elenco de compromissos a serem assumidos pelo Estado requerente. Desses compromissos consta o de não considerar qualquer motivo político para agravar a pena. No caso Battisti, a pena aplicada foi agravada ao máximo: prisão perpétua. Isto indica provável motivação política.

O processo judicial é um esforço da inteligência humana para se aproximar da verdade, dirimir dúvida, chegar a uma justa solução das controvérsias. A realidade às vezes mostra-se rebelde ao conhecimento. Falsos documentos e depoimentos, perícia tendenciosa, argumentação capciosa, grupos de pressão, sensacionalismo da imprensa, contribuem para empanar a realidade. A falta de acesso ao conteúdo do processo gera juízos precipitados e crítica infundada. Notória a ligação de Battisti com célula terrorista que contestava o regime em vigor na Itália. O terrorista de hoje é o estadista de amanhã. Antes de Israel ser Estado (1948) terroristas judeus militavam na Palestina. Depois, tornaram-se governantes legítimos do novo Estado. Há exemplos desse tipo de sucessão política na história da Europa (Itália, Irlanda) e da América (Brasil, Chile). O desconhecimento dos fatos e a falta de fé no processo geram dúvidas: se Battisti participou dos crimes; em caso positivo, se a participação foi direta ou indireta; se a motivação foi política, social ou econômica.

domingo, 12 de junho de 2011

DIREITO

Caso Cesare Battisti. Finalmente, o rumoroso caso foi resolvido em caráter definitivo pela suprema corte brasileira. Houve protestos dentro e fora do Brasil. Inconformismo com a negativa de extradição. O governo da Itália afirma a antijuridicidade da decisão brasileira, o descumprimento do tratado entre os dois países e ameaça recorrer à corte internacional de Haia. Afirmativas raivosas na rede de computadores sobre a diminuição do Supremo Tribunal Federal (STF) com essa decisão. A diminuição não é recente. Gilmar Mendes e Dias Tóffoli, apesar das reservas dos operadores do direito e da oposição da imprensa e dos internautas, foram nomeados pelos presidentes Fernando Henrique e Luiz Inácio. Quando o presidente Sarney nomeou para o Superior Tribunal Militar pessoa indigna para o relevante cargo, aquele tribunal se recusou a dar posse ao nomeado. Ao STF falta coragem e independência para seguir o bom exemplo. A deficiência intelectual e/ou moral nos julgamentos dos tribunais superiores deve ser debitada ao vigente modelo de preenchimento das vagas que permite ao chefe de governo nomear pessoas desqualificadas. A escolha é pessoal e política; os requisitos constitucionais e legais são simplesmente ignorados; a respectiva satisfação é presumida.

No caso Cesare Battisti, faça-se justiça ao voto do relator, ministro Gilmar Mendes. A sua bem elaborada decisão conforma-se ao direito, quer na esfera nacional, quer na esfera internacional. Manteve coerência com a decisão anterior do STF que julgou legal e procedente o pedido de extradição. Ao invés de cumpri-la, o Executivo prolatou decisão contrária, como se fosse instância jurisdicional hierarquicamente superior à corte suprema. Julgamento político inconstitucional, quiçá represália ao governo italiano por se colocar contra a participação do governo brasileiro no conselho de segurança da ONU.

Ante a gritaria dos inconformados, forçoso reconhecer, a crédito deles, a existência de fatos notórios nacional e internacionalmente: (I) o Brasil é um paraíso de bandidos nacionais (com dinheiro) e internacionais; (II) no setor público deste país, tanto na administração direta como na indireta, grassa a corrupção, a safadeza, a desonestidade, desde vereadores até senadores, desde prefeitos até presidentes da república, desde garis até ministros de Estado; (III) os políticos são eleitos pelo voto popular; isto retrata parcela do povo brasileiro, imagem e semelhança dos eleitos; (IV) os tribunais tendem a favorecer os detentores do poder econômico; bandido do colarinho branco sempre escapa das malhas da justiça (recentemente, o Superior Tribunal de Justiça destruiu todo o legal e eficiente trabalho da polícia federal e da justiça federal de primeira e segunda instância para beneficiar um milionário do setor financeiro, sob o pretexto de que as provas foram obtidas por meios ilícitos).

Hercúlea será a tarefa de mudar 500 anos de história e cultura do povo brasileiro, que inclui costumes como o do jeitinho, do levar vantagem em tudo, da esperteza enganosa, do beneficiar-se por ser amigo do rei (“vou-me embora pra Pasárgada, lá sou amigo do rei” – Manuel Bandeira). Cada brasileiro há de fazer exame de consciência e começar a mudança nele próprio segundo um projeto de vida moldado em princípios éticos, no firme propósito de se guiar pela verdade, justiça e honestidade, sem interpretações sibilinas.

Juristas europeus do século passado defendiam a elaboração de lei que proibisse os juízes de interpretar as leis. Estribavam-se na certeza de que a interpretação judicial serve mais à malícia do que à justiça. A cumplicidade dos juízes com os poderosos acarretou-lhes a antipatia popular, a desconfiança e a falta de apreço, que se traduziram em restrições constitucionais à atividade judicante. O controle da constitucionalidade das leis em alguns países foi confiado a um tribunal constitucional soberano e não aos juízes e tribunais ordinários. Na França esse controle é preventivo e ficou a cargo de um Conselho Constitucional. No Brasil, a desconfiança do povo em relação aos juízes e tribunais resultou na criação de um Conselho Nacional de Justiça.

No caso Battisti invocou-se a vigência dos direitos humanos. Cumpre salientar que, nas relações internacionais, o Brasil rege-se pela prevalência dos direitos humanos. Notórios são os interesses políticos e econômicos que militam contra esses direitos. Parte da doutrina estrangeira está a serviço desses interesses. Afastar a intangibilidade desses direitos interessa, por exemplo, ao Fundo Monetário Internacional, cujo receituário ficará livre de um complicador. No Brasil, não há pena de caráter perpétuo. Apesar de o princípio jurídico do devido processo legal ter sido observado pelo tribunal italiano, como reconheceu a suprema corte brasileira, Battisti foi condenado à prisão perpétua, o que não se compatibiliza com o nosso sistema jurídico constitucional.

sábado, 11 de junho de 2011

FUTEBOL4

O patrocínio de empresas e a intensa propaganda que favorecem um jogador não conseguem remover a verdade histórica sobre os melhores jogadores de todos os tempos: Leônidas, Garrincha, Pelé, Romário, Ronaldo Gaucho, como atacantes; Zizinho, Didi, Gerson, como armadores; Domingos da Guia, Djalma Santos e Nilton Santos, como defensores. Isto sem desdouro de notáveis atacantes, armadores e defensores nacionais e estrangeiros como: Ademir Meneses, Júnior, Leandro, Luis Pereira, Rivelino, Reinaldo, Rivaldo, Ronaldo Nazário, Robinho, Tostão, Zico, Beckenbauer, Di Stefano, Eusébio, Maradona, Messi, Puskas, Sneijder, Zidane. Além desses expoentes, há dezenas de jogadores de alto nível que merecem menção honrosa como: Ademir da Guia, Adriano, Alex, Amarildo, Bebeto, Careca, Carlos Alberto, Clodoaldo, Coutinho, Dirceu Lopes, Edmundo, Edu, Falcão, Ganso, Geovani, Juan, KK, Leivinha, Lúcio, Luis Fabiano, Maicon, Miller, Nelinho, Neymar, Nilmar, Palhinha, Pato, Pepe, Pinheiro, Raí, Renato Gaúcho, Roberto Dinamite, Sócrates, Zagalo, Zé Roberto, Zito, Anelka, Baggio, Ballack, Batistuta, Beckham, Bob Charlton, Breitner, Cambiasso, Cristiano Ronaldo, Cruyff, Cubillas, Deco, Eto´o, Lato, Malouda, Nasri, Ribery, Riquelme, Robben, Rummenigg, Totti, Valderrama.

Futebol é esporte coletivo. As estrelas dependem dos planetas em campo. Nenhum jogador ou técnico é vencedor ou perdedor. O jogo é de equipe contra equipe. Vence, empata ou perde a equipe, não o jogador ou o técnico. Na equipe há jogadores que se destacam por sua maior habilidade como defensor, armador ou atacante, mas sozinho o astro não ganha partida alguma. Quem venceu a copa do mundo de 1958 foi a seleção brasileira e não Didi; quem venceu a copa de 1962 foi a seleção brasileira e não Garrincha; quem venceu a copa de 1970 foi a seleção brasileira e não Pelé; quem venceu a copa de 1994 foi a seleção brasileira e não Romário; quem venceu a copa de 2002 foi a seleção brasileira e não Ronaldo. Esses jogadores tiveram um desempenho destacado, primoroso, contribuíram decisivamente para a vitória, mas nada teriam feito se não fosse o trabalho dos seus companheiros de equipe.

Evidente que uma boa comissão técnica também ajuda muito. Se a equipe é de jogadores medíocres, os resultados serão medíocres, ainda que o técnico seja excelente. Se a equipe é de jogadores de alto nível, os resultados serão positivos, ainda que o técnico seja medíocre, como aconteceu na copa de 1970. Na história dos campeonatos brasileiros constam equipes de nível médio que se classificaram em primeiro lugar graças à competência do técnico, como a do Bragantino e a do Coritiba há alguns anos.

FUTEBOL3

A festa de despedida de Ronaldo Nazário dá margem a questionamento. Chama atenção a ampla divulgação de uma homenagem que não aconteceu com outros grandes e mais qualificados jogadores como Leônidas, Zizinho, Didi, Garrincha, Pelé, Rivelino, Gerson, Zico, Romário. Durante a fase áurea da vida profissional de Ronaldo, no que tange aos fundamentos da arte de jogar futebol, verifica-se que ele era: (i) forte na artilharia, no controle da bola e no drible; (ii) irregular nos passes; (iii) fraco no cabeceio, no escanteio, na cobrança de faltas e no desarme. A festa consistiu na despedida de alguém que já estava despedido há cinco (5) anos, desde o fiasco na copa de 2006, quando a seleção brasileira ficou nas oitavas de final. Ronaldo nunca mais foi convocado para integrar a seleção; não fazia parte da equipe que disputou a copa de 2010. Ora, despedida acontece quando o jogador está preste a sair da equipe. Despedidas se fazem na estação de saída e não depois que o trem partiu para outra estação. Se a intenção era festejar o encerramento da carreira profissional como jogador, o momento oportuno era o da saída do clube. A CBF, ao permitir essa festa durante partida internacional disputada pela seleção brasileira foi conivente com a impostura.
Desde que Ronaldo foi contratado pelo Corinthians instaurou-se uma campanha de promoção pessoal em seu favor. Naturalmente, essa campanha custou muito dinheiro, pois a propaganda na mídia é cara. O financiamento dessa campanha certamente coube ao jogador, ao clube e aos patrocinadores. Ao jogador interessava recuperar a imagem que foi borrada com o escândalo dos travestis. Ao clube interessava justificar a contratação de um jogador com alto salário, que jogava poucas vezes ao ano, em franco declínio, fora de forma, com o conceito moral abalado, demitido da função de embaixador da UNESCO junto à juventude mundial e rejeitado pelos clubes europeus de expressão. Aos patrocinadores interessava divulgar boa imagem do garoto propaganda a fim de evitar queda nas vendas dos seus produtos. A “festa de despedida da seleção brasileira” está incluída nesse contexto. A intensa e enganosa propaganda pode visar, ainda, a projetos futuros: candidatura a cargo público eletivo ou a cargo na CBF. Nas entidades esportivas da Alemanha e da França foram admitidos jogadores que encerraram sua vida profissional, como Beckenbauer, Platini e Zidane. Talvez Ronaldo pretenda o mesmo.
Na propaganda veiculada pelos meios de comunicação social, em favor desse jogador, há falsidades e distorções quanto ao seu desempenho como jogador. A afirmativa de que ele foi o maior artilheiro de todas as copas é uma dessas falsidades. Certamente, a divulgação dessas mentiras e distorções deve-se ao dinheiro distribuído aos jornalistas e às emissoras de rádio e TV. Não se elege o melhor artilheiro apenas por simpatia ou por interesse do jornalista em receber jabás e da empresa jornalística em publicidade. Com as devidas seriedade e honestidade, há que se considerar o universo de artilheiros e de competições, comparar os dados, calcular, obter a média aritmética. A base de cálculo varia segundo o propósito da demonstração: pode ser a carreira do jogador, o campeonato nacional, a copa do mundo, distintamente. No que tange à carreira, conta-se a quantidade de gols, o tempo da vida profissional dos artilheiros e se obtém a média. Exemplo: João fez 600 gols em 15 anos de carreira; obteve a média de 40 gols por ano. Paulo fez 500 gols em 10 anos de carreira; obteve média de 50 gols por ano. Da comparação entre eles, resulta que o melhor artilheiro foi Paulo; proporcionalmente, em menos tempo ele fez mais gols. No que tange a campeonato nacional o procedimento é o mesmo. Exemplo: João disputou 10 campeonatos e fez 300 gols; alcançou a média de 30 gols por campeonato. Paulo disputou 5 campeonatos e fez 200 gols; alcançou a média de 40 gols por campeonato. Embora o total de gols de Paulo tenha sido menor, ele se revelou proporcionalmente mais eficiente do que João. No que tange a copas do mundo não é diferente. Exemplo: João disputou quatro (4) copas e fez 15 gols; alcançou a média de 3,75 gols por copa. Paulo disputou duas (2) copas e fez 10 gols; alcançou a média de 5 gols por copa. Logo, pelo critério da proporcionalidade e pela média aritmética, Paulo se mostrou artilheiro mais eficiente do que João. Além da exatidão matemática, esse critério faz justiça aos artilheiros que fizeram mais gols em menos tempo, ou em menor número de campeonatos e de copas.
Adotado esse matemático e justo critério, verificar-se-á que o maior artilheiro em copas do mundo até o momento continua a ser Just Fontaine com 13 gols em uma só copa. Ronaldo não chegou nem perto dessa marca. Para fazer 15 gols ele teve de disputar quatro (4) copas. Na primeira (1994) não entrou em campo, pois havia jogadores mais qualificados. Na segunda (1998) ele amarelou quando Romário foi afastado. Perdeu a referência e passou mal. A seleção francesa venceu a brasileira. Na terceira (2002) a seleção venceu. Na quarta (2006) foi outro vexame; a seleção não passou para as quartas de final. Em suma: (i) das copas em que Ronaldo esteve em campo a seleção brasileira saiu vitoriosa em uma e derrotada em duas; (ii) a média de gols desse jogador foi de 3,75 por copa, se considerada a primeira copa em que ele ficou no banco, e de 5 por copa, se desconsiderada.
Da copa de 1950 até a de 2006, inclusive, os seguintes jogadores apresentam média acima da média de Ronaldo: Sandor Kócsis, com média 11; Ademir Menezes e Eusébio, com média 9 cada um; Gerd Muller, com média 7; Pelé e Rahn, com média 6 cada um; Klose e Lineker, com média 5, cada um; Vavá, Jairzinho, Rossi, Vieri, com média 4,5, cada um. Leônidas (“foi o Pelé da Era do Radio assim como Pelé foi o Leônidas da Era da Televisão”, na feliz definição de Domingos da Guia) disputou duas copas pela seleção brasileira nos anos 30, do século XX, marcou nove (9) gols, obteve média de 4,5 gols por copa.

quarta-feira, 8 de junho de 2011

FUTEBOL2

Militam contra a regularidade no desempenho técnico e na eficiência do jogador fatores como: (i) desavença na diretoria do clube, problemas financeiros, falta de pagamento, seguidas mudanças na equipe técnica; (ii) turbulência na família, má conduta, agressividade da torcida, ameaças de morte ou dano pessoal e patrimonial, assédio de outros clubes com promessas sedutoras.
A passagem do tempo é fator prosaico. Alguns jogadores sentem os efeitos mais cedo e outros, mais tarde. Geralmente, a vida profissional do jogador começa aos 18 anos e se encerra por volta dos 35 anos de idade. Em média, após 10 anos de profissionalismo, o jogador começa a apresentar desempenho irregular; decai na eficiência; os aguerridos perdem o ímpeto. Djalma Santos, como defensor, um dos maiores jogadores de todos os tempos, atuou bem nos campos de futebol com mais de 40 anos de idade. O genial Romário chegou lá com menos vigor: parado em campo, ele aguardava ensejo para completar 1.000 gols.
Outro fator de irregularidade e de redução da eficiência são as contusões. Ao voltar recuperado da contusão, o jogador necessita de algum tempo para retornar à boa forma. Dependendo da gravidade da contusão, o jogador jamais recupera a forma, como aconteceu com Ronaldo Nazário. Ele sofreu lesões sérias no joelho e da última vez acreditava-se que não tornaria mais a jogar futebol. A superação foi considerada fenomenal. Daí surgiu o apelido “fenômeno”. Da cura quase milagrosa da pessoa, o apelido passou para a qualificação do jogador, embora a sua forma física e técnica jamais tenha voltado ao que era. Originalmente, pois, o “fenômeno” Ronaldo referia-se à sua capacidade de se recuperar das lesões e não ao seu desempenho como jogador. Neste particular, fenômeno mesmo foi Garrincha, que no campo jogava divinamente com as pernas tortas.
A estabilidade financeira e o patrimônio acumulado contribuem para a preguiça do jogador em campo. Quando rico e famoso, o jogador tende a relaxar e se descuida da dieta: excede-se no consumo de alimentos e de bebidas alcoólicas; entrega-se ao tabagismo, à esbórnia e às drogas proibidas. Dedica-se menos aos treinos. Esquece-se do compromisso com o clube e com a sociedade. Durante o contrato, o jogador tem o dever de se cuidar, pois a sua boa disposição física e psicológica e a boa conduta são inerentes à sua atividade profissional. O clube e os torcedores esperam do contratado o cumprimento dessas condições; esperam vê-lo bem disposto em campo e com imagem limpa; a mesma expectativa da parcela decente da sociedade. Ao celebrar contrato, as partes contratantes limitam a si próprias, em seus direitos e liberdades, pois contraem obrigações explícitas e implícitas nas cláusulas. A conduta dos jogadores há de se conformar com o padrão moral vigente na sociedade de modo a não manchar a própria imagem e a do clube. O compromisso do técnico e dos jogadores além de esportivo, também é moral e social. Na Europa, a má conduta pode ser justa causa para rescindir o contrato. No Brasil, também.
Ronaldo Nazário, Ronaldo Gaúcho e Adriano, entre outros menos famosos, protagonizaram episódios de quebra desse importante compromisso. Por três vezes Ronaldo Nazário recebeu o título de melhor jogador do mundo, outorgado pela FIFA, o que pouco significa diante do esquema de corrupção existente nessa entidade, inclusive no que tange à compra de votos. O terceiro título foi imerecido por mais um fato notório: Zidane estava melhor do que Ronaldo. O francês e demais candidatos foram consolados posteriormente: cada um, à sua vez, recebeu o título: Zidane, Cristiano e Messi. Mesmo com um desempenho fraco na Copa de 2010, o argentino ganhou o título. Politicagem fifense. O merecedor do título era o holandês Sneijder por sua regularidade e eficiência durante toda a competição.
Após o escândalo com travestis no Rio de Janeiro, a representação de Ronaldo Nazário perante a juventude mundial foi cassada pela UNESCO e diminuíram suas chances como garoto propaganda na Europa e como jogador de clube europeu. Segundo Caetano Veloso não há pecado abaixo da linha do equador. Apesar disto, neste Brasil de frouxos laços morais, foi pequeno o interesse em contratar Ronaldo. O Flamengo o deixou na sala de espera. O Corinthians se dispôs a contratá-lo.
A filosofia de Caetano ignora que imoralidade e criminalidade são xipófagas, irmãs gêmeas: a primeira abre portas à segunda.
A opção sexual de cada jogador cabe ao seu exclusivo juízo. Se lhe apetece, pode transar com duas ou mais pessoas do mesmo sexo, travestis ou não, ao mesmo tempo e sob o mesmo teto. Entrevistado por repórter de jornal impresso, um travesti informa que há clientes que o procuram – não para penetrar (ou “traçar” como ouvi em canal de TV) – mas para serem penetrados (“traçados”), ou para as duas coisas, em trocas de posição durante o ato. Apesar dessa liberdade no campo sexual, os setores públicos e privados da sociedade não estão obrigados a tolerar escândalo decorrente das práticas sexuais que extrapolam os limites da intimidade.
Ronaldo Gaúcho, gênio do futebol mundial, também recebeu da FIFA o título de melhor jogador do mundo. Naquela ocasião, o título foi merecido, diga-se de passagem. Após atravessar má fase, recuperou a forma. A farra o derrubou. O episódio marcante foi a esbórnia em Milão por madrugadas seguidas até a véspera de jogo decisivo para seu clube. Tamanha irresponsabilidade diminuiu suas chances de convocação para integrar a seleção brasileira. Retornou ao Brasil. Disputado por alguns clubes, apesar da fase descendente, acabou contratado pelo Flamengo onde seu desempenho apresenta a irregularidade própria desse período que todos os jogadores atravessam na vida profissional.
Adriano, excelente jogador cujas ligações perigosas e vida social tumultuada o colocaram sob suspeita: a sua imagem ficou mais associada à de bandido do que à de cidadão respeitável. Perdeu a chance de ser convocado para integrar a seleção brasileira. Saiu do Flamengo, voltou para a Itália e retornou ao Brasil, onde foi contratado pelo Corinthians, apesar de estar fora de forma.

terça-feira, 7 de junho de 2011

FUTEBOL

Recebo mensagem eletrônica do engenheiro e historiador J.E.O. Bruno, com artigo do falecido Armando Nogueira, recentemente publicado no jornal eletrônico “Tribuna da Imprensa”, sobre os fundamentos do futebol, em que o articulista manifestava sua admiração pelo drible. O ilustre remetente acrescenta sua opinião: o jogador brasileiro Neymar é melhor do que o jogador argentino Messi; o brasileiro é bom no drible, no passe e no gol, enquanto o argentino é bom apenas no passe e no gol; ao jogar por suas respectivas seleções nacionais, o brasileiro mantém a sua qualidade técnica, enquanto o argentino se apaga.

Realmente, dominar os fundamentos da arte de jogar futebol é capacidade de poucos jogadores. Manter a regularidade técnica e a eficiência, ainda que sem dominar todos os fundamentos, também não é fácil e exige muita dedicação.

Bola parada: (i) cobrança de faltas, de penalidades e de escanteio; (ii) execução de tiro de meta; (iii) reposição pelas laterais do campo. Jogadores apresentam eficiência e deficiência nesses fundamentos. Faltas mal cobradas, principalmente quando o jogador se apressa e acaba entregando a bola ao adversário. Para superar a barreira adversária e fazer o gol o jogador tem que ser especialista e nem sempre as equipes o possuem. Há jogadores, alguns craques inclusive, que cobram mal a penalidade. A obrigação de acertar é do cobrador, eis que tem um enorme gol à sua frente, a curta distância e sem barreira. Se o goleiro não consegue defender, nenhuma censura merece, pois a sua posição em face do cobrador é desvantajosa. Essa desvantagem faz parte da punição aplicada à equipe cujo jogador cometeu falta dentro da área. Se o goleiro consegue defender, merece aplauso. Pelo que se tem visto nos últimos anos, o goleiro tem mais chance de defender se permanecer no centro do gol, por onde tem passado a bola em inúmeras cobranças. Atirar-se para um dos cantos em exercício de adivinho tem se mostrado infrutífero na maior parte dos casos. Pouquíssimos jogadores são capazes de fazer gol olímpico. A cobrança do escanteio exige precisão acima do comum. Alguns jogadores conseguem lançar a bola na cabeça do companheiro, certeira e intencionalmente, como se fora uma assistência bem planejada e ensaiada. Se o companheiro tiver perícia, cabeceará a bola para o fundo da rede adversária. Há jogadores deficientes no tiro de meta por não atribuírem a devida importância a esse fundamento. Chutam a bola sem destino específico ao invés de endereçá-la a um companheiro bem colocado; chutam de qualquer jeito, até para fora das quatro linhas. Às vezes, com o tiro de meta mal realizado a bola cai nos pés do adversário, gera ataque relâmpago e a equipe do cobrador sofre gol. O tiro de meta bem realizado pode ser o início de um proveitoso ataque da equipe do cobrador. A rápida e bem realizada devolução da bola pelo goleiro aos seus companheiros também pode ser altamente proveitosa para sua equipe. Na reposição da bola pelas laterais do campo, por ser com as mãos, há mais acertos do que erros. Sempre há quem desatende a regra.

Bola em movimento: passes, controle da bola, dribles, cabeceios. Inteligência lúdica, ampla visão de jogo, treino, dedicação, respondem pela boa execução desses fundamentos. Acerto nos passes longos ou curtos, precisos nos pés do companheiro ou no espaço vazio para oportuna, proveitosa e surpreendente chegada do companheiro. Os craques são peritos nesse fundamento de suma relevância para o desempenho da equipe e que bem evidencia a natureza coletiva desse esporte. Geralmente, os jogadores que dominam esse fundamento são grandes articuladores de jogadas ofensivas e defensivas. Infelizmente, são poucos. Erros de passes – alguns clamorosos – são constantes no futebol brasileiro para desespero das torcidas. O Barcelona, um dos melhores clubes de futebol da atualidade (necessita vencer o próximo campeonato mundial de clubes para se considerar o ímpar entre pares; não basta o campeonato da liga européia) exibe desempenho coletivo extraordinário em decorrência dos acertos nos passes, do toque de bola rápido, certeiro e eficiente. Os clubes passam por momentos mágicos como esse do Barcelona de Messi, ou aquele do Real Madri de Zidane, ou do Santos de Pelé, ou do Botafogo de Garrincha. No desempenho individual jogadores de excelente técnica têm controle da bola ao recebê-la, mantê-la em seus pés e sem perdê-la até se desvencilhar com êxito. Nota-se controle deficiente quando a bola foge dos pés do jogador, embora se possa debitar a fuga a: (i) defeito no campo; (ii) inadequação da bola quanto ao peso e à dimensão; (iii) contusão; (iv) habilidade do adversário no desarme; e assim por diante. A máxima falta de controle se dá quando o jogador não acha a bola, “fura” como se diz no jargão esportivo; o “furo” é deprimente e desmoralizador. O drible é o controle individual da bola que mais exige talento do jogador. Implica conduzir a bola, enfrentar e passar pelo adversário de modo lampeiro e concluir a jogada com passe ou chute a gol. O driblador é caçado, às vezes com violência, por jogadores que encaram o drible como provocação e humilhação; os caçadores sentem raiva e inveja do talento e da habilidade do jogador adversário. Cabecear a bola também requer técnica. Raros são os jogadores que dominam esse fundamento, que batem na bola com a parte adequada da cabeça e a enviam de modo certeiro para o gol adversário ou para o companheiro. A maioria cabeceia de qualquer jeito, até contra o seu próprio gol. Nesse fundamento destacou-se Balthazar por seus cabeceios fortes e certeiros. Ele integrava a equipe do Corinthians nos anos 50.

segunda-feira, 6 de junho de 2011

VIAGEM6

Em Gênova, o GPS nos levou até o hotel NH Marina, Molo Ponte Calvi, da mesma rede NH Hoteles de Pisa. Ancorado na parte externa, sobre as águas do mar, como decoração da entrada do hotel, há um navio do século XVI, disponível à visitação mediante bilhete pago. Na parte interna, quartos individuais simples (o duplex ficou na saudade): uma para o Rafael, outro para o casal Jussara e Antônio. Acomodações boas. Sacada aberta para a marina, onde havia dezenas de barcos e lanchas ancorados. Mais longe, navios transatlânticos que causam espanto pelo enorme tamanho e peso sem afundar nas águas. O mesmo espanto que nos causa a decolagem e o vôo de aviões pesando toneladas. A Física explica. Maravilhas da ciência e da técnica. Almoçamos num restaurante situado na marina e jantamos no próprio hotel. Passeamos pelos principais logradouros da parte alta e da parte baixa da cidade. Em uma das praças vimos estátua do navegador genovês Cristóvão Colombo. A memória histórica registra: os governantes de Gênova negaram apoio ao projeto de navegação de Colombo denominado “Empreendimento para as Índias”. Foram os reis de Espanha, Fernando e Isabel de Castela, que o apoiaram e investiram na execução do projeto. O propósito era traçar uma rota ocidental para o Oriente, mas resultou na descoberta da América e do tabaco. Patrocinado por Fernando e Isabel, Colombo fez mais duas viagens e fundou colônia em nome do governo espanhol. A quarta expedição foi realizada às suas custas, quando ele explora a costa da América Central. Sem os seus velhos e desgastados navios, Colombo regressa a Espanha, onde morre doente, esquecido e desacreditado.
Entramos em Mônaco e circulamos pelos altos e baixos da cidade. Carros e residências luxuosas. Ares sofisticados. Nas ruas que periodicamente são utilizadas como pistas de corrida de automóveis da Fórmula 1, faixas informam sobre a corrida programada para o final de maio. Prosseguimos viagem até Nice. Boas acomodações no hotel Nice Centre Acropolis, na Esplanade du Parvis de l´Europe. Fizemos os passeios de praxe. Simpatizamos muito com a cidade e nela moraríamos se tivéssemos que mudar para a Europa.
Em Barcelona, ficamos seis dias no apartamento do Rafael. Jantamos no Les Caracoles, restaurante que existe e funciona desde 1835, portanto, há 176 anos, situado na esquina da Rua Escudellers, onde Rafael mora. A espera prevista para 20 minutos dobrou. Os fregueses que chegaram depois de nós esperaram cerca de uma hora ou mais, tal o movimento e a procura. Fiquei impaciente. Para me acalmar, pedi uma taça de vinho. Aguardamos a vez no bar lotado de pessoas. Passa-se pela cozinha e entra-se nos refeitórios, diversas salas em três níveis, com mesas e cadeiras dispostas de modo a aproveitar espaço. Destinaram-nos mesa de canto no nível superior. Bom atendimento. Pratos principais e sobremesas excelentes. O restaurante faz jus à boa fama. Preços razoáveis diante do alto padrão. Nos outros dias, variamos de restaurante e não temos queixa alguma. Passeamos pela cidade a pé e de ônibus turístico, tal qual nas outras cidades. Os estabelecimentos empregam técnica mercadológica: traçam caminho sinuoso para a saída dos fregueses; ao longo, há prateleiras estrategicamente colocadas com produtos e embalagens em cores atraentes; no final, a caixa. Nos mercados das cidades que visitamos, nas lanchonetes das estradas e até no Vaticano, percebemos a utilização dessa técnica. Só chegamos à Capela Sistina, por exemplo, depois de passar por altos e imensos corredores, piso de granito muito limpo, com mercadorias e bugigangas expostas em uma série de bancas. Por isso, não estranhamos o percurso dentro das livrarias de Barcelona. Adquiri o livro “Mentiras Fundamentales da La Iglesia Católica”, editado em março de 2011, por Ediciones B, Barcelona, com 563 páginas, escrito por Pepe Rodriguez, doutor em psicologia, licenciado em ciências da informação, professor de jornalismo, com obras publicadas. Surpreendi-me com as semelhanças entre esse livro e os meus artigos publicados até 2008, no jornal impresso “Tribuna da Imprensa” e de 2009 em diante, neste blog, inclusive o “Comentário Final” sobre o resumo dos livros da Bíblia (abril/2011). Os primeiros capítulos da citada obra sintonizam com o livro “O Evangelho da Irmandade”, da minha autoria editado em 2007, por RTN Editora e Artes Gráficas, Resende/RJ. As emissoras de TV espanhola noticiavam com destaque a gravidez de Carla Bruni, primeira dama da França, o terremoto de Lorca e o escândalo sexual protagonizado por Dominique Strauss-Kahn, diretor do Fundo Monetário Internacional. Repetiram “ad nauseam” imagens e textos durante a semana. O francês admitiu o relacionamento com a camareira do hotel, mas em sua defesa alegou consenso. Pagou fiança e obteve prisão domiciliar. O Judiciário dos EUA favoreceu a queixosa no caso Mike Tysson, apesar da prova débil. Diante do precedente, pequena é a chance de Dominique ser absolvido. O Judiciário brasileiro é mais rigoroso no que tange à prova, pois o réu pode ser vítima de falsa acusação como aconteceu recentemente.
O périplo foi cansativo: entra e sai de estradas, cidades e hotéis; arruma, desarruma e torna a arrumar as malas; coloca, tira e torna a colocar as coisas de higiene pessoal nas bolsas; muda de roupa e calçado; anda, para, curte, senta, levanta, torna a andar; tudo em breve tempo, embora sem atropelo. Esse tipo de aventura é mais adequado a pessoas jovens. Resolvemos antecipar o regresso ao Brasil que estava previsto para 28/05/2011. Sentimos falta da tranqüilidade da nossa aldeia, da nossa casa e saudade dos nossos cachorros (Pretinho, Boris, Brigitte e Laika).